Quem tem mais estômago aí, hein? Por que o Lula terminou o primeiro turno atrás do Flávio Bolsonaro, hein? Tem um monte de explicação: economia, rejeição, campanha, STF, horóscopo. Eu fico com uma bem simples: o eleitor tá de saco cheio de ser feito de palhaço. O Lula foi fazer um comício em São Miguel Paulista. No palanque tavam o Alckmin de vice, a Marina Silva e Simone Tebet, candidatas ao Senado. Todo mundo sorrindo, abraçado, imagem daquelas de chorar. Do que eu não sei. E eu pensei: pera aí. Mas… essa galera não acusou o Lula de corrupção? Oooooopa, se sim. Em 2018, perguntaram pra Marina se ela achava o Lula corrupto. Ela tinha à disposição todo o repertório da diplomacia: “temos divergências”, “não cabe a mim julgar”, “deixe a Justiça trabalhar”, “tem que ver issaê direitinho”. Nada. Ela preferiu o caminho mais curto: “É corrupção. Claro que é corrupção. É crime de corrupção. Lei da Ficha Limpa.” E na sabatina do Globo: “Sim, considero que ele é corrupto.” Não teve nem um “veja bem”. Foi sem KY. Aí veio a Simone Tebet no Roda Viva em 2022 “Grande orquestrador do petrolão”. Orquestrador! Não era nem um músico da orquestra, era o maestro. Só que em janeiro de 2023, tava lá ela tomando posse como ministra do maestro. E tem o Alckmin, que é o meu preferido. Em 2017, na convenção do PSDB, ele disse que o Lula queria “voltar à cena do crime”. Em 2018, caso alguém tenha ficado na dúvida, escreveu no Twitter: “Não existe a menor chance de aliança com o PT. Jamais terão meu apoio para voltar à cena do crime.” Jamais! Quatro anos depois, era o vice. É a testemunha de acusação contratada pela defesa. Se fosse um filme de tribunal, o público ia achar o roteiro meio forçado. Quais seriam as explicações? Ou eles acreditavam no que disseram e, mesmo assim, foram governar com quem já tinham acusado de corrupção. Ou não acreditavam naquilo e falavam só pra ganhar voto. Ou existe a explicação oficial: o outro lado era pior. Impressionante como a flexibilidade moral dessa galera dava uma tese de doutorado. Em 2022, com o Bolsonaro na urna, o eleitor engoliu. Tinha um medo maior, e muita gente aceitou engolir o sapão em nome dele. Já neste ano, o eleitor não engoliu não. Tá certo que tem mil motivos pra perder a eleição, mas não tem como não reparar nisso. Interessante como vídeo de político é que nem tatuagem com nome de ex: além de não sair, tem sempre alguém que pergunta. O político sempre contou com a memória de peixe do eleitor. Fala uma coisa numa eleição, outra na outra, e confia que ninguém vai juntar as duas. Só que o passado tá no vídeo e o eleitor tá começando a dar play. Às vezes o passado é mais presente do que o próprio presente. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
|
Total de visualizações de página
terça-feira, 6 de outubro de 2026
#LulaAtrás
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário