Como seria a bandeira original do PT, hein? Você viu o vídeo do dia 16, do encontro do Lula com pastores no Planalto? Não precisa ver. Pode acreditar em mim, eu conto. Mas se quiser conferir, taí. Faltavam dezoito dias pro primeiro turno e ele resolveu explicar de onde vieram os símbolos do partido. “Eu utilizava o sangue de Cristo como exemplo do vermelho da minha bandeira”. O problema é que quem tava na mesa criando a bandeira conta outra coisa. Júlio de Grammont era secretário-geral do PT de São Bernardo naquela época e conta outra versão. Foi em 1980, numa mesa de bar, ele e mais dois, enchendo a cara de Domecq e rabiscando um guardanapo. Dos três, dois eram são-paulinos: vermelho, branco e preto. Era o Morumbi, não tinha nada de messiânico. Um deles perdeu a discussão do time e quis compensar. Bateu o pé pra colocar foice e martelo. O Lula explicou a estrela branca: “Aí depois que questionaram a bandeira, questionaram a estrela do meu partido. Eu passei a vida inteira mostrando que os grandes navegadores da história da humanidade utilizavam a estrela como guia pra atravessar os mares”. Só que o Grammont falou que a ideia da estrela foi dele e que ainda zuaram. Convenceu os outros dois explicando que leu, num dos livros que circulavam na cadeia, que aquela era a estrela da juventude comunista da Albânia. Bandeira juventude comunista da Albânia Quando o ilustrador quis saber por que cinco pontas, ele respondeu que com três lembraria Mercedes Benz e com quatro, brinquedos Estrela. Cinco lembrava Lampião e Che Guevara. Mas o melhor foi isso: quem tirou a mística do desenho foi o único religioso da história. Frei Betto olhou aquilo e mandou tirar o preto, porque estava parecendo bandeira de sandinista. Ficaram o vermelho e o branco, que ele leu como luta e paz. Bandeira Sandinista Tudo isso tá no site da Fundação Perseu Abramo, ligada ao próprio PT. O Grammont, aliás, admite ali que a história tem outras versões. Portanto, as escrituras indicam que Jesus não participou dessa reunião. Nem como suplente. Mesmo assim o Lula insiste. E ainda, no mesmo vídeo, explicou a barba: “Eu falava, Jesus Cristo era barbudo”. Olha a tríplice: o sangue, a estrela e Jesus! Pelas barbas do profeta, é o PT Gospel! Me admira que ele não tenha dito que era a estrela de Belém. Será que esse discurso tem alguma coisa a ver com a Quaest mostrando ele perdendo de 51 a 28 pro Flávio Bolsonaro entre os evangélicos no segundo turno? No mesmo discurso ele ainda avisou: “Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua. Mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja”. Os romanos tinham nome pra essa manobra: evocatio. Antes de tomar uma cidade, o general chamava a divindade protetora do inimigo e propunha um acordo. O romano falava em voz alta que era tática de guerra, com sacerdote do lado ditando a fórmula. Ninguém ali fingia devoção, era uma negociação mesmo. A história do Grammont é melhor e mais humana: sindicalista bebendo em bar de São Bernardo e desenhando símbolo de partido em guardanapo, briga por causa de time, foice e martelo recusada na zoeira, um frade achando que ficou parecido com a Nicarágua. Trocaram isso por um evangelho conveniente porque a pesquisa apertou. O Grammont contou a dele inteira, com nome dos amigos e marca da bebida. Testemunha de Jeová, pelo menos, avisa na porta o que veio vender. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2026
#GuardanapoSagrado
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