A imprensa e seus analistas tendem sempre a substituir problemas políticos concretos por teorias mirabolantes, procurando extremismos ideológico onde tem apenas uma revolta popular com uma realidade social extremamente complexa. Isso ocorre diariamente aqui no Brasil, mas ficou explícito nas análises sobre a vitória da AfD nas eleições regionais da Alemanha. A vitória da extrema direita alemã não representa o retorno das ideias nazistas. Mas o resultado direto das políticas de abertura dos governos de Angela Merkel, adotadas na crise migratória de 2015. A AfD cresce porque os partidos tradicionais não têm respostas para a questão migratória. Nem para a violência crescente. Muito menos para os problemas econômicos. E quanto mais o debate é reduzido ao “antifascismo”, mais os simpatizantes da AfD terão motivos para crer que a imprensa, os analistas e os políticos não querem falar de problemas reais. Obviamente, essa atitude escancara as portas para o surgimento de discursos extremistas. Assine o NEIM e compartilhe o nosso conteúdo. Na Alemanha, a revolta contra as elites políticas em particular, e contra o “sistema” em geral, criou um sentimento de nostalgia, principalmente nas regiões da antiga Alemanha Oriental, onde a AfD é quase hegemônica. A Saxónia-Anhalt é um dos 16 estados federados alemães que se situa no território do antigo domínio soviético. Curiosamente, é a região mais disposta a manter relações amistosas com a Rússia e francamente oposta à defesa da Ucrânia e às políticas da Otan. Alice Weidel, uma das lideranças da AfD, defende abertamente uma reconciliação com a Rússia. Ela é contra assumir compromissos com a a União Europeia em relação à invasão da Ucrânia, e acusa as políticas restritivas à Rússia como uma das causas dos problemas econômicos da Alemanha. “A energia barata da Rússia foi o segredo do sucesso ‘Made in Germany’. Precisamos disso de volta”, disse ela numa entrevista à Reuters. O serviço secreto alemão tem acusado a Rússia de espionagem, chegando a fechar um centro cultural russo na semana passada. Thomas Haldenwang, chefe do Escritório para Proteção da Constituição da Alemanha, afirmou que setores da AfD têm disseminado propaganda russa para desestabilizar a democracia alemã. Portanto, insistir que o extremismo da AfD é um retorno às ideias nazistas é historicamente inexato e politicamente ineficaz. E enquanto a imprensa, os analistas e os políticos tradicionais tentam encontrar uma relação da AfD com o nazismo, Kirill Dmitriev, o boneco de ventríloco de Putin estava comemorando o triunfo do cavalo de Tróia que os russos mandaram para a Alemanha. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2026
#AVitóriaDePutin
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