#Agamenon: Sobre putas e magistradosAs prostitutas brasileiras tem escrúpulos, regras e até princípios morais. Muito diferente do que anda acontecendo no Judiciário
Gosto muito de conversar com as pessoas na rua, nos botecos pé-sujo, na feira, no metrô... Acredito que todo mundo tem uma boa história para contar. A graça da brincadeira está em fazer a criatura contar a façanha de maneira espontânea, com as suas palavras, com o seu vocabulário. Aprecio sobretudo conversar com motoristas de táxi e garotas de programa. Confesso que prefiro as putas que, ao contrário dos taxistas, não ficam dando voltas pela cidade para cobrar mais caro. As hetairas, como as chamavam os gregos, vão direto ao ponto e não adulteram o taxímetro. No negócio da prostituição vale o combinado, não existe contrato nem despesas de cartório. Elas entregam o prometido no prazo estabelecido. Não canso de repetir, inexiste qualquer reclamação contra rameiras no “Reclame Aqui” ou no PROCON. Nos escândalos públicos, em que sempre aparecem como convidadas, são as únicas honestas e inocentes na parada. E bote inocente nisso. Não é de estranhar que Brasília, a capital foderal, existe uma enorme demanda pelos seus serviços. O maior exemplo do tal “empoderamento feminino” é usar o seu corpo, patrimônio intransferível, e alugar os seus favores fazendo os homens de bobos. As mulheres não perceberam até hoje o poder que tem quando praticam um felaccio, quando um membro frágil e indefeso pode ser vítima fatal de dentes afiados. Prostitutas ressuscitam casamentos “apimentando” relações dos casais cansados em diferentes veredas do sexo. Nas minhas conversas com as “mulheres da vida”, cada vez mais acredito que ser puta é vocação. Uma puta de verdade aprecia o seu o trabalho e o faz com prazer. Melhor agora que a figura do cafetão está desaparecendo graças a revolução digital. Utilizando as redes da internet, as profissionais do sexo se protegem, contratam serviços sem intermediários, produzem conteúdo para sites eróticos e ganham muito bem pelo serviço. Reparem que comercializar o sexo é cada vez mais aceito pela sociedade, o estigma de ser puta vai desparecendo na razão direta da quantidade da grana bilionária que movimenta o mercado da pornografia. Hoje, no Brasil, ninguém mais tem vergonha de ter uma puta na família. Vergonha é trabalhar no Judiciário. Quer dizer, “trabalhar” no poder judiciário é uma força de expressão. São tantos penduricalhos que não dá tempo para dar andamento aos processos, daí a lentidão da nossa “Justiça”. O mesmo não acontece na economia real do sexo pago. As prostitutas brasileiras tem escrúpulos, regras e até princípios morais. Já conheci muita puta evangélica, não é por acaso que a piedosa Maria Madalena era tão puta que “até um filho de Deus casou com ela”, como diz o poeta Joaquim Sabina. Por isso tudo devemos, cada vez mais , respeitar as “mulheres de vida nada fácil”, que neste Brasil decadente ainda tem a coragem de recusar ir para cama com um juiz federal sebento e escamoso. E não é pelo valor, e sim pelos Valores. Marcelo Madureira é humorista do Casseta & Planeta e junto com o Hubert (também do Casseta & Planeta) produze conteúdo para o canal do jornalista Agamenon Mendes Pedreira no Substack. Chega lá e “assassina”. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2026
#Agamenon: Sobre putas e magistrados
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