#InimputáveisQuando aceitou a lorota da Vaza Jato apenas para se livrar do bolsonarismo, a imprensa aceitou a chantagem lulista de que todo ladrão é inocente
A Lava Jato começou com a investigação de lavagem de dinheiro num posto de gasolina em Brasília. Logo chegou ao doleiro Alberto Youssef. Em 1999, Youssef iniciava a sua carreira no escândalo da Comurb. Escamoteava o dinheiro desviado de obras públicas de Londrina, no Paraná. Foi onde conheceu José Janene (PP) e Paulo Bernardo (PT), que mais tarde viriam trabalhar juntos na era do Mensalão. Antes, fizeram uma sociedade no caso do Banestado: Youssef criou um esquema de envio de remessas ilegais para o exterior. O criminoso vai se aperfeiçoando na arte de roubar. E a meritocracia fez o resto: reuniu todos os escroques para formar o maior escândalo de corrupção da história do país. José Janene foi o principal operador do mensalão e contou com a ajuda de Youssef para, novamente, escamotear o dinheiro roubado para empresas de fachada. A eles se juntaram o primeiro escalão do Partido dos Trabalhadores: José Genuíno, Delúbio Soares, Silvinho Land Rover e José Dirceu. A ideia era criar um “projeto criminoso de poder”, nas palavras do ex-ministro Celso de Melo, para facilitar a vida de Lula no seu primeiro mandato na presidência da República, entre 2003 e 2006. Mas não contavam com uma pedra no sapato: o pitoresco Roberto Jefferson e seus “instintos mais primitivos”. Vendo ruir seu esquema de propinas nos Correios, garantiu aos petistas que “cairia atirando”. O NEIM precisa do seu apoio para continuar Um olho roxo mais tarde, Jefferson revelou, em 2004, o esquema de compra de parlamentares por atacado, apelidado de escândalo do Mensalão: o dinheiro era escamoteado das estatais e requentado em empréstimos fictícios feitos ao publicitário Marcos Valério em nome do PT. A grana era distribuída entre os líderes partidários que pulverizavam propinas no Congresso Nacional. Um exemplo do que os petistas entendem por democracia. Mas Alberto Youssef, assim como os petistas, saiu ileso. E todos voltaram a delinquir no caso do Petrolão. O padrão era o mesmo: escamotear o dinheiro roubado para empresas de fachada e espalhar propinas no Congresso Nacional. O PT nasceu criticando a promiscuidade de políticos com empreiteiras. E acabou numa parceria criminosa com empreiteiros que roubam o país desde a época da Ditadura Militar. Com o aval do STF, o Ministério Público Federal organizou uma força-tarefa com sede em Curitiba, centralizando as investigações que haviam se expandido por vários estados ao longo de anos de investigações. A roubalheira na Petrobras irrigou as campanhas de Lula e Dilma e demais candidatos petistas e do centrão por todo o Brasil. Os ministros do STF não ficaram indiferentes. Também foram acusados de receberem somas relevantes e até reformas mirabolantes em suas casas, ofertadas por caridosos empreiteiros com consciência social. Mais um exemplo do que os petistas entendem por democracia. O combate à corrupção virou tema nacional. Mobilizou a população nas ruas em apoio à força-tarefa de Curitiba. A imprensa fez o seu trabalho de informar a roubalheira generalizada, a “agenda criminosa”, o “assalto à administração pública”, também nas palavras do ex-ministro Celso de Melo. Na época do Mensalão, Lula foi blindado pela classe política e pela imprensa. Todo mundo fingiu acreditar que ele era apenas um ignorante que não sabia de nada. Todo mundo fingiu que acreditou na desculpa do “eu fui traído”. Porém, no escândalo do Petrolão, todos os caminhos levavam a Lula. Era o mesmo modus operandi. A mesma “agenda criminosa”, o mesmo “assalto à administração pública”, o mesmo “projeto criminoso de poder”. Nas delações premiadas, doleiros, políticos, empreiteiros e os publicitários do regime confessaram os crimes, fizeram acordos para devolver o dinheiro e admitiram favorecimento ilícito a Lula. Os depoimentos de Antonio Palocci, Emilio e Marcelo Odebrecht e de Leo Pinheiro foram definitivos. Mas, como dizia Ivan Lessa, de 15 em 15 anos o Brasil esquece do que aconteceu nos últimos 15 anos. Glenn Greenwald inventou a Vaza Jato. A imprensa — a maior parte por promiscuidade com o poder, outra menor por se sentir culpada pelo advento do bolsonarismo — aceitou a narrativa das mensagens roubadas dos celulares dos procuradores da Lava Jato. Criou-se a história do conluio, da perseguição política aos petistas honestos que só roubaram dinheiro público porque as contradições do capitalismo levam todos à corrupção. E, com um abracadabra, as empreiteiras que roubam os brasileiros desde a época da ditadura se tornaram exemplos de empreendedorismo e tecnologia de ponta. Mais um coelho da cartola e toda a imprensa passou a acreditar que a Lava Jato foi uma operação dos EUA para “desestruturar a economia brasileira, dentro de um projeto que visava interesses geopolíticos externos e de ingerência estrangeira na capacidade produtiva nacional”. O mesmo STF que deu aval para que concentrar as investigações que se interligavam no MPF e Curitiba, decidiu anular todos os processos alegando que o foro apropriado era Brasília. Assim, 10 anos de investigações e julgamentos foram apagados da história com a promessa, nunca cumprida, de recomeçar. Assim Lula se tornou inimputável. Ele já não precisa mais responder pelos crimes que o levaram à cadeia. Ninguém mais precisa responder pelos crimes do Petrolão. Ninguém mais precisa responder por crime algum. Políticos podem manter relações promíscuas com banqueiros bandidos e pornográficos, magistrados não precisam explicar contratos milionários de familiares com empresas interessadas em processos em que eles mesmos irão julgar e, então, os corruptos podem retornar à cena do crime, como um dia disse Geraldo Alckmin, que hoje está de volta e sem o nome na planilha de propina da Odebrecht. Já a imprensa, quando aceitou a lorota da Vaza Jato apenas para se livrar do bolsonarismo, aceitou também a chantagem lulopetista de que todo ladrão condenado, agora é inocente. Leia também Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2026
#Inimputáveis
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