Obrigado pela sua leitura! ESTA NEWSLETTER ENTRARÁ EM FÉRIAS E VOLTARÁ APENAS EM MARÇO DE 2026, COM UMA NOVA PROGRAMAÇÃO, SALVO EVENTUAIS EXCEÇÕES.DESEJAMOS AOS LEITORES UM FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO!Há algum tempo eu gostava de fazer listas de final de ano. Pelo jeito os meus leitores se acostumaram com este hábito. Acostumaram-se tanto que achavam que ela era de graça, em todos os sentidos. Ou seja: pegavam minhas recomendações, usavam-nas e, como sempre, não davam crédito (acreditem, eu sei quando uma pessoa na internet está lendo um livro ou vendo um filme por minha indicação). Então parei de fazer isso. Motivo? Não valia a pena - e mais: não recebia para tal função. Logo, esta seria a minha anti-meta neste fim de 2025: esquecer a lista. Para sempre. Até que apareceu o bom leitor Roberto Souza Oliveira, que, do nada, depois de comprar o meu curso ALÉM DO ZERO (ainda não fizeram isto, filisteus?), também me encomendou a lista de fim de ano. Em outras palavras: sim, ele pagou por tal façanha. Então, se eu saí da aposentadora de catalogação dos eventos culturais de 2025 (ao menos dentro da minha perspectiva bem limitada), agradeçam ao Roberto. Obrigado, Roberto. Leitores: mirem-se no exemplo do Roberto. Sem pessoas como ele, este Substack não vai sobreviver no próximo ano. Não é ameaça. Estou falando sério. Portanto, sem mais delongas, vamos à retrospectiva de 2025 feita por MVC. Não há uma ordem de preferência dentro das classificações. FILMES (exibidos nas salas brasileiras em 2025) O Brutalista (The Brutalist, Brady Cobert): o elogio da subversão do artista que vence o mundo corrompido. Escrevi sobre o filme aqui. O Agente Secreto (Kleber Mendonça Filho): uma meditação implacável sobre o trauma que é viver no Brasil - e que precisamos esquecê-lo para continuar a sobreviver. Tempo de Guerra (Warfare, Alex Garland & Ray Mendonza): um exercício de estilo sobre como sua vida pode sofrer a mais brutal das metamorfoses: a da morte. Extermínio 3 - A Extinção (28 Years Later, Danny Boyle & Alex Garland): um exercício de melancolia britânica sobre como um império foi infestado por demônios, zumbis - e pedófilos. Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another, Paul Thomas Anderson): não se trata de um filme sobre revolucionários e militares, e sim sobre sociedades secretas que controlam as biografias das pessoas comuns. Escrevi sobre ele aqui. Frankenstein (Guillermo Del Toro): a redenção católica de Mary Shelley. Missão Impossível: O Acerto Final (Mission Impossible: The Final Reckoning, Christopher McQuarrie): provavelmente o filme mais subversivo do ano, com uma sequência de suspense - a do submarino atômico - que faria Hitchcock (muito) feliz. O Esquema Fenício (The Phoenician Scheme, Wes Anderson): não é uma comédia “fofinha”, como muitos pensaram, mas sim um retrato agridoce de um homem que recupera a vocação de ser um aristocrata. Um Completo Desconhecido (A Complete Unknown, James Mangold): o melhor filme da carreira de James Mangold tenta explicar ao espectador o que acontece quando estamos diante da grandeza, apesar de ela ser encarnada em alguém tremendamente escroto. Springsteen: Salve-me Do Desconhecido (Springsteen: Deliver Me From Nowhere, Scott Cooper): não se trata de uma biopic de Bruce Springsteen; é uma reflexão sobre a noite escura da alma que todos nós enfrentamos. Depois Da Caçada (After The Hunt, Luca Guadagnino): um filme irregular de um diretor medíocre, mas que ganha pontos porque tira sarro da cultura woke com classe e também porque Julia Roberts está impecável no papel de classy bitch. LIVROS (lidos em 2025) Os últimos romances de Mario Vargas Llosa (O Sonho do Celta, O Herói Discreto, Cinco Esquinas, Tempos Ásperos e Dedico a Você Meu Silêncio, todos publicados pela Alfaguara): este foi o primeiro binge literário porque eu tinha uma encomenda da Folha de São Paulo a cumprir. Quando o ensaio foi publicado, deu o que falar. Leia-o aqui. Suttree (Cormac McCarthy, Alfaguara): simplesmente um dos livros da minha vida e, provavelmente, o Ulysses da minha geração, agora em uma bela tradução nacional feita por Daniel Galera, em um evidente trabalho de amor. Central Europa (William T. Vollmann, Companhia das Letras): o paradigma supremo da ficção histórica pós-moderna, traduzido pelo sempre perfeccionista Daniel Pelizzari. Meu Passado Nazista (André De Leones, Record): com este romance que abraça de vez o grotesco que antes era apenas vislumbrado nos livros anteriores, De Leones prova ser o melhor narrador da sua geração. Meus Mortos (Diogo Mainardi, Record): o Doge de Veneza resolve o impasse entre forma e conteúdo da literatura brasileira contemporânea com um livro comovente. Veja também a entrevista que fiz com Mainardi, a mais completa sobre sua obra como um todo (disponível na íntegra apenas para os assinantes pagos deste Substack). A Terra dos Viventes (Carlos Nejar, Sator): só um poeta gaúcho para escrever um épico de tamanha ambição. Against The Machine (Paul Kingsnorth, Penguin Press): junto com os escritos de Nick Land, este livro prova que usar a Inteligência Artificial é nada mais, nada menos que invocar demônios. Esbocei alguma coisa deste tipo (prometo que vou desenvolver mais isso em 2026) neste texto para Folha (que deu o que falar entre os progressistas, mas também foi descaradamente copiado entre os direitistas mais miméticos) e no meu curso ALÉM DO ZERO (para informações, veja logo abaixo). Vineland, O Leilão do Lote 49 & Shadow Ticket (Thomas Pynchon, Penguin Press): o meu segundo binge literário do ano; os dois primeiros livros foram uma releitura maravilhosa; e o terceiro, o romance mais recente do recluso mais amado do planeta, finalmente nos revela qual é o enigma do projeto literário de Pynchon. Leia meu ensaio sobre o tema aqui. Que Fim Levou Brodie?, Brás, Quincas & Cia. e Memorial de Buenos Aires (Antonio Fernando Borges, Record e Companhia das Letras); Aspades, Etc. e Tal, A Cabeça No Fundo do Entulho e T.E. Lawrence (Fernando Monteiro, Record): minhas duas leituras de homenagem a dois autores mortos recentemente que, por coincidência, faziam parte da mesma geração e foram esquecidos pela crítica literária mainstream. Escrevi sobre a obra de AFB aqui. Pretendo fazer algo semelhante a respeito dos livros de Monteiro assim que tiver a chance. Os Flamingos (Rodrigo Duarte Garcia, Danúbio): após uma estreia promissora com Os Invernos da Ilha, Rodrigo (que, full disclosure, é meu amigo pessoal) comprova que é um escritor de verdade. E Bem Quisera Que Já Estivesse Em Chamas (Fabrício Tavares de Moraes, Sator): uma estreia promissora na ficção do mesmo ensaísta erudito de À Sombra da Modernidade. O Deus Oculto no Canto do Córner (Milton Gustavo, Sator): ou como escrever sobre um treinador de boxe politicamente incorreto, manipulador, sedutor e malandro sem parecer que foi redigido por algum escritor brazuca da turma do Luiz Schwarcz. Quem Falou? (André Cunha, Penalux): ou como escrever sobre uma mulher gostosa de trinta e cinco anos, em constante ovulação e com tesão à flor da pele, tudo isso feito por um homem heterossexual, e sem parecer que foi bolado pela turma da Vila Madalena. O Inconsciente Corporativo e Outros Contos e A Grande Porção de Lixo do Pacífico (Vinicius Portella, DBA): após a estreia maravilhosa com Os Sinais Impossíveis, Vinicius Portella - que provavelmente vai odiar ser mencionado nesta lista, já que eu devo ser um “reacionário de extrema direita” na cabeça dele, mas foda-se - comprova que é também um contista impecável. Rio Comprido (Bruno Magalhães, Pessôa Editora): belo romance de estreia de um autor que fez o impossível - juntou Autran Dourado, Herberto Sales e Dashiell Hammett em uma única trama. Coisa de Rico (Michel Alcoforado, Todavia): o livro mais badalado do momento nas rodas dos grã-finos é, na verdade, uma sátira deliciosa de ler e, de certa forma, cumpre o papel de ser o Radical Chique dos nossos tempos (obrigado, Tom Wolfe). Um Caminho Particular do Futuro (Ricardo Bernhard, Reformatório): Ricardo Bernhard tem livros irregulares, mas poderosos, publicados nos últimos anos: Os Vilelas (uma tentativa de ser um Jonathan Franzen tupiniquim), este Um Caminho Particular do Futuro e a ficção científica distópica Elaboraram Um Plano. O segundo romance é o mais equilibrado de todos - e o mais emocionante. Bernhard é um talento a ser monitorado para os próximos anos. Fiquem atentos. MÚSICA (álbuns ouvidos em 2025) Ethel Cain - Willoughby Tucker, I’ll Always Love You: no ano em Taylor Swift lançou um álbum medonho, Ethel Cain provou que veio para ficar com um disco memorável. Haim - I Quit: a melhor coisa de Israel não é a IDF, mas as irmãs Haim. Bruce Springsteen - Nebraska 82 Expanded Edition: estou com quase cinquenta anos; fico feliz que estou vivo para ouvir essa obra-prima na íntegra. The National - Rome: um álbum ao vivo sublime para compensar os três últimos álbuns de estúdio desta banda, todos medíocres. Beth Gibbons - Lives Outgrown: tudo perfeito, tudo maravilhoso, mas cadê o quarto álbum do Portishead, dona Beth? Steely Dan - Discografia Completa: sim, eu fiquei emocionado quando tocou “Dirty Work” em Uma Batalha Após a Outra. Nick Cave and the Bad Seeds - Wild God: depois da trilogia do luto (Skeleton Tree, Ghostteen e Carnage), agora o bardo australiano mostra que há sempre a ressurreição, em todas as áreas da existência. The Cure - Songs of a Lost World: a trilha sonora perfeita para quem está testemunhando o fim do nosso mundo. Pearl Jam - Dark Matter: a trilha sonora perfeita para quem ainda se lembra que a década de 1990 tinha coisas boas. Nine Inch Nails - TRON: Ares: a trilha sonora perfeita para quem quiser sobreviver a uma ressonância magnética de uma hora de duração. SÉRIES (vistas em 2025): Slow Horses (Apple): Jackson Lamb (interpretado por um Gary Oldman em estado de graça - e de fedor absoluto) é meu pastor, e nada me faltará. O Eternauta (Netflix): a nevasca da paralisia que domina a nossa América Latrina. Pluribus (Apple): o totalitarismo já está entre nós há muito tempo. Severance (Apple): o mito de Orfeu recontado para salvar o que restou das nossas memórias. Adolescence (Netflix): causou uma comoção nas políticas públicas, agora completamente esquecida, mas é uma série perturbadora sobre a crise de hierarquia na sociedade ocidental. Quem quiser colaborar com o meu trabalho, além do valor da assinatura desta newsletter pessoal, pode me ajudar por meio do pix: martim.vasques@gmail.comE quem quiser apertar o botão abaixo só para fazer a minha felicidade - e manter essa newsletter de modo mais profissional, be my guest: AVISO: NOVO CURSO - ALÉM DO ZEROUM NOVO TRECHO LOGO ABAIXO:Queridos leitores: Temos um novo curso ALÉM DO ZERO - VIVENDO NA RELIGIÃO DA TECNOLOGIA. Trata-se de um prosseguimento do assunto que abordei no meu curso anterior, De Zero a Nero - O que Shakespeare ensinou a Peter Thiel sobre os rumos da liderança, que você pode adquirir aqui. Serão seis aulas, de 30 minutos a 1 hora de duração. Aqui vão os temas abordados: O curso é também uma reflexão sobre certas obsessões minhas e que me acompanham desde a época do meu primeiro livro, Crise e Utopia - O Dilema de Thomas More (2012), indo até A Disciplina do Deserto, minha obra derradeira. Ambos os livros serão lançados juntos em 2026, se os deuses do mercado editorial permitirem. Dito isso, chegamos ao grande momento: Quanto custará o curso?E a resposta é: Você decide.Isso mesmo: Quem determinará o preço será você, não eu.Veja os temas que serão abordados. Veja a qualidade gráfica do material promocional. Veja o seu interesse. Veja como isso pode te ajudar na sua vida pessoal e pública. E aí você envia o valor no PIX abaixo:martim.vasques@gmail.comAssim que fizer o pagamento, mande uma mensagem no mesmo endereço acima (vou reforçar: martim.vasques@gmail.com), com o assunto escrito da seguinte forma - CURSO ALÉM DO ZERO -, e eu vou lhe enviar um link com acesso, também por e-mail, a uma pasta especial no Google Drive, onde haverá todo o material disponível do curso (é importante reforçar que é bom ter uma conta no Google). Observação importante: Não haverá reembolso no valor a ser pago (e se alguém precisar de Nota Fiscal, posso providenciá-la sem problemas, desde que me informe todos os dados necessários). (Pediria também a paciência de me dar um prazo de 24 horas para responder, pois sou “o exército do eu sozinho” nesta empreitada) Qualquer dúvida, é só conversar comigo por e-mail ou via DM do Substack. Agora a única coisa que posso lhes dizer é: obrigado pela confiança no meu trabalho - e eu espero que consiga cumprir as expectativas. Um forte abraço do MVC Invite your friends and earn rewardsIf you enjoy Presto, share it with your friends and earn rewards when they subscribe. |
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Uma Lista Feita Sob Encomenda
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