Obrigado pela sua leitura! A saber, a frase usada na linha fina e no meme acima deste texto é de autoria de Jacques Meir. Visitem o Substack dele com urgência pois os textos que estão lá valem sim um neurônio (até mais do que dois, na verdade). *** Há quase um mês, publiquei na Folha um ensaio perturbador sobre como a “religião da tecnologia”, analisada por Nick Land, está possuindo a nossa sociedade. Duas semanas depois deste texto ter sido publicado, ocorreu uma coincidência significativa: o colunista da Folha, Ronaldo Lemos, escreveu sobre o mesmo assunto, sobre o mesmo autor, inclusive também citando Dostoíevski no final (teve a prudência de mudar o livro). Coisas do acaso, sem dúvida. Outra coincidência: a mesma Folha publica, na mesma semana, uma “reportagem” sobre as palestras de Peter Thiel cujo tema é o Anticristo, um ano depois do meu outro ensaio sobre o mesmo tema, lançado no mesmo jornal - e sem nenhuma referência ao que escrevi, claro. Mais coisas do acaso, sem dúvida. (A quem interessar possa, até agora o jornal não me procurou para qualquer oferta. Em compensação, há Tatis Bernardis às mancheias) *** Já em Portugal, eu vou bem, obrigado. A Revista LER - editada pelo gentleman Francisco José Viegas - publicou meu ensaio sobre Tom Stoppard (que está disponível neste Substack; pesquisem; é só clicar na lupa acima). A primeira página é simplesmente sensacional: *** A LENTA FRITURA DE TOFFOLI Desde 2018, o progressismo adora falar que a tal da extrema-direita (este bicho-papão) usa do procedimento dos dog whistles, os “apitos de cachorro” que são, na verdade, avisos de que será necessário em breve um linchamento para recuperar a ordem perdida do establishment. O assunto de uma lenta fritura de José Dias Toffoli está quente nestes tempos, mas poucas pessoas se lembrarão que o dog whistle para tal acontecimento foi dado há dois anos (i.e. 2024) pelo colunista da Folha, Conrado Hübner Mendes, com seu artigo “É isto um juiz?”, endereçado ao juiz mais amado do STF. Afinal, os progressistas extremos também precisam dos seus rituais de purificação - e assim imitam perfeitamente os da extrema-direita. Esta previsão nunca foi novidade. Antecipei este movimento ao redor de Toffoli há tempos, mas ninguém prestou atenção no que escrevi (apesar de me kibarem o tempo todo). Mas o texto de Hubner se tornou relevante porque, com os últimos fatos, mostrou uma escalada na fritura de Toffoli - que só foi impedida temporariamente porque Xandão tomou a dianteira no ódio da nação. Ele listava uma série de pecados que, na ironia huberiana, são chamados de “lealdades” praticadas recentemente pelo juiz do STF:
Nesta ladainha, Conrado Hubner provou que é um excelente garoto de recados tanto da imprensa como do status quo que precisam sobreviver em Brasília, enquanto a capital do país quer sobreviver à agonia política de Lula, independente de todos os desfiles de escola de samba que possam surgir no presente e no futuro para agradar o ego do “Chefe”. A ordem contra Toffoli foi dada desde que ele quis outfox the fox. Basta saber quando (e como) será o sacrifício do bode expiatório. Pelo jeito, não deve demorar muito tempo. Afinal, o povo tem sede - e é de sangue. *** O BOLCHEVISMO DE DIREITA DO TIO ALDO A Folha publicou há algumas semanas uma entrevista com Aldo Rabelo. Ele afirma que não há problema algum em redigir uma minuta de golpe. Aliás, quando foi ministro de Dilma, teria feito a mesma coisa, diz. “Está previsto na Constituição”, afirma. As conexões sociais de Rebelo são de fazer inveja: foi amigo de Bolsonaro (com quem jogava futebol), foi ministro de Lula, teve indicação de Aloísio Nunes (ex-trotskista e eterno cacique do PSDB) para o novo cargo e se dá muito bem com Marta Suplicy. Apesar do tom neutro que a imprensa sempre dá sobre sua figura picaresca, fica evidente que ela se regozija do fato de que, diante dos seus olhos, nasce um Rasputin tupiniquim (a pergunta sobre se alguém do jornalismo brasileiro sabe quem foi Rasputin ficará para um outro momento). Em 2024, durante a campanha municipal na cidade de São Paulo, Aldo Rebelo disse, em outra entrevista (também para a Folha), a sua estratégia para “proteger” Ricardo Nunes da influência de Jair Bolsonaro. É uma das inúmeras amostras de como funciona o Xadrez 4D na cabeça desta turma - e de como pensa o tio Aldo:
Ora, essa análise mostra como Aldo Rebelo riu por último ao fim daquela eleição porque ele conseguiu enganar todos os lados que lhe interessavam para finalmente subir na hierarquia política - e provar que, no fim, estava certo. Esta é a a característica principal de quem é um adepto do “bolchevismo de direita”, cuja meta estratégica é, segundo Robert Chandler no livro Shadow World, a criação das condições necessárias, por meio da desinformação que ocorre dentro da imprensa, para a convergência tanto do Ocidente como do Oriente (a Europa e o Continente Americano, junto com a China, a Rússia e a parte jihadista do Oriente Médio) no estabelecimento de um governo mundial socialista. A sua defesa do golpe na entrevista na Folha resume plenamente a esta posição:
A verdade é que, com essa resposta casuística, Rebelo não é nenhum Rasputin. Seu “bolchevismo de direita” é uma paródia tupiniquim cujo principal modelo sempre foi o eterno candidato Eneás Carneiro (um nacionalista fanático que aparecia histericamente nos programas eleitorais do passado). O tio Aldo é mais um político de baixo clero - assim como Jair Bolsonaro, Arthur Lira e tutti quanti - que conseguiu ascender porque a imprensa divulga suas ideias bizarras e também porque o Brasil não sabe mais o que significa ter uma elite, pois vive comandado por uma ralé. Em um país onde o anormal torna-se o novo normal, é claro que Aldo Rebelo será o próximo guru da direita. Mas aí não será um Rasputin e sim um Enéas Carneiro recauchutado. Como diria um saudoso amigo meu: Quem viver verá. Quem quiser colaborar com o meu trabalho, além do valor da assinatura desta newsletter pessoal, pode me ajudar por meio do pix: martim.vasques@gmail.comE quem quiser apertar o botão abaixo só para fazer a minha felicidade - e manter essa newsletter de modo mais profissional, be my guest: *** AVISO: NOVO CURSO - RAÍZES (E CONSEQÜÊNCIAS) DO TOTALITARISMO BRASILEIROUM TRECHO LOGO ABAIXO:Queridos leitores: Temos um novo curso: RAÍZES (E CONSEQUÊNCIAS) DO TOTALITARISMO BRASILEIRO. (No decorrer das aulas, os alunos perceberão que eu falo “Raízes do autoritarismo brasileiro” o tempo todo, mas o nosso departamento de marketing resolveu alterar o título para melhorar as vendas. Não vou discutir.) Trata-se de um prosseguimento do assunto que abordei nos cursos anteriores (mas agora aplicados na perspectiva brasileira), De Zero a Nero - O que Shakespeare ensinou a Peter Thiel sobre os rumos da liderança, e Além do Zero: Vivendo na Religião da Tecnologia, que você pode adquirir respectivamente aqui e aqui. Serão seis aulas, de 30 minutos a 1 hora de duração, todas já gravadas. Aqui vão os temas abordados: O curso é também uma reflexão sobre certas obsessões minhas e que me acompanham desde a época do meu segundo livro, A Poeira da Glória (2015) e depois em A Tirania dos Especialistas (2019), indo até A Disciplina do Deserto, minha obra derradeira. Este livro será publicado em 2026, se os deuses do mercado editorial permitirem. Dito isso, chegamos ao grande momento: Quanto custará o curso?E a resposta é: Você decide.Isso mesmo: Quem determinará o preço será você, não eu.Veja os temas que serão abordados. Veja a qualidade gráfica do material promocional. Veja o seu interesse. Veja como isso pode te ajudar na sua vida pessoal e pública. E aí você envia o valor no PIX abaixo:martim.vasques@gmail.comAssim que fizer o pagamento, mande uma mensagem no mesmo endereço acima (vou reforçar: martim.vasques@gmail.com), com o assunto escrito da seguinte forma - CURSO RAÍZES TOTALITARISMO -, e eu vou lhe enviar um link com acesso, também por e-mail, a uma pasta especial no Google Drive, onde haverá todo o material disponível do curso (é importante reforçar que é bom ter uma conta no Google). Observação importante: Não haverá reembolso no valor a ser pago (e se alguém precisar de Nota Fiscal, posso providenciá-la sem problemas, desde que me informe todos os dados necessários). (Pediria também a paciência de me dar um prazo de 24 horas para responder, pois sou “o exército do eu sozinho” nesta empreitada) Qualquer dúvida, é só conversar comigo por e-mail ou via DM do Substack. Agora a única coisa que posso lhes dizer é: obrigado pela confiança no meu trabalho - e eu espero que consiga cumprir as expectativas. Um forte abraço do MVC You're currently a free subscriber to Presto. For the full experience, upgrade your subscription.
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quarta-feira, 1 de abril de 2026
Episódios Edificantes Da Nossa Estupidez
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