No céu de Brasília sempre tem algo a mais do que aviões cortando as nuvens. Sempre tem enredo. Segundo reportagem da Folha, entre maio e outubro de 2025, Xandão e sua mulher, Xandona, subiam discretamente a escada de jatos executivos. Não eram voos comuns. Eram partidas silenciosas, quase íntimas, rumo a São Paulo, sempre no crepúsculo, quando a cidade já não distingue o público do privado. Os aviões orbitavam um nome: Daniel Vorcaro. Não aparecia, não acenava, não embarcava. Mas estava lá, como um fantasma deselegante, dono invisível das asas que levavam o casal. Foram sete vezes. Talvez uma oitava ou nona que ainda não descobriu-se. Os registros frios da Anac — com horários, prefixos, destinos — contam uma história quase banal, não fosse o detalhe sórdido que sempre escapa às planilhas. O casal embarca, o avião decola, São Paulo os recebe. Repetem-se os dias, mudam-se os voos, mas permanece a cadência: Brasília, noite, partida. Há nisso uma rotina, e toda rotina sempre parece esconder um abismo. No pano de fundo, como num ato que se repete e jamais será esquecido, o contrato milionário que liga o escritório da Xandona ao banco de Vorcaro. Cifra alta, escandalosa. Daquela forma bem brasileira, em que nada prova, mas tudo sugere. Porque no Brasil, como nas pausas dramáticas de filmes policiais, o que não é dito pesa mais do que qualquer confissão. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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quarta-feira, 1 de abril de 2026
#VoosXandônicos
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