#RepúblicaDeAlcolumbresO áudio de Davi Alcolumbre não revela um escândalo. É apenas mais uma prova, entre muitas, de que pagamos caro para garantir que os "negócios" da "classe política" continuem prosperandoAinda alimenta alguma ilusão com as instituições do Brasil? Ouça o áudio de Davi Alcolumbre e perca todas de uma vez.
Feudo? Capitania hereditária? Lavoura particular? Pouco importa. Alcolumbre suou demais a camisa para ficar sem os louros da maravilha que é a capital do Amapá. Diante desse cenário, a existência de um Tribunal de Contas no Amapá faz tanto sentido quanto a existência das demais instituições “republicanas” do país:
Com a naturalidade de quem pede um pão na chapa, o PRESIDENTE DO SENADO FEDERAL – aquele que só alcançou esse posto pela segunda vez por ter contado com apoio do Lula e do Bolsonaro – participa de uma conversa que envolve prevaricação, abuso de poder e tráfico de influência. Ele negocia o destino do Amapá diretamente com Pedro DaLua, o então presidente da Câmara e hoje prefeito interino, que aparece no áudio como um subordinado cumprindo ordens para destruir o adversário comum, o prefeito Dr. Furlan. DaLua é, hoje, prefeito interino por obra e graça de Flávio Dino. Com uma canetada providencial, Dino ordenou o afastamento de Dr. Furlan. A desculpa oficial foi uma investigação sobre fraudes na construção de um hospital. A verdade, porém, todos nós sabemos, depois da finada Lava Jato, nenhum político é afastado por fraudes, roubalheira, corrupção. Todos são da escola Lula de política: um político que rouba jamais deve submergir, deve mesmo ir para cima dos seus acusadores. Na conversa de Alcolumbre e DaLua o motivo fica bastante evidente: Furlan cometeu o maior de todos os crimes políticos, exibia 85% de aprovação e recusava-se a beijar a mão do consórcio alcolumbrista. Com um único despacho, Dino serviu a prefeitura numa bandeja de prata para a patota que havia perdido feio nas urnas. Mais um detalhe sórdido: a esposa do senador Randolfe Rodrigues, inimigo ferrenho de Furlan, atua como assessora jurídica no gabinete de Dino. Todos saem felizes. Com a saída de Furlan, Pedro DaLua assumiu a prefeitura e, num passe de mágica, a vaga aberta na Câmara foi ocupada por Josiel Alcolumbre, irmão do iluminado Davi. E para garantir que toda essa manobra ficasse “limpa”, a MacapáPrev passou por um providencial assalto. Com um rombo de R$ 221 milhões, deixado pelo grupo de Alcolumbre, a sede do órgão foi invadida por “ladrões” que não precisaram quebrar nenhuma porta para levar apenas os notebooks do setor financeiro e apagar as imagens das câmeras. Tudo isso enquanto Alcolumbre, em Brasília, enviava ofícios para si mesmo para liberar R$ 379 milhões em emendas, destinando R$ 30 milhões para a construtora de seu suplente, Breno Chaves, flagrado pela Polícia Federal com R$ 350 mil em dinheiro vivo entrando no carro de familiares de Alcolumbre. Nesse balcão imundo, Alcolumbre tem a convicção de que ele é um trabalhador, que garante, com seu próprio esforço, que o Amapá exista. Ele não titubeia em considerar que “tudo” o que “ele faz” por Macapá merece reconhecimento e gratidão. Não é a primeira vez que um áudio revela de que matéria Alcolumbre é feito. Em 2021, a revista Veja expôs outra gravação em que o então deputado federal prestava um comovente socorro a um amicíssimo desembargador, que se tornou presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá. O magistrado precisava exonerar uma funcionária após o surgimento de “rumores” de sua proximidade com a moça. Para não deixar a protegida desamparada e disposta a falar demais, o juiz recorreu ao amigo Davi. E Davi assumiu a fatura do constrangimento, com o nosso dinheiro, claro. Na gravação, Alcolumbre combinava tranquilamente o pagamento de uma mesada de R$ 5 mil à ex-funcionária, com direito a férias e 13º, além de discutir a melhor forma de ajudá-la a comprar um carro novo. Tudo sem ela ter que cumprir nem um minuto de expediente. A imprensa passa os dias alardeando que a iminente delação de Vorcaro “vai derrubar a República”. O problema é enxergar alguma República para ser derrubada sob os sapatos sob medida de um Alcolumbre ou de um Flávio Dino ou até do tal DaLua. “Tô todo arrepiado” diz o DaLua ao ouvir os planos de Alcolumbre para aparelhar o Judiciário e o Legislativo contra seus rivais. Quem não ficaria arrepiado ao ver o inferno, não é mesmo? Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
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quinta-feira, 26 de março de 2026
#RepúblicaDeAlcolumbres
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