Neste romance, a linguagem raramente é um veículo transparente para a intenção.
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏
|
|
|
|
Na primeira parte deste ensaio afirmei que a relação entre interpretação (de música) e tradução (de literatura) é a aorta de O polonês. A importância da música na obra já fica clara desde o início. O formato é bastante singular. Ele é dividido em seis capítulos curtos e os parágrafos são numerados e organizados em agrupamentos distintos, o que remete a movimentos musicais. É estruturando a obra de modo a mimetizar os movimentos de uma sinfonia ou concerto. O efeito desta estrutura é o espelhamento do estilo típico de Coetzee, minimalista, com o consequente distanciamento do leitor. Explicitamente, ele evita manipulação emocional tradicional e a identificação com os personagens. Editores brasileiros que conheceram Coetzee pessoalmente quando ele esteve na Flip, há alguns anos, o descreveram como alguém “frio”, de emoções indecifráveis, mesmo para alguém de formação cultural predominante norte europeia. Seu estilo pode ser descrito assim também. O próprio affair entre Witold e Beatriz, seco e sem brilho, reflete a persona que o autor projeta. Lacunas intencionais em sua comunicação pessoal explicam porque essa obra explora justamente a lacuna entre a linguagem, intenção e tradução.
Assine o NEIM e compartilhe o nosso conteúdo. Ajude a ampliar cada vez mais o nosso trabalho...
Continue lendo este post gratuitamente no app Substack
|
|
