Após quarenta dias de fogo, iniciados pelos bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o Oriente Médio ensaia mais uma tentativa de cesar-fogo. Desta vez Trump mandou seu vice, J. D. Vance, para uma Enquanto isso, o Líbano permanece como nó apertado na narrativa — incluído ou excluído da trégua a ser negociada. Enquanto irá ser discutidos os termos e as cláusulas, o céu de Beirute continuará iluminado pelas explosões. O regime iraniano, ou o que sobrou dele, tenta ganhar algum tempo com as confusões no Estreito de Ormuz. Hoje a guerra também se manifesta com violência no mercado de petróleo. Diferente do que muitos especialistas falam na mídia, retirar petróleo de um território com guerra é pouco lucrativo. As bombas prejudicam a dinâmica de extração e os custos com seguro da embarcação, da mercadoria e da tripulação já devem ter chegado na etratosfera. Assim, J. D. Vance chegou no Paquistão para tentar com as palavra o que as armas ainda não conseguiram. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
|
DICAS DO ZE
Total de visualizações de página
sábado, 11 de abril de 2026
#TryAgain
#Livros: Paris é uma festa, de Hemingway
#Livros: Paris é uma festa, de HemingwayAs memórias literárias de uma Cidade Luz que já se apagou
Há livros que se leem como quem atravessa uma cidade, não pela avenida principal, mas por desvios e vielas. Assim é Paris é uma festa, de Ernest Hemingway. A Cidade Luz (alguém ainda a chama assim?) não é cenário, mas matéria viva, feita de frio, mãos geladas, vinho barato e uma juventude meio destrambelhada que não fazia ideia de que seria a última com algum brilho literário. Mas Paris é uma festa não é apenas um elogio de uma juventude meio desrrambelhada ou da cidade que um dia já foi a luz do mundo. Há uma melancolia discreta, bem ao estilo Hemingway, que vai crescendo à medida que se percebe que tudo já passou. As pessoas que surgem — amigos, amores, rivais — aparecem filtradas por uma memória que não é inocente. Recordar, aqui, é também escolher, ajustar, às vezes até corrigir. O livro se move nesse território ambíguo: entre a fidelidade ao que fora vivido, e a necessidade de dar alguma forma ao que fora vivido. A ideia de Hemingway era fazer um relato memorialístico, revisitando seus anos de juventude em Paris, na década de 1920, quando ainda era um escritor em formação. Vivia com sua primeira esposa, Hadley, nunca condição financeira insalubre, maa transformou a própria precariedade em disciplina criativa. No livro, ele encontra e retrata figuras centrais da cena artística da época, como F. Scott Fitzgerald e Gertrude Stein. Fitzgerald surge vulnerável e fascinante; Stein, como uma mentora exigente. Mais do que simples retratos, essas presenças ajudam a delinear o ambiente intelectual efervescente em que Hemingway se formou — um mundo de talento, competição e muitos egos intensos. Apesar do tom muitas vezes nostálgico, a narrativa carrega uma melancolia sutil: trata-se de uma reconstrução tardia de um tempo já perdido. Hemingway revisita amores, amizades e ambições com a consciência de que tudo foi atravessado pelo tempo e pela mudança. Assim, o livro não conta apenas a história de um jovem escritor em Paris, mas também a de um homem mais velho tentando compreender — e dar forma — às lembranças que permaneceram. No fim, obviamente, o que permanece não é a exatidão dos fatos, mas a impressão literária deixada. Paris é uma festa é menos um livro sobre Paris do que sobre aquilo que carregamos conosco depois que partimos dela. Uma festa, sim — mas daquelas que continuam, discretamente, dentro da memória, muito depois de as luzes da Cidade Luz terem sido apagadas. Se você gostou deste texto, ASSINE e contribua com o nosso site. A gente precisa da sua ajuda a manter e ampliar o nosso trabalho. _______________
Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
© 2026 Não é Imprensa |



