Como ser um gênio da comédia? No resto do mundo, o caminho é antigo: fazer rir, lotar teatro, escrever algo que preste, criar personagens memoráveis, escrever filmes e cenas com que as pessoas se identifiquem e repitam, sustentar a carreira sem depender de aplauso ideológico. No Brasil, isso é quase falta de educação. Aqui, se você faz tudo isso, mas não beija os pés da panelinha certa, no melhor dos casos vira invisível. No pior, um inimigo a ser exterminado. Agora, se você entrega pouco, repete o catecismo correto e sabe agradar jornalista de brunch, parabéns: acabou de nascer um gênio. Marcelo Adnet é patrimônio vivo desse fenômeno. O cara não emplacou uma. Todo filme que fez foi um fracasso de bilheteria, todo programa que fez saiu do ar por falta de audiência (mesmo estando na maior emissora do Brasil), tomou pau em todo projeto que tentou alavancar. Mas ainda é chamado de gênio na panela. Sabe por quê? Por isso: É assim que se é chamado de gênio no Brasil. Você sobe num evento corporativo, ressuscita o debate mofado sobre “limites do humor” e sai aplaudido por uma plateia que quer apenas saber se o petzinho no palco é subserviente o suficiente para continuar recebendo biscoitinhos, apesar dos seus fracassos, ou se deve ser combatido por não rezar pela cartilha. Esses caras estão ali para agradar o jornalista que há de chamá-lo de gênio na próxima manchete, mesmo sem entregar nada de relevante. Querem ser admirados, mas não são admiráveis. Se Adnet está desatualizado e ainda preso ao debate chato de 2010 sobre os limites do humor, Porchat já está mais sintonizado com a atual tendência da panelinha. O gordão lipado que prometeu fiscalizar o poder após a vitória do Lula esteve adormecido até a semana passada, quando claramente foi acionado pela turminha para gravar um vídeo seletivo a respeito da corrupção e canalhice política brasileira. Obviamente isso não é um cara dando a sua opinião. Isso é um vídeo que teve impulsionado pago e faz parte de uma arquitetura de campanha. Quando é para bater nesses canalhas de direita, o homem de geleia vira concreto armado. Quando é para falar do filho do Lula ou dos esquerdistas envolvidos com o crime, a putona gorda fecha a boca e abre as pregas. Não são exatamente humoristas. São assessores de imprensa com CNPJ artístico. Gostei do vídeo do Marcelo Duque: No Brasil, para ser chamado de gênio da comédia, você não precisa fazer rir. Precisa apenas saber para quem sorrir. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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DICAS DO ZE
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segunda-feira, 28 de setembro de 2026
#ComediantesJeniais
#Literatura: Sob o Sol de Satã, de George Bernanos(3)
#Literatura: Sob o Sol de Satã, de George Bernanos(3)Um livro sobre a luta entre o bem e o mal, apresentada de forma claramente sobrenatural, visível e violenta
Parte 3Em seu romance de estreia de 1926, Sob o sol de Satã, Georges Bernanos apresentou um arquétipo de personagem radical que definiria sua trajetória literária: o padre de aldeia santo e sofredor, envolvido em uma luta apocalíptica contra o mal cósmico. Dez anos mais tarde, em sua obra-prima de 1936, Diário de um Pároco de Aldeia, Bernanos revisitou e aprofundou esse arquétipo. Embora ambos os protagonistas — o Padre Donissan (Lumbres) e o Pároco de Ambricourt, que não tem o nome revelado — sejam fortemente inspirados em São João Maria Vianney (o Cura d’Ars), Bernanos desloca a representação da santidade de uma guerra sobrenatural explosiva e melodramática para um drama silencioso e interiorizado de viver com uma sensação tranquila e contínua de paciência, perdão e dignidade espontânea na vida cotidiana. Em Sob o sol de Satã, a luta entre o bem e o mal é apresentada de forma claramente sobrenatural, visível e violenta. Padre Donissan encontra pessoalmente uma figura que representa Lúcifer, disfarçada de negociante de cavalos, em uma estrada escura. Ele também enfrenta aparições demoníacas. Sua santidade é mostrada de maneira assustadora: ele se castiga fisicamente com severidade e realiza milagres explícitos e dramáticos, como tentar trazer uma criança de volta à vida. Quando Bernanos criou o personagem do Cura de Ambricourt, ele abandonou esse estilo mais sombrio e espetacular. O diabo já não aparece como uma figura física que o padre encontra em uma estrada. Em vez disso, o mal surge como uma condição presente em toda a sociedade: o tédio profundo, a indiferença e a perda de sentido espiritual — aquilo que Bernanos chama de l’ennui. A luta contra o mal acontece principalmente dentro do próprio padre e é revelada nas páginas fechadas e pessoais de seu diário. Assine o NEIM e compartilhe o nosso conteúdo.
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