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DICAS DO ZE
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quarta-feira, 30 de setembro de 2026
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#Interlúdio: o gramscismo inconsciente
Gramsci entrou para a história como um pensador que pretendia fazer política, ouvindo o conselho de Marx sobre transformar o mundo ao invés de apenas interpretá-lo. Mas se tornou um filósofo escrevendo coisas abstratas na prisão. Ele realmente pretendia transformar a sociedade com suas palavras e pensamentos, mas deixou uma obra um tanto caótica, com dezenas de cadernos repletos de notas, fragmentos e muitas hipóteses. É mesmo um paradoxo. Aqui no Brasil acredita-se que ele era um pensador sistemático, dono de uma fórmula pronta para se tomar o poder através da cultura. Mas esse Gramsci, sistemático e de fórmulas prontas é apenas fruto de um trabalho de organização de seus escritos por Palmiro Togliatti, político e fundador do Partido Comunista Italiano. Assine o NEIM e compartilhe o nosso conteúdo. Gramsci achava que a teoria marxista tinha alguns pontos obscuros. Ele não acreditava na História como locomotiva movida pelas leis da economia. E nem que isso levaria inevitavelmente ao tão sonhado socialismo. Renegava essa linha positivista e mecanicista porque havia aprendido com a tradição italiana de pensamento, expressa em Benedito Croce e Giovanni Gentile, que a história é feita também de vontade, consciência e, sobretudo, de cultura. Na perspectiva de Gramsci, Marx estava correto nos diagnósticos, mas não concordava com a ideia de que apenas a estrutura da economia pode determinar a estrutura da sociedade. Ele acreditava que era preciso compreender o mundo, organizar os trabalhadores e criar um ambiente cultural propício para disputar o poder, que se apresentava no presente e não num futuro hipotético. A Itália lhe fornecia os fatos. O país estava unificado politicamente, mas ainda fragmentado na vida comum. Havia um governo, mas não uma nação. Gramsci imaginou, ainda dentro de uma tradição marxista, que caberia ao proletariado fazer o que a burguesia não havia conseguido: produzir uma unidade nacional-popular. A ele, era evidente, no modelo italiano, que uma classe pode conquistar o governo pela força e ainda assim fracassar politicamente. Não adiantaria ter o poder do Estado sem ter o poder da sociedade, que só seria possível se o povo reconhecesse, não uma autoridade constituída, mas uma determinada visão política que pudesse interpretar o rumo das suas próprias vidas. Esse é, em suma, o seu conceito célebre de hegemonia. O poder não depende exclusivamente da política, da força do exército ou mesmo das leis. Uma classe dirigente só se mantém no poder se conseguir representar seus próprios interesses como se fossem os interesses de todo o povo. Seus valores e a sua linguagem devem se converter em senso comum, e a visão de mundo expressa pelo governo deve adquirir, pelo menos, uma aparência de universalidade. É aí que surge a figura do intelectual. Eles devem ser organizadores da cultura, capazes de dar coerência, vocabulário e legitimidade para as ideias que circulam na sociedade. Para Gramsci, se uma classe dirigente não consegue produzir seus próprios intelectuais, corre o risco de ter de enfrentar revoltas que jamais lhe permitiria chegar a tal da hegemonia. Aqui Gramsci encontra outro pensador italiano ilustre: Nicolau Maquiavel. Com ele compreendeu que, na realidade efetiva das coisas, a ação política não é uma simples consequência automática das estruturas econômicas, mas é forjada nas relações de poder e nas estratégias que permitem organizar a capacidade de se criar uma nova ordem. A adaptação gramsciana do conceito de “Príncipe” de Maquiavel, que era, em suma, o individuo capaz de organizar uma nova ordem em torno de si, trouxe a ideia de que, na modernidade, uma nova ordem só seria possível se essa função autocrática passasse a ser executada pelo partido através de forças coletivas. Então, na sua perspectiva, o objetivo já não é mais conquistar o Estado, mas construir uma hegemonia através da organização da cultura. O problema é que, a nossa época nos ensina que a cultura, quando manipulada pela política, deixa de ser orgânica, popular, para se tornar elitista e, obviamente, ideológica. E que o Estado não-hegemônico, nos termos de Gramsci, mesmo com as relações de sociais e de poder desgastadas, continua monopolizando instrumentos de repressão e violência, impedindo qualquer tipo de organização que pretenda uma nova ordem. De qualquer forma, é um tanto óbvio, nessa época de “guerra cultural” entre esquerda e direita, acabamos forçados a concluir que todo mundo, cada um à sua maneira, aderiu às ideias de Gramsci mesmo sem saber. Os movimentos políticos tentam buscar suas hegemonias, manipulando a narrativa para impor os seus interesses como se fossem os interesses de todo o povo. Mas, na realidade efetiva das coisas, diria Maquiavel, “é tão grande a distância entre como se vive e como se deveria viver que quem deixa aquilo que se faz por aquilo que se deveria fazer coopera mais para a sua própria ruína do que para a sua prosperidade. Porque ao homem que se presume totalmente bom, convém arruinar-se entre tantos que não o são”. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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#CockpitDoTerror
#CockpitDoTerrorPiloto ataca colega em voo para Tel Aviv numa possível tentativa de sequestro
Um avião que seguia de Dubai para Tel Aviv foi desviado para a Arábia Saudita após um dos pilotos atacar o outro, numa grave ocorrência dentro da cabine de comando. Com o incidente, o avião perdeu cerca de 14 mil pés de atitude em poucos segundos, despencando no céu e alertando as autoridades de voo. Os passageiros perceberam a confusão e alguns deles seguiram até a cabine para conter o agressor. No voo tinham dois pilotos que assumiram o controle e conseguiram estabilizar a aeronave, que pousou em segurança em Tabuk, na Arábia Saudita. Durante o ocorrido, o avião chegou a emitir o código usado para indicar “interferência ilícita ou possível sequestro”. As Forças Armadas de Israel mobilizou imediatamente seus caças e fechou seu espaço aéreo temporariamente, até que autoridades militares e de inteligência investigassem o caso e afastasse o perigo de ataque terrorista. Segundo o Jerusalem Post, a inteligência de Israel ainda não descarta a hipótese de potencial atentado. Mas ainda não divulgaram mais detalhes da confusão e nem a identidade do piloto agressor. Alguns relatos na imprensa internacional apontam que ele seria um cidadão de Omã, o que acendeu um alerta sobre as regras de segurança aplicadas aos tripulantes de aeronave com destino a Israel.
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