O personagem é complexo. Percebe-se a violência latente (às vezes nem tanto), a necessidade de controlar o incontrolável, a intolerância pelo outro, mas também enxerga-se a compaixão de que ele é capaz, ao chegar à Namíbia, perante uma criança que lhe oferece sexo. Nos dias em que ali fica à procura da filha, Hofmeester praticamente adota a criança, trata-a com delicadeza, com profundo respeito por seu sofrimento. Personagem de grande originalidade, Kaisa tem tamanho e voz de criança, mas a sabedoria para escutar de um ancião. Em seu silêncio e fome, faz aflorar o que resta de humano neste homem. Pouco a pouco, o leitor intui que esse Hofmeester não representa perigo, que seu lado violento já não vive. Só que não sabe onde e como foi a batalha desse homem consigo mesmo. A procura por esse momento obriga-nos a virar as páginas freneticamente, e ao mesmo tempo a desejar que o suspense não acabe.
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Há filósofos que parecem nascer no interior de uma época. Plotino, ao contrário, surge na fratura entre duas. Seu pensamento se ergue quando o mundo antigo já não confia plenamente em seus deuses, quando Roma começa a revelar rupturas sob a própria grandeza, quando o cristianismo se aproxima não apenas como fé, mas como nova moldura do espírito. É nesse entardecer de civilizações que Plotino reaparece como herdeiro de Platão e de Aristóteles, mas sem a serenidade dos fundadores. Sua filosofia já não se contenta apenas com a explicação analítica, ela tem a urgência de uma epifania.
O que impressiona em sua obra é que a procura do princípio de todas as coisas não se faz pela conquista do mundo exterior, mas pelo retorno ao interior da alma. Em vez de medir os astros ou classificar os seres, Plotino sugere que o infinito se deixa entrever num movimento de recolhimento. O cosmos, em sua arquitetura mais alta, estaria inscrito também em nós. Essa hipótese dá à filosofia uma tonalidade quase confidencial: pensar não é acumular conceitos, mas descer às profundezas silenciosas para, paradoxalmente, elevar-se. Toda a sua metafísica nasce desse gesto de interioridade que tanto influenciou Santo Agostinho.
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Depois da briga com Giorgia Meloni, os jornalistas italianos andam com sangue nos olhos. Então, procuraram Mary L. Trump, psicóloga clínica e sobrinha de Donald. Numa entrevista online, ela não nega o parentesco. Afirma categoricamente que seu tio sempre foi um ser humano terrível, profundamente inseguro e estaria em declínio cognitivo, psicológico e emocional.
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