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O humor deixou de ser uma ruptura temporária da ordem para fins cômicos, para se converter num instrumento de manutenção de uma ordem convencional e tediosa.
O humor deixou de ser uma ruptura temporária da ordem para fins cômicos, para se converter num instrumento de manutenção de uma ordem convencional e tediosa.
Houve um tempo em que o comediante ocupava a posição de um herege tolerado. Sua função não era confortar a plateia, mas desorientá-la. Ele entrava em cena para violar o tom correto das coisas, para introduzir ruído onde o discurso público buscava harmonia.
O riso nascia precisamente desse desequilíbrio. Alguém dizia o que não podia ser dito, atravessava o limite invisível da convenção e, por um instante, expunha tudo ao ridículo. O humor sempre foi uma forma de risco, porque, ainda que seja elaborado tecnicamente, não é uma ciência exata. Por isso mesmo a resposta do público será sempre incalculável.
Aos poucos, porém, a lógica da comunicação de massa descobriu algo muito mais rentável do que a piada: a confirmação. O riso, afinal, é instável. Escapa ao cálculo porque depende do inesperado. Já o aplauso é diferente. Ele nasce do reconhecimento. Acontece quando a audiência escuta aquilo que já acredita e dá a sua validação. Então, a comédia já não serve para desestabilizar certezas, mas para reafirmá-las. E deixa de ser comédia...
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A Odebrecht troca de roupa, mas não consegue trocar de pele. Em 2019, vestiu-se de OEC. Depois, tentou se fantasiar de Novonor. Em 2025, contando com as bênçãos sagradas do STF, retomou seu velho traje de sempre, pelo qual é reconhecida por onde passa. Foi uma “evolução natural” para retornar ao que sempre foi: a empresa cujo dono tem o amigo certo.
Na prática, essas mudanças não querem dizer nada para “A Organização” minuciosamente descrita na obra de Malu Gaspar. A relação promíscua com o poder foi justamente o que fez a Odebrecht crescer como uma delinquente, ter a garantia da impunidade e recuperar seu nome “limpo”, mesmo depois de assumir uma lista de falcatruas muito bem documentada em planilhas que o país inteiro conhece...
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