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segunda-feira, 25 de maio de 2026
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#Literatura: Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel (2)
#Literatura: Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel (2)A imagem de um ambiente em perpétua alegria e otimismo que, para bem e para mal, o Brasil projeta ainda hoje, está presente neste belo romance
Parte 2 Mesmo para o leitor que não conhece o Rio ou nem mesmo viu fotos do Rio antigo, é possível escutar os sons do bonde na Praça Onze, ou dos carroceiros entregando gelo, frutas, os gritos dos moleques jogando futebol no meio dos transeuntes; o leitor sente o cheiro de éter ao ‘entrar’ na farmácia, ou da peixaria antes mesmo de passar por sua calçada. Entre o final do século IXX e o começo do século XX, negros vindos da Bahia e da região cafeeira do Estado do Rio e judeus do Leste Europeu dividiam ruas, escolas e casas no bairro Praça Onze. Eles vendiam mercadorias, produziam boa música e boa comida, tanto uns como outros começando a vida do degrau mais baixo, com heranças não tão distintas como parece. Traduzindo Hannah Assine Não É Imprensa para desbloquear o restante.Torne-se um assinante pagante de Não É Imprensa para ter acesso a esta publicação e outros conteúdos exclusivos para assinantes. Uma assinatura oferece a você:
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#Cinema: o pior filme de todos os tempos
#Cinema: o pior filme de todos os temposDe acordo com os conceituados críticos de cinema, Harry Medved, Randy Dreyfuss e Michael Medved, no livro The Fifty Worst Films of All Time, este é um dos piores filmes de todos os tempos. Será mesmo?
Na semana passada, falei de “Jeanne Dielman”, considerada a melhor obra cinematográfica de todos os tempos pela revista de cinema britânica Sight and Sound. Hoje falaremos de uma das “piores obras cinematográficas de todos os tempos” na visão Harry Medved, Randy Dreyfuss e Michael Medved, no livro The Fifty Worst Films of All Time. E não, essa obra não é a emblemática “A Morte Veio do Espaço” [Plan 9 From The Outer Space], do lendário diretor americano Ed Wood, que já alvo de escrutínio do importante diretor britânico Tim Burton no filme homônimo de 1994, nem tampouco a cultuada The Room, de 2002, dirigida pelo não menos badalado por fãs ardorosos Tommy Wiseau, considerado por Roger Ebert, conceituado crítico de cinema americano, falecido em 2013, “a pior de todos os tempos”. Assine o NEIM e compartilhe o nosso conteúdo. Sim, trata-se de “Ano Passado em Marienbad”, lançado em 1961 e que moldou o movimento artístico de cinema denominado Nouvelle Vague, movimento de forte inspiração na obra do diretor britânico Alfred Hitchcock, sobretudo as advindas de discussões da revista francesa de cinema denominada Cahiers du Cinema. Através de intensos debates, jovens críticos de cinema, entre os quais o crítico de cinema André Bazin e os futuros diretores Jean-Luc Godard, Éric Rohmer, François Truffaut, Jacques Rivette e também Alain Resnais, que dirigiu esta obra em epígrafe, estabeleceram as bases do cinema da segunda metade do século XX. E “Ano Passado Em Marienbad” é a epítome disso, por juntar o supracitado Resnais e o revolucionário escritor Alain Robbe-Grillet, também expoente de outro movimento artístico francês de grande monta, o assim intitulado Nouveau Roman. Tal obra adveio da ideia anterior de Robbe-Grillet, quando ficou entusiasmado com a obra “A Invenção de Morel”, do admirável escritor argentino Ernesto Sábato, contemporâneo do também lendário Jorge Luís Borges, que serviu de base para o roteiro da película. O escritor francês que já tinha publicado “O Ciúme” quatro anos antes, romance que mais parece um roteiro de cinema, decidiu fazer um filme em que imagens fossem sobrepostas aos diálogos. Alain Resnais aceita o desafio e o resultado é uma obra fantasmagórica, onírica, surrealista, misteriosa e ininteligível. Dotado de tomadas panorâmicas, de planos-sequência exuberantes, de figurino icônico, de fotografia admirável e de trilha sonora que remete aos trítonos demoníacos, é um filme em que quase não se há diálogos, apenas narração e sequência de cenas sobrepostas, como se fosse um grande quebra-cabeças montados quando os espectadores estão soporíferos. Há três personagens principais na película: “X”, que também é o narrador, “A” ou “A Mulher Misteriosa” e “M” ou “O Amante”, interpretados, respectivamente, por Giorgio Albertazzi, por Delphine Seyrig, a que interpretou a personagem Jeanne Dielman, do filme homônimo e por Sacha Pitoëff, sem contar em dezenas de figurantes que parecem mais estátuas vivas em uma película de duração de 1 hora e meia. Esses três são protagonistas de um filme completamente iconoclasta e escandalizador, que parece mais uma obra de sensações indescritíveis do que uma película de diálogos e de ação, um marco para a época de lançamento. Ambientado num castelo, a película arrasta-se entre linguagem de sonho, dramédia teatral, ação sincopada e improvisação dos atores. Por causa da falta de enredo e de sobreposição de imagens com cortes rápidos em uma obra em que, praticamente, nada acontece, apesar da premissa de existir um triângulo amoroso por parte de um narrador enciumado, uma mulher que não se lembra de ter-se encontrado outrora com o protagonista e o amante da mulher, isso ocasionou estranhamento da crítica à época, justamente por achá-la pretensiosa demais e feita para uma elite fílmica que se autocomisera por meio de linguagem estranhamente intelectual. E o título desta faz menção ao estranho sentimento vivido pelo narrador-protagonista, de ter vivido uma paixão não-correspondida em um ambiente que mais parece um castelo, um hotel chateau, um cassino ou uma ópera-bufa. E essa falta de proatividade da película desagradou os irmãos Medved e Randy Dreyfuss, que declararam que a obra representa “um chato compêndio auspicioso para intelectuais”. Pauline Kael, notória crítica de cinema americano, à época do lançamento, disse, em um furibundo, que “Ano Passado em Marienbad” era um “filme experimental high-fashion, um trabalho de neve no palácio de gelo… de volta à festa não-divertida para não-pessoas”. Porém, esta foi saudada e elogiada por inúmeros diretores ao longo dos tempos, que incluem Glauber Rocha, David Lynch, Akira Kurosawa, Agnès Varda, Jacques Rivette e inúmeros outros. Muitos desses artistas citados colocam-no como um dos seus filmes preferidos e saúdam como um dos maiores de todos os tempos. E também reforço a posição dos supracitados em declarar que este é um dos mais instigantes filmes de todos os tempos, principalmente quando comparamos com romances de temáticas similares, tais quais “Senhorita Else” e “O Tenente Gustl”, do escritor austríaco Arthur Schnitzler, os já citados “A Invenção de Morel”, do autor argentino Ernesto Sábato, e o “Ciúme”, de Alain Robbe-Grillet e “Finnegans Wake”, do lendário escritor irlandês James Joyce. A quem se interessar pelo “pior filme de todos os tempos", segundo seus detratores, “Ano Passado em Marienbad” está disponível na plataforma de streaming NetMovies. Controvérsias à parte, recomendo!
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