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segunda-feira, 12 de outubro de 2026
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#Literatura: O Polonês, de J. M. Coetzee
#Literatura: O Polonês, de J. M. CoetzeeCoetzee explora aquilo que a música consegue expressar quando as palavras já não são suficientes
Parte 1Você gosta de Chopin? Seja a resposta sim ou não, acomode-se em um local confortável de sua casa. Procure o canto mais silencioso, porque você vai escutar literatura. Não um texto em áudio - isso não é literatura. O que espero poder levar a você é a fronteira nem sempre bem definida entre música e literatura, porque a música pode contar uma história em notas e a literatura pode tocar música em palavras. Para falar sobre O polonês, romance de J. M. Coetzee publicado em 2022, preciso que você ouça Chopin. A narrativa acompanha Witold Walczykiewicz — um pianista polonês de cabelos brancos e já idoso, intérprete de Chopin (referido simplesmente como "o polonês") — que se encanta por Beatriz, uma catalã culta e casada, na casa dos quarenta anos, que ajuda a organizar sua série de concertos em Barcelona. Beatriz encara a corte persistente e a poesia dele com uma mistura de distanciamento frio, tolerância cortês e ocasional piedade, enquanto Witold permanece obstinadamente devotado até a morte. Ele é o personagem mais comentado, mas ela é que se revela a protagonista. É ela que irá descobrir algo novo sobre si mesma através da música, ou melhor, da interpretação da música e da poesia do polonês. Não posso contar ainda qual é a descoberta, porque não seria justo com Beatriz. Vamos fazer um percurso parecido com o dela pelas próximas 4 semanas, enquanto você tem tempo de ler o livro. O romance começa com Beatriz, que vive em Barcelona. Ela leva uma vida confortável, porém emocionalmente vazia, presa a um marido ausente em um casamento de conveniência. Assume a organização de um recital de Witold Walczykiewicz, um pianista polonês de setenta anos, famoso por suas interpretações pouco ortodoxas de Frédéric Chopin. De fato, ao ouvi-lo, ela acha sua interpretação rígida e árida. Em um jantar oferecido em homenagem a Witold, ela atua como uma anfitriã educada, fria. A química entre os dois não funciona. Witold fala um inglês muito simplório, o que não permite que Beatriz sinta qualquer interesse por ele. Ao final, despedem-se, ela convicta de que nunca mais o verá. Alguns meses mais tarde, Witold entra em contato com Beatriz inesperadamente. Ele está apaixonado por ela, e em seu inglês limitado tem escrito cartas confessando-lhe sua afeição. Em um gesto surpreendente, ele retorna à Espanha de surpresa e a convida para acompanhá-lo em uma viagem aos Pireneus. Lisonjeada, mas duvidando de que algo de concreto sairá daí, Beatriz o trata com uma mistura de pena e distanciamento. Para ela, ele é nada mais do que um velho excêntrico e frágil, passando-se por um amante romântico, antiquado. Mas em sua angústia por escapar da vida entediante que leva, Beatriz concorda em visitá-lo em Maiorca, em uma casa que ele aluga especialmente com esse encontro em mente. Não por acaso o local remete ao refúgio histórico de Chopin e George Sand. Assine o NEIM e compartilhe o nosso conteúdo.
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