Deveria ser constrangedor ver essa montanha de jornalistas e comentaristas que, anteontem, erguiam alteres a Alexandre de Morais e seus próceres de STF. O preço para se livrar de Bolsonaro e, dizia-se, salvar a democracia, era aceitar toda sorte de autoritarismos e ilegalidades. Como se nossos políticos não fossem mentecaptos na sua grande maioria, e o Brasil fosse um país justo e plenamente democrático. Depois de 7 anos de inquéritos ilegais, a mesma montanha de jornalistas e comentaristas começam a surgir com suas indignações seletivas. A natureza do STF nunca foi diferente da natureza política que rege o país. As chicanas para anular julgamentos inteiros para devolver os bandidos à vida pública não revogou a História, mas isso não tem lá muita importância, afinal, o responsável pelo Mensalão e pelo Petrolão ocupa a presidência e ainda lidera as pesquisas para as eleições deste ano. Agora, segundo a montanha jornalistas e comentaristas, o preço para se livrar do filho ladrão do mentecapto é fingir que Lula não corrompeu um dos poderes da República, nem elegeu a si mesmo e a sua sucessora com caixa 2 do dinheiro roubado da Petrobrás. É verdade que na solidariedade política valem todos os malabarismos retóricos para defender o indefensável. Mas à noite, com a cabeça no travesseiro, ninguém escapa do próprio julgamento moral. Todo mundo compreende muito bem a realidade política desse país. O Brasil, já dizia Rui Barbosa, tem a mania de querer “curar sua crise econômica e administrativa, enquanto descuida-se da verdadeira crise: a do caráter, da consciência e do pudor”. A corrupção não está só na política. Está também nessa montanha de jornalistas e comentaristas que vive mentindo para um público que também é capaz de compreender muito bem a realidade, mas prefere viver mentindo para si mesmo. Porque, no final, é tudo uma questão de conveniência. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
DICAS DO ZE
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
#Conveniências
Enquanto você adia, alguém está passando na sua frente...
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#LéoLinsNãoVaiPraCadeia
#LéoLinsNãoVaiPraCadeiaNo Brasil, absolver um humorista por fazer piadas deve ser celebrado como se fosse um milagre jurídico
Léo Lins não vai mais para a cadeia. Absolver um humorista por fazer piadas parece o tipo de obviedade que, no Brasil, precisa ser celebrada como se fosse um milagre jurídico. Mas na nossa atual circunstância, é sim um milagre jurídico. Há algum tempo temos que conviver com a ideia bizarra de que a piada deveria ser contida com algemas, como se uma risada fosse mais perigosa que um assalto a mão armada. É o triunfo do zelo moral travestido de virtude jurídica: prender o comediante para salvar a plateia dos seus próprios preconceitos. O caso de Leo Lins expôs, com uma crueza quase indecente, o impulso nacional de confundir desconforto ideológico com crime. Mas o Brasil sempre tem um atalho dramático para justificar alguma intervenção estatal. A decisão que absolve um humorista não é uma vitória do humor, mas uma lembrança tardia de que o Estado não foi criado para ser proprietário da vida pública. E que a liberdade de expressão não é uma concessão regida por uma licença condicionada, mas a própria fundamentação do estado democrático. Se alguém acha que uma piada deveria dar cadeia, o problema não está na piada e muito menos no comediante. Mas na ideia de levar a vida como se estivéssemos num tribunal — porque ninguém ri num tribunal, exceto o réu quando absolvido. O NEIM precisa da sua assinatura para continuar revelando o que as notícias escondem. ASSINE AGORA! Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. © 2026 Não é Imprensa |







