O Neim está republicando as crônicas que Mainardi escreveu para a revista Veja – e que a revista, curiosamente, excluiu do seu site. Somos ruins de bola(publicado em 14 julho de 2000 - Veja, ed. 1653)A gente só fala sobre futebol. É nosso único assunto. Morando no exterior, eu sinto falta de interlocutores futebolísticos. Não conheço ninguém que se interesse por futebol na Itália. Importuno meus amigos italianos com comentários sobre Ronaldinho Gaúcho e Marcelinho Carioca, mas noto uma certa desaprovação em seus olhares. Quando venho ao Brasil, desafogo-me. Falo sobre futebol o tempo todo: no táxi, na padaria, na banca de jornais, à mesa do restaurante Fasano. Estou no Brasil para acompanhar as filmagens de um longa-metragem. Futebol é o principal tema de conversa no set. Quando os atores precisam testar o microfone, em vez de dizer o canônico “testando um, dois, três”, preferem fazer uma observação infamante sobre o time do técnico de som. Assine Não É Imprensa para desbloquear o restante.Torne-se um assinante pagante de Não É Imprensa para ter acesso a esta publicação e outros conteúdos exclusivos para assinantes. Uma assinatura oferece a você:
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sábado, 21 de fevereiro de 2026
#NaGôndolaDoMainardi: Somos ruins de bola
#PaísDoFuturo
#PaísDoFuturoAo invés de desenvolvimento econômico, nossos políticos preferem se refestelar nas emendas parlamentares e garantir as reeleições nos seus feudos eleitorais
O Brasil é o país do futuro. Pelo menos é o que dizia o escritor austríaco Stefan Zweig, antes de cometer suicídio em Petrópolis, em 1942. Daí em diante a mesma frase é sempre repetida a cada desgraça ocorrida em nosso país, afinal, se o presente é uma coisa medonha, só nos restar viver imaginando que um dia tudo será melhor. Há 20 anos, o Banco Mundial dizia haver uma janela de oportunidade para o Brasil se tornar uma grande potência emergente. O nosso futuro de prosperidade está sempre atrelado ao longo prazo. A cada 10 ou 15 anos surgem especialistas discutindo “ações prudentes que podem gerar oportunidades para uma sociedade mais próspera, inclusiva e sustentável”, como dizia o relatório do Banco Mundial. O problema é que quando um especialista começa a falar assim, na condicional e usando termos abstratos, é mais ou menos como um médico tentando explicar para a família do doente que é preciso ter esperança, afinal, há uma perspectiva de longo prazo sobre o desenvolvimento de alguma medida terapêutica próspera, inclusiva e sustentável. Mas a gente sabe que a cura nunca chega a tempo. A longo prazo estaremos todos mortos, já dizia lord Keynes. O NEIM precisa da sua assinatura para continuar revelando o que as notícias escondem. ASSINE AGORA! Mas essas mudanças de visão de mundo acabam sempre privilegiando os políticos, que vivem esperando uma oportunidade para justificar um novo gasto público. É por isso que eles adoram ressuscitar essas promessas de desenvolvimento do país. É também por isso que todos os governos apresentam seus planos mirabolantes para a “retomada do crescimento econômico” – ainda mais em ano de eleição. A estratégia é sempre a mesma: com muitos cálculos de variáveis complexas, os especialistas iludem a imprensa. Depois, a imprensa tem a tarefa de nos iludir. E sempre acabamos engolindo uma infinidade de ideias abstratas que não significam nada, mas servem apenas para legitimar confiscos de poupanças, aumento de impostos e distribuições generosas de verbas e subsídios fiscais para os empresários que apoiam o governo. Essa é a nossa única janela de oportunidade. É com esse tipo de trapaça que estamos tentando construir uma sociedade “mais próspera, mais inclusiva e mais sustentável”. E os políticos seguem citando os relatórios dos especialistas de organizações como o Banco Mundial. Lá encontram justificativa para todas as suas incompetências. Eles jamais se preocupam em resolver os problemas da população, embora estejam sempre bem dispostos e preparados para resolver os próprios problemas. Ao invés de se comprometerem em promover o tal desenvolvimento econômico, preferem ficar se refestelando nas emendas parlamentares e garantir as infinitas reeleições nos seus feudos eleitorais. E, assim, vamos regredindo, de retrocesso em retrocesso, partindo dos discursos tecnocráticos, com seus cálculos de variáveis complexas e ideias abstratas, para chegar apenas à política rudimentar, das picaretagens, das fraudes bancárias, dos roubos de aposentados, das rachadinhas e, claro, dos contratos milionários com parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal. O Brasil é, definitivamente, o país do futuro. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. © 2026 Não é Imprensa |
#NãoÉLiturgia
Eu acrescentaria: olha que autoridades! Vocês viram o vídeo do ministro do STF em cima do trio elétrico pulando como um canguru e fazendo o “L”? Dizem que não é recente. Como se isso amenizasse a situação. Não bastava o ex-ministro Luís Roberto Perdeu Mané Barroso cantando em festas e churrascos, agora temos essa cena deprimente. Sempre me lembro do Sarney ao comentar sobre a liturgia do cargo para definir a necessidade de postura, responsabilidade e respeito aos ritos republicanos, separando a figura pessoal do ocupante da função de chefe de Estado. Ora, direis, ouvir estrelas do PT. O NEIM precisa da sua assinatura para continuar revelando o que as notícias escondem. ASSINE AGORA! Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. © 2026 Não é Imprensa |




