Obrigado pela sua leitura! Guerra contra o Irã; os Epstein Files; a revelação de que a vida alienígena sempre existiu; conspirações; complôs; golpes de estado - tudo isso é ruído perto da única regra da história humana. E qual é esta regra? A de que todos serão esquecidos. Não à toa que ninguém se lembra de mais nada. Três semanas depois do tiro que passou de raspão na orelha do “Laranja Mais Perigoso Do Planeta”, ninguém mais se lembrava do nome do dito-cujo. Quem era mesmo? Ah, sim: Thomas Matthew Crooks. Eis o rapaz abaixo: Segundo Kat Rosenfeld em artigo para The Free Press, esta amnésia faz parte do nosso zeitgeist cultural. Ninguém quer se lembrar de mais nada. Ninguém mais se lembra de John Hickley Jr (que tentou matar Ronald Reagan por causa de Jodie Foster). E quem se recorda de Lee Harvey Oswald, é apenas para afirmar que não foi ele quem matou JFK (um triunfo do cinema alucinado de Oliver Stone). Alguém aposta que o futuro se lembrará de Thomas Matthew Crooks (que, a propósito, parece que se inspirou em Oswald na hora de pesquisar sobre assassinatos contra presidentes americanos)? Eu tenho certeza que não. O que é ótimo. Nada dura para sempre, não custa repetir (para citarmos o título do belo filme de Robert Redford). No fim, o vencedor desta história toda ainda é Lee Harvey Oswald, que, entre tantos produtos culturais surgidos em torno da sua figura opaca, ganhou um romance de Don DeLillo sobre sua vida - a obra-prima Libra (1988). DeLillo é o artista mais apto para entender essa amnésia coletiva a nos envolver, este esvaziamento da paranoia que simplesmente nos possuiu, e que nos faz sentir um amortecimento emocional no qual cada evento surpresa se transforma em um “não-acontecimento”. Assim como o que aconteceu com Thomas Matthew Crooks e Lee Harvey Oswald, DeLillo sabe que vidas como a desses assassinos são exemplos do que é viver sob o terror da incerteza, em que decidimos criar falsas personas. Isso não significa que esses infelizes ficarão impassíveis perante a morte que toma conta dos seus pensamentos. Pelo contrário: eles nadarão contra a corrente – mesmo que outras pessoas sofram as consequências, seja o anônimo da esquina ou até mesmo o presidente dos Estados Unidos da América. É o que pensava Lee Harvey Oswald na visão de DeLillo, em seu épico histórico que parte de um evento conhecido por todos, para aprofundar-se na psique de sujeitos que acreditam que conhecem e controlam o sentido da História. Neste ponto, DeLillo se mostra como um escritor antiparanoico por excelência: em primeiro lugar, não há mais ironia em quem se envolve numa trama como a de uma conspiração para assassinato; há somente uma tragédia, já que, como o próprio narrador de Libra argumenta, “todas as tramas se encaminham para a morte”; aqui, DeLillo está mais interessado nas lacunas da História, nos espaços em branco que dão a impressão de que são mais do que meras coincidências ou os sinais de um destino a ser cumprido. A História é um teatro de rivais em que um sujeito quer provar que a sua loucura é mais racional do que a do outro – e esta dupla alucinação só será resolvida com um bode expiatório (o próprio Lee Harvey) que, após ser eliminado pelo mafioso Jack Ruby, enfim criará, por sua vez, um outro “não-acontecimento”. Ora, foi o que aconteceu não só com a tentativa de assassinato contra Donald Trump, mas também com o surgimento de Bolsonaro, com a reeleição de Lula e inúmeros eventos aparentemente marcantes que, mais cedo ou tarde, serão apenas eliminados da nossa memória. Em breve, não existirão mais em nossos registros. O que, em última análise, é algo reconfortante, não acham? Voltaremos à nossa programação normal a partir de Março. Seguiremos a seguinte ordem, por mês:
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quarta-feira, 4 de março de 2026
TODOS SERÃO ESQUECIDOS
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