A guerra na Ucrânia continua como uma série infinita do Netflix. Toda semana tem um episódio novo de ataques aéreos intensos e combates no front oriental. Ontem, forças russas lançaram dezenas de drones contra o território ucraniano durante a noite. As defesas aéreas da Ucrânia afirmam ter interceptado a maioria deles, mas alguns ainda conseguiram atingir alvos, causando danos materiais e preocupação entre a população. Assine Não É Imprensa para desbloquear o restante.Torne-se um assinante pagante de Não É Imprensa para ter acesso a esta publicação e outros conteúdos exclusivos para assinantes. Uma assinatura oferece a você:
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segunda-feira, 16 de março de 2026
#VelhosFilmesDePutin
#OsSemCinema
A coisa mais insuportável no cinema – além dos críticos de twitter, que não conseguem assistir a um filme sem projetar significações filosóficas para parecerem intelectuais – é a torcida patriótica no Oscar. A imprensa estava toda eufórica com a presença do Agente Secreto. Decepcionada, abandonou cobertura sem informar direito quem ganhou. Toda a ênfase foi para: “o Brasil saiu derrotado”. O Oscar só serve como propaganda para os estúdios e distribuidoras. A verdade é que nem sempre o melhor filme é o mais interessante para ser premiado. Mas às vezes, por alguma justiça cósmica, o pior volta pra casa de mãos abanando. A nossa imprensa ufanista não quer admitir que o filme do imodesto Kleber Mendonça é uma coisa insuportável. Quem aguentou mais de 30 minutos deveria ganhar um prêmio, uma bolsa família, um vale gás ou uma isenção do imposto de renda. É impossível fazer um bom filme com um roteiro cheio de clichê de crítico de cinema. Não se conta uma boa história espalhando símbolos pseudo-filosóficos ou empilhando frases de efeito que precisam de explicações prévias. Se um filme precisa de uma tese para justificar a narrativa, obviamente o público vai sair do cinema sem entender porra nenhuma. Mas pior que filme de crítico de cinema é essa moda de experimentações com “gêneros híbridos”, que consiste em começar num belo drama, entrar num pastelão vampiresco e terminar num sentimentalismo pueril, como em Pecadores; ou criar uma trama densa e violenta e terminar numa balela extraterrestre com figurinos do Power Rangers, como Bugonia. Claro que poderia ser pior: ficar duas horas e meia numa estética caricata do nordeste, jogar uma “perna cabeluda” de trash movie no meio e, sem ter criatividade para resolver a narrativa, pedir ajuda aos universitários. Apesar do perigo de cair na desgraça, acho a combinação de gêneros distintos algo interessantíssimo e bastante desafiador para o escritor, principalmente numa época em que se vendem fórmulas prontas para a garantia do sucesso. Mas até agora, no cinema, ainda não surgiu uma grande obra que soubesse resolver bem esse enxerto de um gênero dentro de outro sem comprometer a estética e a própria narrativa. Ainda assim, prefiro a ousadia de um diretor que se arrisca a quebrar a cara, depois de construir uma narrativa com excelentes textos de diálogos e uma fotografia monumental, como em Pecadores, do que um Valor Sentimental todo certinho, insosso, exangue. Enfim, norueguês. O NEIM precisa da sua assinatura para continuar revelando o que as notícias escondem. ASSINE AGORA! Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. © 2026 Não é Imprensa |
#AmorPelaDitadura
#AmorPelaDitaduraCaminho seguro do cinema pro Oscar: voltar sempre ao mesmo capítulo da história
Entretenimento precisa ser engajado sempre? No ano passado, Ainda Estou Aqui ganhou o Oscar e virou símbolo de uma geração de filmes que revisita os anos de chumbo. Neste ano, tivemos O Agente Secreto também ambientado no mesmo período histórico. Representou o Brasil na cerimônia em quatro categorias, mas não levou nenhuma estatueta. E, curiosamente, vem aí Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro que ainda nem estreou, mas que eu não duvido que também toque nesse período ou em suas consequências políticas. Décadas se passaram, mas a ditadura continua ditando pautas no cinema, na internet e na política. De um lado, parte da esquerda insiste em relembrar os anos de chumbo. E é justo lembrar. Aquela foi uma fase sombria do país, marcada por censura, perseguições, prisões e tortura. Não é um capítulo que deve ser apagado da história. Do outro lado, uma parcela da direita também parece viver obcecada pela mesma palavra, só que aplicada ao presente. Pergunte aos representantes mais radicais da direita se acreditam que estamos vivendo hoje sob esse regime. Não, nem precisa perguntar. Você já sabe a resposta. De um lado, a esquerda reconta a história da ditadura. Do outro, a direita afirma que estamos vivendo uma nova. O problema é que as duas narrativas partem de exagerosSe estivéssemos realmente sob uma ditadura hoje, dificilmente estaríamos discutindo livremente escândalos políticos, decisões judiciais ou denúncias envolvendo autoridades. A imprensa não publicaria investigações sobre grandes escândalos, sobre empresários, sobre ministros do Supremo ou sobre familiares de presidentes. Ditaduras de verdade não convivem bem com esse tipo de barulho. Ao mesmo tempo, também não faz sentido transformar a ditadura militar no único eixo narrativo para explicar o Brasil atual. O país não começou em 1964 e nem terminou em 1985. Temos problemas gigantescos acontecendo agora. Basta acompanhar os noticiários. Tá bom, quer contar a história do país? Histórias malucas não faltam. Não dá pra esquecer o médico nazista Josef Mengele, o “Anjo da Morte” de Auschwitz, que passou anos escondido no Brasil e morreu afogado numa praia de Bertioga em 1979. Só essa história já daria um roteiro de cinema. Um dos homens mais procurados do planeta vivendo escondido no litoral paulista. Imagina a cena: um nazista tomando uma caipirosca na Boracéia? Mas o debate público parece preferir viver nos anos 60, como se o país estivesse preso num remake eterno daquela época. No cinema e na vida real. Talvez porque o passado seja mais fácil. Ele já tem roteiro pronto, vilões definidos e até trilha sonora conhecida. O presente é muito mais confuso. E o futuro exige mais responsabilidade. A história da ditadura precisa ser lembrada para que não se repita. Mas também precisa deixar de ser usada como lente para explicar absolutamente tudo. Porque um país que passa o tempo inteiro discutindo o passado corre o risco de não perceber o que está acontecendo no presente. E, principalmente, de não construir o futuro. O Brasil é muito maior do que a ditadura! Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. © 2026 Não é Imprensa |



