A coisa mais insuportável no cinema – além dos críticos de twitter, que não conseguem assistir a um filme sem projetar significações filosóficas para parecerem intelectuais – é a torcida patriótica no Oscar. A imprensa estava toda eufórica com a presença do Agente Secreto. Decepcionada, abandonou cobertura sem informar direito quem ganhou. Toda a ênfase foi para: “o Brasil saiu derrotado”. O Oscar só serve como propaganda para os estúdios e distribuidoras. A verdade é que nem sempre o melhor filme é o mais interessante para ser premiado. Mas às vezes, por alguma justiça cósmica, o pior volta pra casa de mãos abanando. A nossa imprensa ufanista não quer admitir que o filme do imodesto Kleber Mendonça é uma coisa insuportável. Quem aguentou mais de 30 minutos deveria ganhar um prêmio, uma bolsa família, um vale gás ou uma isenção do imposto de renda. É impossível fazer um bom filme com um roteiro cheio de clichê de crítico de cinema. Não se conta uma boa história espalhando símbolos pseudo-filosóficos ou empilhando frases de efeito que precisam de explicações prévias. Se um filme precisa de uma tese para justificar a narrativa, obviamente o público vai sair do cinema sem entender porra nenhuma. Mas pior que filme de crítico de cinema é essa moda de experimentações com “gêneros híbridos”, que consiste em começar num belo drama, entrar num pastelão vampiresco e terminar num sentimentalismo pueril, como em Pecadores; ou criar uma trama densa e violenta e terminar numa balela extraterrestre com figurinos do Power Rangers, como Bugonia. Claro que poderia ser pior: ficar duas horas e meia numa estética caricata do nordeste, jogar uma “perna cabeluda” de trash movie no meio e, sem ter criatividade para resolver a narrativa, pedir ajuda aos universitários. Apesar do perigo de cair na desgraça, acho a combinação de gêneros distintos algo interessantíssimo e bastante desafiador para o escritor, principalmente numa época em que se vendem fórmulas prontas para a garantia do sucesso. Mas até agora, no cinema, ainda não surgiu uma grande obra que soubesse resolver bem esse enxerto de um gênero dentro de outro sem comprometer a estética e a própria narrativa. Ainda assim, prefiro a ousadia de um diretor que se arrisca a quebrar a cara, depois de construir uma narrativa com excelentes textos de diálogos e uma fotografia monumental, como em Pecadores, do que um Valor Sentimental todo certinho, insosso, exangue. Enfim, norueguês. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
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segunda-feira, 16 de março de 2026
#OsSemCinema
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