Durante os trinta anos, Ângela sempre volta a um cais abandonado onde o movimento incessante das ondas tem um efeito apaziguador. Há muitas referências às ondas e marés na literatura mundial para representar a passagem do tempo, mas em Rebentar a riqueza da metáfora das ondas do mar vai muito além do tempo:
Diante de seus olhos, o mar: a imensidão que parecia não ter fim, cuja margem oposta não se vê, bem como o fundo inalcançável e escuro. Mas o mar também era isso que chegava até ela e a cercava: essas águas cujo vapor ela podia respirar, nas quais poderia molhar suas mãos e adentrar com poucos passos.
Para ela, o mar visto do cais abandonado é a solidão espelhada. Imaginar-se submersa naquela imensidão é um consolo, um refúgio uterino para si ou quem sabe, para seu filho perdido.
O jovem escritor paulistano, que vive atualmente em Lisboa...
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