1984 nasceu das motivações mais profundas de George Orwell: denunciar a tirania, a falsificação da verdade e a submissão da consciência individual a qualquer máquina política. Em Por que escrevo, ele afirma que, desde 1936, tudo o que escreveu de mais sério foi, direta ou indiretamente, contra o totalitarismo e a favor do socialismo democrático. O romance, portanto, não é apenas uma distopia sobre o futuro, mas também uma resposta moral ao século XX. Nele, Londres aparece como uma cidade degenerada, onde a linguagem é corrompida, a memória é reescrita e a verdade deixa de ser uma experiência comum para se tornar apenas uma ordem emitida pela tirania governamental.
Essa obsessão de Orwell pela mentira organizada encontra um paralelo luminoso e trágico em Fome na Ucrânia, reportagem de Gareth Jones sobre os horrores de Holodomor. Jones atravessou a Ucrânia soviética em 1933 e viu aquilo que o regime de Stalin tentava esconder: aldeias devastadas pela morte e camponeses famintos, uma catástrofe humana soterrada sob comunicados oficiais e estatísticas fraudulentas que até hoje encontram ecos nos defensores dos carniceiros soviéticos.
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