#CultoBolsopetismoAssim como os lulopetistas, os eleitores do Clã Bolsonaro seguem fiéis independentemente dos escândalos políticos de seus líderes
As pesquisas eleitorais recentes mostram que as mensagens entre Flávio e Vorcaro impactaram pouco nas intenções de voto do eleitorado bolsonarista. Assim como os lulopetistas, os eleitores do Clã Bolsonaro seguem fiéis independentemente dos escândalos políticos de seus líderes. Por que — pode se perguntar o leitor — esse eleitorado é tão facilmente manipulado? Por que, afinal, essas pessoas são atraídas por políticos mentirosos mesmo quando esses agem contra o interesse e o bem-estar de seus próprios partidários? Esqueça, caro leitor, a discussão entre direita e esquerda. Por trás do culto à personalidade que é o Bolsopetismo pode haver inúmeras coisas, mas nenhuma delas é ideologia política. A verdade é tão simples que muitas vezes negamos a aceitá-la: ser manipulado por alguém é uma sensação maravilhosa. Todos nós já fomos manipulados por alguém em nossas vidas: por nossos pais quando éramos crianças, por algum amante quando estávamos perdidamente apaixonados, por algum político, por um líder religioso, pelo governo etc. E dentro dessa manipulação residia uma agradável sensação de segurança e conforto. Isso porque o maior fardo da vida é o fardo de ser um indivíduo e de fazer suas próprias escolhas. Quando esse peso nos é retirado, a sensação de liberdade é indescritível. O devoto radical vive da mesma endorfina que o eleitor do Bolsonaro e do Lula: suas escolhas são terceirizadas para outra pessoa, assim como a responsabilidade por seus atos. Ninguém quer sair de um culto maluco ou de uma relação tóxica pelos mesmos motivos: ninguém quer que o fardo do mundo real volte a ser colocado sobre seus ombros. A realidade é permeada por relações de causa e consequência que oprimem a todos. Seguir pessoas que nos liberem dessa relação é bom. Quanto mais malucos esses líderes vierem a ser, ainda melhor. Afinal, ser abraçado por uma comunidade de lunáticos que seguem um guru que fala coisas absurdas é se libertar das algemas da racionalidade. Os líderes carismáticos sabem disso e é por isso que, de tempos em tempos, intensificam os disparates em seus discursos. O paradoxo do bolsopetismo é, portanto, o paradoxo de todo culto: quanto mais a mente dos seus eleitores é dominada, mais eles se sentem livres. O NEIM precisa do seu apoio para continuar Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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quarta-feira, 27 de maio de 2026
#CultoBolsopetismo
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