#ProntoProOscarExatamente por ser um filme monótono e tedioso, "O Agente Secreto" encontra terreno fértil em premiações internacionaisO crítico Carlos Boyero, do El País, deu uma esculhambada no filme O Agente Secreto. Ele diz, em suma, que é um filme sonso. Flerta com um crítica social, mas até nisso falha. Boyero até viu a sombra da ditadura, a promessa do suspense, o rosto contido de um homem perseguido. Ainda assim, não ficou entretido nem tenso. Ele não sentiu nenhuma tensão e nem um calorzinho da tragédia. Para ele, o que deveria inquietar permanece inerte. É um filme monótono e, principalmente, sem pé nem cabeça: “Necessito, inclusive, que algum de seus espectadores entusiasmados me explique seu argumento, porque não entendi nada”, ironiza. De forma seca, direta, enfim, muito espanhola, Boyero sintetiza a sua experiência: nada o perturba, nada o distrai. E, num thriller, isso não é apenas uma falha; é a ausência de propósito. O crítico espanhol afirma não ter conseguido seguir plenamente a narrativa, como se a história se dissolvesse antes de se formar. Não há fio condutor evidente, nem clareza para sustentar o interesse. Kleber Mendonça faz umas embaixadinhas, para mostrar para os críticos que tem cultura cinematográfica, mas a essência de se contar uma história passa ao largo. O espectador, em vez de cúmplice, torna-se estrangeiro. E assim o tempo se alonga. As duas horas e meia de duração não expandem o mundo do filme, apenas esticam a sensação de vazio. O olhar escapa para o relógio, não por impaciência ruidosa, mas por um cansaço silencioso. Nessa hora, já sem a pipoca, o espectador pode até pensar em ir embora. Mas o que diria para os amigos da Vila Madalena que festejam mais um filme que entra no radar do Oscar? Nem mesmo a atuação de Wagner Moura comoveu o crítico Carlos Boyero. Há até um reconhecimento técnico, um respeito discreto pela sobriedade do protagonista, mas nenhuma adesão emocional. Uma coisa meio burocrática, no sentido de sempre faltar um entusiasmo diante de uma roteiro ruim, de uma história que não rende, de um personagem incapaz de evoluir, independente da qualidade do ator. Parece até que o diretor optou deliberadamente por não tocar o espectador, mantendo-o sempre numa certa distância, atrás do cordão sanitário. É uma crítica dolorosa. Porque Carlos Boyero é um homem de esquerda, escrevendo num jornal de esquerda sobre um filme de uma turma da esquerda de um país latino americano e subdesenvolvido. Mas diferente dos críticos brasileiros, que não sabem nada de cinema e, deslumbrados, rasgam elogios compostos pelo ChatGPT, Boyero é sincero. Até reconhece o valor do contexto, da proposta, da ambição política, mas encontra um resultado que lhe parece opaco, fechado em si, incapaz de comunicar sua própria indignação. E é justamente nesse desalinho que emerge uma conclusão irônica. Se O Agente Secreto pode soar frio, hermético e arrastado para um crítico sincero, talvez esteja perfeitamente calibrado para um outro tipo de consagração. Um cinema que privilegia a intenção sobre o impacto no público, a mera leitura política sobre a experiência sensível da arte, encontra terreno fértil em premiações que, há tempos, se tornaram previsíveis em seus critérios e preferências ideológicas. Nesse sentido, O Agente Secreto estaria pronto para o Oscar. Não por seus méritos, que o crítico espanhol nega existir, mas, paradoxalmente, por causa dos defeitos que ele assinala e, de certo modo, até lamenta. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
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domingo, 22 de fevereiro de 2026
#ProntoProOscar
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