Desde Getúlio, o brasileiro desaprendeu a ser cidadão para virar fã de estelionatário. Não sabemos cobrar, propor ou solucionar; só sabemos ajoelhar e lamber as botas de qualquer bezerro de ouro que brilhe no lixo. No Brasil, não se elege uma plataforma, um projeto ou uma ideia. Aqui se elege um hospedeiro para o delírio coletivo. O cardápio de psicopatologias é vasto: tivemos o getulismo, o malufismo, o lulismo, o bolsonarismo e, agora, o narcisista de Jesus tenta parir o Nicholismo. Ninguém vota na esquerda por causa de agenda econômica ou justiça social. Votam porque o Lula é o Pai, o avatar, a divindade de nove dedos. Se o pinguço larápio não aparecer ungindo qualquer poste ou ladrão de galinha, o candidato não ganha nem para síndico. Por isso o partido o mantêm conservado num tonel de cachaça; se bobear, quando o fígado finalmente pedir arrego, assim como Moisés ergueu uma serpente de bronze no deserto, vão empalhá-lo e carregá-lo em procissão nos comícios, como um boneco de Olinda. Por sua vez a direita brasileira não quer uma liderança ou um plano de ação. Ela quer um messias, um novo dono de curral. E é nesse vácuo de inteligência que o inútil do Flávio Bolsonaro tenta se escorar. O “Príncipe das Rachadinhas”, cuja único trabalho que já teve na vida foi pedir para o papai entregar o Brasil de bandeja para o sistema em troca de não ser investigado, acha que a biologia substitui o caráter. Acha que basta o carimbo do “Mito” para garantir a perpetuação da sua mediocridade no poder. E o pior? Ele está certo. Neste hospício, você pode ser o saqueador da Petrobras ou o coletor de rachadinhas: se for endossado pelo psicopata que atingiu o status de divindade, o gado vota. Sem questionar nada. O jogo não é sobre melhorar o país; é sobre quem consegue ser adorado o suficiente por uma massa de manobra para garantir a mamata eterna às nossas custas. A família Bolsonaro, que conhece bem o jogo, já percebeu o avanço do aspirante a coronel Nicholas. Quem, assim como eu, observa atento o movimento das milícias digitais, já percebeu que volta e meia Carluxo manda os seus cachorros atacarem Nicholas na internet. Esse é o desespero de quem não quer dividir o dízimo da atenção. Mas, como a marcha do pequeno falso profeta atraiu gado suficiente, a família Bolsonaro que se acha os donos do curral, tiveram que engolir o orgulho e aparecer na foto para roubar um pouco do holofote. Mas não se enganem: na máfia do culto à personalidade, não há espaço o suficiente no altar para dois bezerros de ouro. Logo veremos o covarde Carluxo atacando Nicholas na Internet de novo. No meio disso tudo temos nós, pessoas comuns que pagam por esse showzinho de quinta. Quando você perguntava sobre a palhaçada armada por Nicholas essa semana: “Qual o propósito dessa caminhada? Qual a pauta? O que isso muda a nossa vida?”, a resposta do gado adestrado é o clássico: “Pelo menos ele está fazendo algo, e você?”. Eu te digo o que eu estava fazendo enquanto o pequeno narcisista de Jesus marchava: eu estava trabalhando. Estava suando frio para manter negócios e empregos, tentando entender como sustentar as famílias que dependem de mim enquanto sou assaltado por uma montanha de impostos novos e velhos. Imposto esse que financia o fim de semana de marketing egoico dessa corja que nunca pegou em uma enxada e agora usa o nome de Deus para garantir o próximo mandato. Enquanto o falso profetinha marchava, o Lula, aquele que eles fingem combater, enfiava a faca no nosso bolso e dificultava qualquer vislumbre de progresso que podíamos imaginar. Enquanto o falso profetinha marchava, Toffoli (ignorado por Nicholas e família Bolsonaro) abafava o caso Tayaya e ria da nossa cara. E a “maior oposição da história”? Estava ocupada demais tirando selfie e fazendo vídeo com música gospel sentimental pro Instagram. Você sustenta o luxo do Lula, os mimos do Toffoli, os delírios do Nicholas e as mansões da família Bolsonaro. Você faz tudo por eles. E eles? O que fizeram por você até hoje? Um dia o povo entregou todo o ouro que tinha para fundir um bezerro e adorá-lo em vão. É diferente aqui? Ontem na tal marcha, quando o raio caiu do céu e feriu devotos de São Nicholas, a hipocrisia brilhou mais que o trovão. Para quem vê “sinal de Deus” em picareta mancando e até em mancha de mofo na parede, o raio foi “simples acaso”. Se fosse um arco-íris, teria sido a mão divina ungindo o líder. Como foi uma descarga elétrica na cabeça dos fiéis, Nicholas chamou de simples fatalidade. Se alguém usar a mesma narrativa dos ungidos da mamata e insistir que nada cai do céu sem a permissão de Deus, o profeta dirá que faltou fé às vítimas ou que eram lulistas infiltrados sendo castigados. Juntar uma multidão histérica embaixo de tempestade em campo aberto nunca será responsabilidade sua se você estiver acima do bem e do mal. É fácil ser político no Brasil. No lulismo, tudo é culpa do fascismo. No bolsonarismo/nicolismo, tudo é culpa do diabo. E os deuses são eles próprios. Assim como o Flautista de Hamelin atraía ratos e crianças para o abismo, esses Flautistas de Merdelin só atraem dois tipos: os psicopatas que querem se perpetuar no poder pra mamar às nossas custas e a população histérica que se deixa usar como massa de manobra. Ou seja, ratos e crianças. Em um lugar onde a maioria é composta por ratos e crianças é com uma caminhada rumo ao abismo que a história termina. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. 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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
#FlautistasDeMerdelin
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