Foram vendidos 185 milhões de livros em 2025. Menos de um livro por brasileiro. 48% eram de assuntos gerais, não eram livros religiosos, didáticos ou técnicos. Isso dá 88 milhões de livros para lazer vendidos no ano passado. Quase a metade eram livros de colorir. Livros sem letras, sem texto e sem história não são livros. Portanto, foram vendidos 48 milhões de livros de assuntos gerais em 2025. Concluímos que 25% dos brasileiros não leram um único livro no ano inteiro de 2025. Um presidente que não lê leva ao analfabetismo ou o analfabetismo leva a um presidente que não lê? O NEIM precisa do seu apoio para continuar Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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quarta-feira, 3 de junho de 2026
#Analfabetos
#PutinDaVida
#PutinDaVidaO que parecia um passeio de fim de semana virou uma tragédia de 4 anos
No dia 24 de fevereiro de 2022, Vladimir Putin iniciou o ataque a Ucrânia. Era uma quinta-feira e ele achou que no domingo já estaria num trono em Kiev. Seus generais, corruptos e incompetentes, mandaram uma fileira de tanques para conquistar a capital ucraniana. Nunca a expressão “o tiro saiu pela culatra” foi tão bem utilizada. Assine o NEIM e compartilhe o nosso conteúdo. Assine Não É Imprensa para desbloquear o restante.Torne-se um assinante pagante de Não É Imprensa para ter acesso a esta publicação e outros conteúdos exclusivos para assinantes. Uma assinatura oferece a você:
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As Bestas
Obrigado pela sua leitura! Há um filme espanhol maravilhoso disponível no canal MUBI. Chama-se As Bestas, e é dirigido por Rodrigo Sorogoyen. A história é sobre um casal de franceses, filhote da contracultura liberal hippie, que vai morar na Galícia, com seus sonhos ecológicos e de tolerância, e se vê obrigado a enfrentar uma dupla de camponeses brutos que o culpa pela pobreza da região, pois os “estrangeiros” votaram contra a implementação de energia eólica que poderia revitalizar a economia da comunidade. E mais não digo para evitar os spoilers desnecessários. Mas já antecipo: haverá sangue. Uma das observações mais sutis - e mais ácidas - do longa é a respeito de como a tolerância dos franceses acentua a tragédia que se segue. Ela evita a violência justa que poderia corrigir a raiz do problema. Tal comparação pode ser feita com a situação da Venezuela, antes da invasão americana para expurgar o governo de Nicolas Maduro. As últimas informações já deixaram claro que a culpa da calamidade naquele país não é do povo - que foi em massa para as urnas e deu vitória à oposição contra a ditadura de Maduro. Ah, então o principal responsável é Lula e o Foro de São Paulo? Provavelmente. Mas Lula está tão endividado por não ter mais a máquina de propina da Odebrecht a seu dispor que, no fim, tornou-se também refém da retórica bolsonarista proferida por Maduro na reta final do pleito. Mas há um fator a mais que ninguém quer ver. Talvez os principais culpados pela calamidade sejam a imprensa e o liberalismo (no sentido brazuca, por favor) que a fundamenta. A imprensa é responsável porque ela acredita piamente que, nos últimos trinta anos, a Venezuela poderia se transformar em uma democracia. E o liberalismo tem sua parcela de culpa porque ele é incapaz de perceber, graças à sua visão otimista sobre a natureza humana, a maldade intrínseca ao nosso comportamento. Esses dois tipos de atitude criaram um entorpecimento moral, cuja consequência é acreditar que, numa tirania como a Venezuela, nunca foi necessária uma intervenção radical para corrigir a desordem que ali se instalou. Sem a intervenção americana, a Venezuela será sempre uma latrina do mundo. As reações do Brasil e dos EUA (por meio da então vice-presidente Kamala Harris) indicam que o entorpecimento continuará como se nada tivesse acontecido. Afinal, a tolerância é boa para quem ainda vive numa democracia - mesmo que essa mesma democracia tenha de compactuar com as tiranias que moram à margem da civilização. No fundo, assim como ocorre na obra de Rodrigo Sorogoyen, as bestas somos nós, os civilizados. Resumo da ópera: apoiem a Venezuela, assistam ao longa. O Cemitério Das IdeiasHá pouco tempo surgiram no Brasil os podcasts, como Flow e Inteligência Ltda, que se vendiam como alternativa à grande imprensa, com assuntos e pessoas imprevisíveis, sempre imitando o inimitável Joe Rogan. Tudo ia muito bem, até que uma das estrelas desse nicho, Monark, resolveu falar umas bobagens a respeito do nazismo e, por isso, foi cancelado pelo público, pela mídia, pelos próprios sócios e, depois, pelo STF, que o transformou em um modelo de desobediência civil. A partir daí, os podcasts perceberam que não havia outra maneira de sobreviver se deixassem de imitar o Joe Rogan e passassem a imitar nada mais, nada menos que a velha imprensa. A programação do podcast Inteligência Ltda. é sempre uma verdadeira “cracolândia do pluralismo”. Geralmente, começa com um bolsonarista de alto gabarito e afeito a teorias conspiratórias de quinta categoria (porque aqui eu só me importo com as de primeira), passa por um stalinista linha-dura e termina com um judeu antissemita (e se vocês acharam que ficaríamos escandalizados com a presença da “modelo erótica” que filma seus vídeos picantes com o filho já adulto, nós garantimos que isso é o menor dos problemas). O jogo dos podcasts é o seguinte: fingir que são programas “diferentões”, com gente esquisita, mas, ao mesmo tempo, atrair notoriedade para ganharem audiência de um público sedento por drogas pesadas. Na verdade, o que era para ser novidade com os Monarks da vida tornou-se um esquema semelhante ao que já vimos no passado com o Raul Gil, o Programa do Ratinho e Márcia Goldschmidt. O que isso significa? Significa que, depois da “era de ouro” dos podcasts, eles não têm mais público. São números imaginários que só servem aos algoritmos do YouTube e do Spotify (duvidam? perguntem à IBM e à Embratel). Mas há algo ainda mais preocupante nessa estratégia: ao contrário de Joe Rogan, que, para o bem e para o mal, realmente entrevista seus convidados porque se prepara para isso, em geral os nossos podcasters são mais obtusos e míopes do que os jornalistas profissionais (alguém já se esqueceu quando Monark e Igor perguntaram a Luís Felipe Pondé sobre quem era esse sujeito chamado Paulo Francis?). Rogan faz perguntas incômodas e inteligentes aos entrevistados; já aqui, o que temos é um sujeito com óculos escuros, fazendo pose de inteligente, e balbuciando alguma interjeição para deixar o seu convidado falar a porcaria que quiser. Por que o que vocês acham que Jones Manoel e Breno Altman vão falar? Pérolas de sabedoria? Tanto os podcasts como a imprensa confundem a tal da “liberdade” de expressão com a “libertinagem” de expressão. Acham que o anormal é o novo normal - e, por isso, deseducam o leitor (ou o espectador), tornando-o absolutamente insensível a qualquer tipo de novidade que apareça diante dos seus olhos. Do outro lado, quando o Flow abriu o seu braço jornalístico, o Flow News, também conhecido como “Escolinha do Professor Tramontina” (nossa homenagem ao carro-chefe da grade), a situação foi minguando de tal forma que hoje ninguém se importa se o canal acabou ou não. Se antes tínhamos a cracolândia do pluralismo, temos aqui o “cemitério das ideias”, com direito a um descobridor das Américas entrevistando a si mesmo em um monólogo que daria sono a Samuel Beckett. Em suma: ao imitar a imprensa, tanto no aspecto asséptico como no selvagem, a indústria de podcasts apenas cavou a própria cova - e provou que, como tudo no Brasil, a sua verdadeira vocação sempre foi para ser uma tremenda besteira. Anatomia De Um PepinoNão à toa, atualmente, quando lemos as críticas cinematográficas na imprensa, somos obrigados a nos penitenciar como um numerário do Opus Dei, especialmente na hora de encarar o que Walter Porto escreveu, lá no distante ano de 2024, a respeito de Anatomia de uma queda, longa francês dirigido por Justine Triet, ganhador da Palma de Ouro em Cannes de 2023 e depois indicado à estatueta de Melhor Filme. Há alguns anos, Walter Porto foi promovido a ser o repórter de livros da Ilustrada. Hoje ele é o homem que comanda o caderno de variedades da Folha - e para pior. Antes, sua função era cobrir o mercado editorial. Porém, ocorria que, às vezes, na falta de um crítico literário, ele também cometeu umas resenhas. Sua predileção de assunto é a cultura woke. Claramente, é um defensor dela. Até aí tudo bem, cada um faz o que conhece melhor, mas o problema é quando tudo leva a crer que ele divulga somente uma parcela deste setor (afinal, o mundo é vasto, etc. e tal). Na época, algum editor da diretoria da Folha resolveu incumbi-lo para dissecar o filme de Triet pelo prisma da “narrativa”. Ah, a “narrativa”. De fato, um dos temas de Anatomia de uma queda é sobre o “choque de narrativas” em torno de uma mulher acusada de matar seu esposo, um infeliz que não conseguiu assumir as escolhas difíceis que fez na vida. Ocorre que isso é apenas a superfície da obra. E, para alguém que mexe com livros (ou com cultura), recorrer a este recurso é um crime contra a linguagem - e contra o leitor. Olhem este trecho:
Os clichês do repórter “descolado” estão todos lá: “autoficção” (Proust mandou um abraço), “ficcionista de enorme potencial” (apesar da personagem no filme já ter três livros publicados), “influência” e “descompasso”. Meus leitores, citando Magritte: isto não é uma crítica. É um pepino. E dos grandes. Por quê? Simples: porque contrataram um repórter que não entendeu nada do filme que assistiu. É por isso que antes havia a figura do crítico (Verdade seja dita: na mesma página chamaram Inácio Araújo para falar a respeito do longa, mas ele deve ter errado de sala e foi ver outro filme, pois seu texto é absolutamente incompreensível). Ele analisava o que foi exibido diante dos seus olhos. E mais: sabia a que tradição aquele (ou aquela, se pensarmos em Triet) cineasta fazia parte. (É de se perguntar porque a Folha chama um repórter de livros para falar de uma obra cinematográfica desse calibre, quando poderia encomendar o mesmo tipo de texto a um Sergio Alpendre, um Filipe Furtado, um Miguel Forlin ou um Luís Villaverde, que simplesmente estão à margem do que se passa nas redações da Barão de Limeira). E qual é então o assunto de fato de Anatomia de uma queda? Não é sobre “narrativas” ou sobre a “busca pela verdade”. É sobre o amadurecimento traumático de uma criança (o formidável Milo-Machado Graner) que, no meio de uma tragédia ímpar, decide ser infinitamente mais adulta do que os próprios pais e, indo além, do que o próprio sistema judiciário, o qual está louco para condenar a sua mãe porque assim tudo se resolve da maneira mais exata e técnica possível. Ao modo de Otto Preminger em Anatomia de um crime (1958; sim, Triet está brincando com esse clássico) e de um David Fincher em Zodíaco (2008), a cineasta analisa a queda da Europa pelos olhos de um menino (que, por uma ironia macabra, é cego). Daí o título - ou vocês acham que é um acaso o detalhe de que a mãe é alemã e o pai é francês, justamente as duas nações que comandam a política da União Europeia? É uma Europa paternalista, que cria essas “narrativas” fajutas porque é incapaz de encarar a sua própria história (sim, há uma diferença entre uma e outra, mas isso não vem ao caso agora). A insistência da nossa imprensa cultural em decifrar filmes complexos por meio de clichês - algo também copiado pelos influenciadores de redes sociais e dos podcasters, que competem entre si na miopia analítica, seja do lado da direita ou da esquerda - só prova que, infelizmente, não estamos em nenhum porto seguro. Não à toa, a leitura do cenário político passa pelo mesmo problema (e a redação aqui jura que se alguém citar a batida frase de Hugo Von Hoffmanstahl, vamos mandar este sujeito ir para onde o Judas bateu as botas). A nossa política se tornou um caso de polícia porque somos obrigados a engolir os pepinos escritos por um Walter Porto da vida. Depois não sabemos porque ficamos entre Lula e Bolsonaro Jr.. E o pior: somos incapazes de fazer a anatomia da nossa própria queda. Quem quiser colaborar com o meu trabalho, além do valor da assinatura desta newsletter pessoal, pode me ajudar por meio do pix: martim.vasques@gmail.comE quem quiser apertar o botão abaixo só para fazer a minha felicidade - e manter essa newsletter de modo mais profissional, be my guest: AVISO: NOVO CURSO - RAÍZES (E CONSEQÜÊNCIAS) DO TOTALITARISMO BRASILEIROUM TRECHO LOGO ABAIXO:Queridos leitores: Temos um novo curso: RAÍZES (E CONSEQUÊNCIAS) DO TOTALITARISMO BRASILEIRO. (No decorrer das aulas, os alunos perceberão que eu falo “Raízes do autoritarismo brasileiro” o tempo todo, mas o nosso departamento de marketing resolveu alterar o título para melhorar as vendas. Não vou discutir.) Trata-se de um prosseguimento do assunto que abordei nos cursos anteriores (mas agora aplicados na perspectiva brasileira), De Zero a Nero - O que Shakespeare ensinou a Peter Thiel sobre os rumos da liderança, e Além do Zero: Vivendo na Religião da Tecnologia, que você pode adquirir respectivamente aqui e aqui. Serão seis aulas, de 30 minutos a 1 hora de duração, todas já gravadas. Aqui vão os temas abordados: O curso é também uma reflexão sobre certas obsessões minhas e que me acompanham desde a época do meu segundo livro, A Poeira da Glória (2015) e depois em A Tirania dos Especialistas (2019), indo até A Disciplina do Deserto, minha obra derradeira. Este livro será publicado em 2026, se os deuses do mercado editorial permitirem. Dito isso, chegamos ao grande momento: Quanto custará o curso?E a resposta é: Você decide.Isso mesmo: Quem determinará o preço será você, não eu.Veja os temas que serão abordados. Veja a qualidade gráfica do material promocional. Veja o seu interesse. Veja como isso pode te ajudar na sua vida pessoal e pública. E aí você envia o valor no PIX abaixo:martim.vasques@gmail.comAssim que fizer o pagamento, mande uma mensagem no mesmo endereço acima (vou reforçar: martim.vasques@gmail.com), com o assunto escrito da seguinte forma - CURSO RAÍZES TOTALITARISMO -, e eu vou lhe enviar um link com acesso, também por e-mail, a uma pasta especial no Google Drive, onde haverá todo o material disponível do curso (é importante reforçar que é bom ter uma conta no Google). Observação importante: Não haverá reembolso no valor a ser pago (e se alguém precisar de Nota Fiscal, posso providenciá-la sem problemas, desde que me informe todos os dados necessários). (Pediria também a paciência de me dar um prazo de 24 horas para responder, pois sou “o exército do eu sozinho” nesta empreitada) Qualquer dúvida, é só conversar comigo por e-mail ou via DM do Substack. Agora a única coisa que posso lhes dizer é: obrigado pela confiança no meu trabalho - e eu espero que consiga cumprir as expectativas. Um forte abraço do MVC You're currently a free subscriber to Presto. For the full experience, upgrade your subscription.
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