#Literatura: Um escritor que ressuscita em palavras (3)Mainardi se refugia na arte, especificamente na arte de morrer
Parte 3 Família é uma das obras primas da natureza, dizia George Santayana. Em Meus mortos, um autorretrato (Record, 2025) Diogo Mainardi associa histórias de sua família a obras primas dos maiores artistas do século 16 e 17, mas ao ler e reler o livro, me vem à cabeça a frase de abertura mais famosa da literatura: todas as famílias felizes são iguais; cada família infeliz é infeliz à sua maneira. Meus mortos é um exercício de infelicidade. É ao mesmo tempo uma imersão no ar denso de arte de Veneza, um abrir de feridas na esperança que elas finalmente cicatrizem, e um voo de muitas escalas por alguns dos mais belos quadros jamais pintados. Tudo muito triste, porque é passado. Se eu pudesse propor uma trilha sonora para o livro, seria o Intermezzo da ópera Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni. É provavelmente o intermezzo mais ouvido de todos, talvez até já tenha sido música de elevador, mas nem por isso menos triste. A ópera conta sobre um quadrado amoroso que acaba mal, daí o título, que significa “cavalheirismo rústico”, ou seja, justiça pelo duelo. Santuzza, a mulher seduzida e abandonada, acaba de revelar ao carreteiro Alfio que Lola, sua esposa, o trai com Turiddu, amado de Santuzza. Ela agora se dá conta que Turiddu, infiel, sim, mas ainda muito amado, será morto. Da matéria dessa angústia são feitas as notas do intermezzo. Ela caminha com o fardo da perda que virá, pelas ruelas poeirentas da Sicília, onde se passa a história. Mainardi caminha pelas ruas vazias de Veneza — aqui, a poeira é da História — com o fardo da perda que já foi. Mas diferente de Santuzza, que sofre pelo futuro que não será, Mainardi sofre pelo passado que não foi... Assine Não É Imprensa para desbloquear o restante.Torne-se um assinante pagante de Não É Imprensa para ter acesso a esta publicação e outros conteúdos exclusivos para assinantes. Uma assinatura oferece a você:
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segunda-feira, 20 de abril de 2026
#Literatura: Um escritor que ressuscita em palavras (3)
#AntissemitismoEmLondres
#AntissemitismoEmLondresNas últimas semanas, uma série de incêndios criminosos e ataques contra a comunidade judaica foram registrados
Sinagogas, prédios comunitários e veículos de organizações judaicas foram atingidos principalmente no noroeste da capital britânica, onde se concentra parte relevante dessa população. A polícia local e unidades antiterrorismo abriram investigações para apurar se os casos têm conexão entre si. Entre os episódios mais recentes está a tentativa de incêndio contra a Kenton United Synagogue, em Harrow, onde um coquetel molotov foi lançado contra o prédio. Em Finchley, outro templo judaico também foi alvo de suspeitos mascarados que arremessaram objetos incendiários. Já em Golders Green, ambulâncias voluntárias ligadas à organização judaica Hatzola foram incendiadas e destruídas, causando forte repercussão pública por se tratar de veículos de emergência médica. As autoridades britânicas avaliam ainda se os ataques podem ter sido inspirados ou coordenados por grupos extremistas. Até o momento, não há conclusão oficial, mas o envolvimento da polícia antiterrorismo indica que o governo trata os casos como ameaça séria à segurança pública. Lideranças judaicas afirmaram que existe um clima crescente de intimidação e preocupação entre moradores e frequentadores de instituições religiosas. O NEIM precisa da sua assinatura para continuar revelando o que as notícias escondem. ASSINE AGORA! O primeiro-ministro Keir Starmer condenou os episódios e declarou que os ataques são “abomináveis e não serão tolerados”. A reação do premiê reflete a pressão sobre o governo para responder ao aumento de crimes de ódio no país. O caso também reforça um alerta mais amplo: tensões internacionais e radicalização política têm se refletido cada vez mais em atos violentos dentro de grandes cidades europeias.
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