Uma nova elite política começa a envelhecer no instante em que passa a olhar o “povo” como massa defeituosa a ser moldada por quem sabe mais
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Quem pretende reconstruir o pouco de Brasil que resta deveria começar desconfiando de uma das tentações mais antigas da política. A de acreditar que compreendeu o país tão bem que já pode tratar o povo como um problema do qual não faz parte. Pior ainda quando passa a se enxergar numa posição tão superior de lucidez que se julga especialmente qualificado para tutelar um bando de ignorantes – ou deploráveis.
O “povo”, por óbvio, não é vítima. O cidadão participa da degradação quando premia e idolatra político ou vende o voto. Mas, como sempre, a generalização não explica todos, nem o todo. Atribuir culpa coletiva é só uma forma de mascarar responsabilidades concretas e oferecer aos verdadeiros responsáveis um bom esconderijo. Os verdadeiros marginais e trambiqueiros festejam essas responsabilidades abstratas. O povo, a elite, o sistema têm sido excelentes palavras para turvar a visão...
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