“Ressuscitar” é uma arte rara porque exige mais do que sobreviver. É preciso voltar diferente. É preciso recusar a morte. No futebol, como na literatura, a verdadeira ressurreição acontece quando alguém retorna do limite carregando ainda as marcas do sofrimento. Ulisses volta a Ítaca depois de ser dado como caso perdido; Dom Quixote devolve a fantasia a um mundo que já não acredita mais em sonhos e ideais; os heróis de Dostoiévski procuram uma segunda vida depois do pecado, da culpa ou da ruína. Nesta Copa do Mundo, o time da Argentina parece um caso perdido. É um time que, fisicamente, se arrasta em campo no segundo tempo. Mas vive de um ideal, com o seu maior craque em fim de carreira fazendo o que parece impossível. E buscam uma redenção pela culpa de, exatamente, serem argentinos. Mas se recusam a morrer. Há quem diga que a Fifa está beneficiando o time portenho. Pode ser. Da Fifa ninguém espera nada além dos escândalos sistemáticos muito bem documentados. Há quem diga que argentino não mereça confiança. E pode até ser verdade. Mesmo assim, é quase comovente ver que eles lutam e acreditam até o último minuto. Bem diferente da patetice dos nossos conterrâneos. Assine o NEIM e compartilhe o nosso conteúdo. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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domingo, 12 de julho de 2026
#ArteDeRessuscitar
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