♪♫ “Fala baixinho só pra eu ouvir…” ♪♫ O nosso país tem uma característica singular: um escândalo nunca é suficiente. Só a crise do Banco Master já deveria dar conta do noticiário por um bom tempo. Mas não. Logo viemos a saber que esse mesmo banco pagou mais de oitenta milhões de reais ao escritório de advocacia da esposa de um ministro do STF. Grave, certo? Também não. Veio a explicação técnica do ministro Alexandre de Moraes: “é legal porque ela é advogada, não tem irregularidade.” E pronto. Caso encerrado. Pode passar. Só que não passou. Porque então entrou em cena um elemento que transforma tudo numa espécie de realismo fantástico à brasileira: o presidente da República decidiu aconselhar um ministro da Suprema Corte sobre reputação. Absurdo? Sim. Mas não é qualquer presidente. É o Lula. Um político que esteve no centro dos maiores escândalos de corrupção da história recente do país. Que foi preso. E voltou. E que agora comparece como uma espécie de conselheiro moral da República, avisando que “isso pode acabar com a tua biografia.” Aula de reputação vinda de quem já precisou de advogado para explicar a própria. E que ainda assim acha apropriado orientar um ministro da mesma Corte que um dia o julgou. Não se trata de direita ou esquerda.Trata-se do nível do debate. Temos um escândalo financeiro, um possível conflito de interesse e um presidente com esse histórico aconselhando um integrante da Suprema Corte sobre imagem pública. E ainda assim somos obrigados a engolir tudo isso e seguir em frente com alguma aparência de sanidade. Levamos a sério demais o conceito de oferecer a outra face. Já tomamos tanta porrada que nem sobra mais lugar para apanhar. E a pergunta continua latejando: como pode um ministro julgar qualquer matéria relacionada a um banco que pagou mais de oitenta milhões de reais ao escritório da própria esposa? Não é só uma questão jurídica. Não é sobre poder ou não poder. É sobre credibilidade. Este é o resumo do Brasil: não basta um escândalo. Nem dois. A gente vai empilhando tudo, como num jogo de Jenga, até que uma hora não sustenta mais. E quando cair, não são eles que vão estar embaixo. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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quinta-feira, 9 de abril de 2026
#JengaNacional
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