“Hesher” é uma gíria, originária principalmente da década de 1980, - e a união dos termos Headbanger/Thrasher - para um fã fervoroso, por vezes estereotipado, de música heavy metal. A melhor definição para o filme dirigido por Spencer Susser é que estamos diante de uma versão Heavy Metal dos cartuns de Calvin Harold, afinal, eis a história de TJ, um garoto que diante de uma situação traumática, a morte de sua mãe e a depressão de seu pai, parece inventar um amigo imaginário para lidar com seus problemas pessoais. É ai que entre em cena Hesher (interpretado por Joseph Gordon-Levitt), que funciona no filme como uma encarnação da força vital - caótica, anárquica e impulsiva - da vida. Mas Hesher não é imaginário, ele é uma figura real - ainda que por boa parte do filme você fique a pensar se não estamos diante da presença do fantasma da reencarnação de Cliff Burton - algo ainda mais sugestivo devido à trilha sonora, recheada de clássicos do Metallica. Hesher é um cara cabeludo, sujo e obsceno, fã de heavy metal, que não se importa com nada e faz o que bem entende. Ele entra na vida do garoto de forma repentina, como um furação , causando situações bizarras que afetam TJ de forma quase sempre negativa. Hesher age como um algoz pessoal para TJ, eventualmente se instalando em sua casa. Paul , o pai de TJ, não tem forças para expulsá-lo, então Hesher, com toda a sua raiva e tatuagens, continua morando na garagem - tocando Anesthesia (Pulling Teeth). Hesher é uma obra-prima disfuncional, que ao contrário da maioria dos filmes sentimentaloides, que dizem que tudo vai ficar bem, que tudo melhora com doces palavras e compreensão - mostra que às vezes a redenção acontece através do fogo, com piadas de mau gosto e de violência caótica. É aquilo, se às vezes a vida mostra o dedo do meio pra você, bom, devolva o cumprimento. Podemos ainda explorar como Hesher é uma presença cristológica na vida daqueles personagens, pensemos aqui em Marcos 11:14-17, Cristo entra no templo e derruba as mesas dos vendilhões, eis o que Cristo nos pede por vezes: romper o status quo, desafiar as normas estabelecidas da sociedade, transformar nossas vidas radicalmente. A verdade que o filme nos conta, revelada nos momentos finais, é que a dor da perda é difícil de superar, TJ e seu pai não conseguem sair do lodo emocional em que se encontram, até o momento em que entendem que a dor da perda - que afeta até uma pessoa totalmente deslocada do mundo como Hesher - é o que nos une e o que nos redime. O filme está no Prime Vídeo O senhor(a) é atualmente um(a) assinante gratuito(a) de Bunker do Dio. Para uma experiência completa, faça upgrade da sua assinatura.
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quarta-feira, 29 de abril de 2026
Hesher, Caos Redentor
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