#LéoLinsNãoVaiPraCadeiaNo Brasil, absolver um humorista por fazer piadas deve ser celebrado como se fosse um milagre jurídicoLéo Lins não vai mais para a cadeia. Absolver um humorista por fazer piadas parece o tipo de obviedade que, no Brasil, precisa ser celebrada como se fosse um milagre jurídico. Mas na nossa atual circunstância, é sim um milagre jurídico. Há algum tempo temos que conviver com a ideia bizarra de que a piada deveria ser contida com algemas, como se uma risada fosse mais perigosa que um assalto a mão armada. É o triunfo do zelo moral travestido de virtude jurídica: prender o comediante para salvar a plateia dos seus próprios preconceitos. O caso de Leo Lins expôs, com uma crueza quase indecente, o impulso nacional de confundir desconforto ideológico com crime. Mas o Brasil sempre tem um atalho dramático para justificar alguma intervenção estatal. A decisão que absolve um humorista não é uma vitória do humor, mas uma lembrança tardia de que o Estado não foi criado para ser proprietário da vida pública. E que a liberdade de expressão não é uma concessão regida por uma licença condicionada, mas a própria fundamentação do estado democrático. Se alguém acha que uma piada deveria dar cadeia, o problema não está na piada e muito menos no comediante. Mas na ideia de levar a vida como se estivéssemos num tribunal — porque ninguém ri num tribunal, exceto o réu quando absolvido. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
#LéoLinsNãoVaiPraCadeia
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