#Interlúdio: A velha realpolitik jamais saiu de cenaPor trás do bom-mocismo, permanece as velhas lógicas de poderNo tabuleiro geopolítico mundial, as palavras voltaram a soar como tambores de guerra. Discursos inflamados atravessavam oceanos, enquanto os analistas tentam desenhar cenários com a precisão de quem acredita que o mundo ainda pode ser explicado pela retórica e pelas meras intenções. Mas na realpolitik a vida segue outro ritmo — mais antigo, mais brutal, mais previsível. O Irã, enfraquecido por seríssimas questões internas, e muito pressionado por outras externas, parece vulnerável e perigoso como um animal acuado. Do outro lado, Donald Trump ergue sua retórica como quem testa limites, não apenas do adversário, mas das próprias regras que, na prática, organizam a ordem internacional. Especialistas tentam buscar coerência numa retórica política que parece mudar a cada pronunciamento. Criticam a ausência de estratégia, apontam riscos legais, evocam fantasmas do passado, como o Iraque e o Afeganistão. Falam em prudência, em diplomacia, em equilíbrio. Mas o mundo que descrevem parece cada vez mais distante daquele que ressurge no horizonte. A Rússia invadiu a Ucrânia sem muita cerimônia. Ainda que se possa alegar argumentos econômicos para o fim da guerra, ela permanece por longos 4 anos. Putin não se comove com sanções nem com repúdio da Opinião Pública mundial. A China expandiu seu poder econômico, como todos sabem. Mas também seus gastos militares. E pelo décimo ano consecutivo. Hoje é a segunda no ranking, com US$ 249 bilhões, só perdendo para os EUA que também vem aumentando significativamente – US$ 921 bilhões. A meta de Trump é elevar os gastos para US$ 1,5 trilhão até o final do seu governo, contrariando um pouco o discurso de retirar os EUA dos conflitos bélicos mundiais. Não é só de retórica que se contrói a America Great Again. A linguagem da geopolítica, enfim, não se escreve apenas com argumentos. Ela se impõe com presença bélica. Um porta-aviões em águas estratégicas comunica com mais clareza do que qualquer comunicado oficial lido pela desinibida porta-voz da Casa Branca. Porque política internacional nunca deixou de ser regida pela força. A ironia é que Trump, com toda sua encenação midiática, tornou-se o porta-voz dessa velha realpolitik que jamais saiu de cena. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
#Interlúdio: A velha realpolitik jamais saiu de cena
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