Na sua peregrinação pela imprensa, Gilmar Mendes não esperava que a jornalista da CNN, Clarissa Oliveira, o colocasse na parede sobre o “enriquecimento dos familiares dos ministros”, com as tayayadas de Toffoli e o contrato milionário da Xandona. O Aiatolá do Supremo, outrora tão eloquente, tartamudeou uma conversa mole sobre “escritórios renomados e prestigiados”, sob os quais ele revela não ser qualificado o bastante para avaliar os valores dos contratos e honorários.
Gilmar não é qualificado para avaliar honorários ou contratos milionários, mas é esperto o bastante para saber que, com o andar da carruagem, a crise no Supremo também vai sobrar pra ele.
Por isso se apressou a atravessar a avenida para conversar com Hugo Motta e, nos próximos dias, segundo dizem, deverá encontrar Lula e Alcolumbre para discutir uma “reforma institucional”. A ideia é empoderar Flavio Dino, num acordão para estancar a sangria e, ao mesmo tempo, isolar Fachin com seu código de ética.
Gilmar diz não ser contra regras de conduta, desde que suas condutas não tenham regras. Ele quer continuar organizando seu Gilmarpalooza, cheio de patrocínios de empresas enroladas em processos milionários no Supremo, e deixar os familiares de seus companheiros negociarem seus valores e honorários.
Dessa vez, sem tartamudear, o Aiatolá do Supremo manda um papo reto: o escândalo deve ser partilhado entre os três poderes. Cada um deve assumir a sua cota de responsabilidade e jogar o que sobrou para debaixo do tapete, sem Fachin, sem código e muito menos ética.