#Livros: Confissões de um herético, Roger ScrutonUma coletânea de ensaios publicada originalmente em 2016, na qual o autor apresenta uma série de reflexões sobre temas centrais da modernidade
Em Confissões de um herético, Scruton se propõe a defender ideias considera impopulares ou marginalizadas no debate intelectual contemporâneo, especialmente no contexto europeu e anglo-saxão. Ao longo dos capítulos, ele aborda assuntos como identidade nacional, religião, cultura, estética, meio ambiente e tecnologia, sempre a partir de uma perspectiva conservadora. O título sugere um tom deliberadamente provocador, no qual o autor assume o papel de alguém que desafia consensos estabelecidos. Um dos eixos centrais do livro é a defesa da civilização ocidental e de suas instituições. Scruton argumenta que o Ocidente atravessa uma crise de autoconfiança, marcada por relativismo cultural e pela rejeição de suas próprias tradições. Para ele, valores como o Estado-nação, a herança cultural e a religião desempenham um papel essencial na coesão social. Essa posição aparece com clareza em Confissões de um herético, onde Scruton sustenta que a identidade nacional não é apenas uma construção política, mas uma forma de pertencimento profundamente enraizada. Ao mesmo tempo, ele critica ideologias globalistas e abstratas, que, em sua visão, enfraquecem vínculos concretos entre as pessoas. Outro aspecto relevante da obra é a ênfase na estética e na cultura. Scruton, conhecido por seus estudos sobre filosofia da arte, dedica parte do livro a criticar tendências da arte moderna e da arquitetura contemporânea, que ele considera desconectadas da experiência humana comum. Ele defende a importância da beleza como valor objetivo e como elemento fundamental da vida social. Essa preocupação se estende ao urbanismo e ao meio ambiente, onde propõe uma visão conservadora do ambientalismo, baseada no cuidado com o espaço local e na responsabilidade comunitária, em contraste com abordagens mais tecnocráticas ou globalizadas. A recepção crítica do livro, especialmente em sites e publicações de língua inglesa, foi mista. Muitos elogiaram a clareza do estilo de Scruton e sua capacidade de abordar temas complexos de forma acessível. A obra é frequentemente vista como uma boa introdução ao pensamento do autor, reunindo em um único volume várias de suas principais preocupações filosóficas. No entanto, críticos também apontaram que o livro nem sempre cumpre a promessa de ser “herético”, argumentando que várias de suas posições já são conhecidas dentro do pensamento conservador. Por outro lado, as críticas mais contundentes se concentram no conteúdo ideológico do livro. Diversos comentaristas consideram que Scruton faz generalizações amplas, especialmente ao tratar de questões culturais e religiosas, e que sua visão do Ocidente tende a simplificar realidades complexas. Em contextos francófonos, a recepção costuma ser mais analítica, situando o autor dentro de uma tradição conservadora europeia e debatendo suas ideias à luz das tensões contemporâneas sobre identidade e modernidade. Scruton faleceu em janeiro de 2020, deixando um grande legado intelectual, com dezenas de livros publicados no Brasil. Mas esta coletânea de artigos, Confissões de um herético, publicada pela sempre excelente Editora Âyiné, é uma ótima oportunidade para adentrar ao mundo intelectual de Scruton e também do conservadorismo inglês herdeiro de Edmund Burke. ________________ Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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sábado, 4 de abril de 2026
#Livros: Confissões de um herético, Roger Scruton
#AUcrâniaEsquecida
#AUcrâniaEsquecidaZelensky defende que o fim da guerra depende de ações mais duras contra Moscou, não de concessões da Ucrânia
Zelensky concedeu uma entrevista ao jornal francês Le Monde, apresentando uma visão realista do estado atual da guerra na Ucrânia e os desafios enfrentados pelo país. Ele deixa claro que a dinâmica do conflito não depende apenas da resistência ucraniana, mas sobretudo da intensidade da pressão internacional exercida sobre a Rússia. Para ele, a guerra não terminará se essa pressão continuar limitada como está. Um dos pontos centrais da entrevista é a crítica ao nível de apoio ocidental. Zelensky argumenta que tanto os Estados Unidos quanto países europeus não têm sido suficientemente incisivos, especialmente no que diz respeito a sanções econômicas e apoio militar contínuo. Ele sugere que decisões recentes, como flexibilizações em setores estratégicos, acabaram permitindo que a economia russa se adaptasse, prolongando o conflito indefinidamente. O presidente ucraniano também chama atenção para o risco de “fadiga internacional”. Segundo ele, outras crises globais, especialmente no Oriente Médio, estão desviando o foco político e midiático da guerra na Ucrânia. Isso pode resultar em redução de ajuda financeira e militar, enfraquecendo a capacidade de defesa do país em um momento crítico. Outro aspecto importante abordado na entrevista é a rejeição de concessões territoriais como caminho para a paz. Zelensky afirma que abrir mão de regiões ocupadas, ao invés de garantir estabilidade duradoura, incentivaria novas agressões russas, como aliás, vem se repetindo nas últimas décadas. Para ele, qualquer solução deve ser baseada em uma paz “justa e sustentável”, evitando acordos que apenas congelem o conflito e permitam à Rússia se reorganizar militarmente para uma nova investida no futuro. A repercussão da entrevista foi significativa, embora distinta entre regiões. Na Europa, a imprensa mais uma vez interpretou suas declarações como um alerta urgente sobre a necessidade de maior unidade e protagonismo europeu, além de reforçar preocupações com divisões internas e dependência dos Estados Unidos. Já na imprensa americana, a recepção foi mais pragmática, inserindo a fala de Zelensky em debates mais amplos sobre custos, prioridades globais e limites do envolvimento dos EUA. Em ambos os contextos, porém, foi amplamente destacada a mensagem central de que a pressão sobre a Rússia ainda é insuficiente. ASSINE e contribua com o Não é Imprensa. A gente precisa da sua assinatura para manter e ampliar o nosso trabalho.
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