A primazia da política sobre a cultura é, talvez, uma das características mais marcantes da modernidade. A tentação de transformar o mundo, tal como exposto na 11ª tese de Marx sobre Feuerbach, corrompeu a juventude, os aposentados, os youtubers e, mais recentemente, os bilionários que encomendaram uma versão exclusiva de tese marxista: “os bilionários apenas acumularam dinheiro de diferentes maneiras, o que importa agora é gastá-lo para tornar o mundo melhor”. Mas o caso Epstein acabou nos mostrando que toda essa benevolência com o social e o meio ambiente era só um pretexto para coisas menos nobres. No Brasil a gente conhece bem essa patifaria. O esquema é sempre o mesmo: um laranja monta um negócio de fachada para onde o dinheiro público é escoado. Entre festinhas privês com charutos, vinhos, champanhes e prostitutas, eles fecham contratos fictícios para dividir a grana roubada. Nos EUA, essas histórias picantes chocam a burguesia em filmes de Hollywood e documentários no Netflix. No Brasil é tudo mais difícil porque as histórias sempre se repetem. Eu sei que toda história repetida pode ser abordada de uma forma diferente. Hamlet era uma velha lenda popular que Shakespeare reescreveu na sua forma definitiva. Mas o Brasil não tem um príncipe da Dinamarca nem uma intriga palaciana que renda boa literatura. E nada aqui é definitivo porque sempre progredimos para uma versão pior. Estamos presos para sempre numa espécie de eterno retorno. Os mensaleiros são reeleitos, os lobistas se acotovelam para barganhar privilégios, os monarcas da casa grande contrabandeiam joias e compram sofás de 60 mil reais, enquanto 30% da população vive com uma renda inferior a 400. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
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sexta-feira, 6 de março de 2026
#MensalãoEterno
#ArquivoMorto
#ArquivoMortoEsqueçam. Não lembrem. A amnésia não é um defeito de fabricação do brasileiro, é o nosso mais refinado recurso de sobrevivência
Muita gente reclama que o brasileiro tem memória curta, pois se esquece do que os políticos fizeram no verão passado... ou na semana passada. Talvez o motivo para o esquecimento seja singelo. Simples questão de sobrevivência. Quem tem muitas informações na memória, pode ser obrigado a perdê-las de forma misteriosa... aquelas que “precisam ser investigadas”, mas nunca serão. A tendência é que os memoriosos caiam logo no esquecimento. Geralmente, quando caem, estão dentro de um jatinho com um piloto que resolve, naquele dia, não trabalhar direito. Mas eles podem ser esquecidos de várias formas... Assine Não É Imprensa para desbloquear o restante.Torne-se um assinante pagante de Não É Imprensa para ter acesso a esta publicação e outros conteúdos exclusivos para assinantes. Uma assinatura oferece a você:
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