#Literatura: Montaigne e a arte de pensarNos "Ensaios", ele transforma a instabilidade da vida em método de pensamentoLer Montaigne hoje é confrontar um paradoxo: um autor frequentemente considerado difícil, distante e erudito revela-se, na verdade, um dos mais próximos intérpretes da experiência humana. Seus Ensaios, com sua forma fragmentária e cheia de digressões, parecem resistir à leitura apressada. No entanto, é justamente nessa recusa de linearidade que reside sua força: Montaigne não pretende ensinar verdades, mas acompanhar o movimento incerto do pensamento. Escrevendo em meio às guerras religiosas do século XVI, ele testemunhou um mundo dilacerado por certezas absolutas. Sua resposta não foi a construção de um sistema, mas a adoção do ceticismo como método. Diante da violência produzida por convicções inabaláveis, Montaigne escolhe a dúvida como forma de lucidez. Seu célebre “Que sais-je?” (O que sei) não é um gesto de ignorância, mas de prudência intelectual — um reconhecimento dos limites humanos diante da complexidade do real. Essa postura está profundamente ligada à sua vida. Educado de maneira humanista e incomum, habituado desde cedo à liberdade intelectual, Montaigne desenvolveu uma aversão às imposições rígidas e às verdades dogmáticas. Sua experiência como magistrado e político reforçou essa visão: ao observar os conflitos de seu tempo, percebeu que a razão, quando capturada por ideologias, pode se tornar instrumento de barbárie. Sua retirada para a vida privada não foi fuga, mas uma tentativa de compreender o mundo a partir de si mesmo. Os Ensaios nascem desse gesto: escrever como quem pensa, e pensar como quem experimenta. Não há um sistema fechado, mas um processo contínuo de revisão e autoconhecimento. Montaigne transforma a própria instabilidade em método, fazendo do “eu” um campo de observação onde o humano se revela em suas contradições. Ao falar de si, ele fala de todos — não por generalização, mas por reconhecimento da condição compartilhada. Em tempos igualmente marcados por excesso de certezas, polarizações e ruído, Montaigne oferece uma alternativa rara: a inteligência que hesita, o pensamento que pesa antes de afirmar, a liberdade que nasce da consciência dos próprios limites. Ler Montaigne não é encontrar respostas, mas aprender um modo de olhar — mais atento, mais tolerante e menos arrogante diante da complexidade do mundo. _______________ Ensaios Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
#Literatura: Montaigne e a arte de pensar
#EscamboNoTCU
#EscamboNoTCUVale tudo na guerra dos partidos para colocar um apaniguado no Tribunal de Contas da União
Abriu uma vaga para o Tribunal de Contas da União, com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz. O PL quer prenchê-la com o deputado e aspone do bolsonarismo identitário, Hélio Lopes, vulgo Hélio Negão. É mais um nome que saiu da listinha de candidatos a alguma coisa indicados pelo mentecapto-pai. O Brasil vive uma maldição política. Nosso futuro está sendo traçado na cadeia. Lula também fez sua listinha quando estava preso. O PT cumpriu à risca as ordens do então presidiário, como o PCC segue à risca as ordens do Marcola. A política brasileira virou refém da listinha de velhos bandidos, e também do escambo político das casas de tolerância de Brasília. O presidente da Câmara, Hugo Motta, precisa pagar pelo apoio do PT para a sua eleição. Mas o Centrão pretende atropelar o compromisso de Motta com o PT, lançando os seus candidatos. O TCU deveria ser lugar para pessoas qualificadas, com conhecimentos técnicos de direito, economia, contabilidade e administração pública. Mas na nossa política do escambo, o importante é garantir uma boa vida para algum apaniguado. Esse é o órgão que deveria fiscalizar e garantir que o dinheiro público seja usado de forma legal, eficiente e econômica. O NEIM precisa do seu apoio para continuar revelando o que as notícias escondem. ASSINE AGORA!
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