O PT perdeu os jovens e tem certeza de que eles são idiotas, assim como todos os brasileiros. E são mesmo, a prova é que Lula foi eleito tlês vezes. Para recuperar o eleitorado jovem, criaram o Pililico, algo tão infantil quanto o Jarrão Ki-suco. Se Sidônio está envolvido nisso, ele é pior do que eu pensava. Se não foi ele, deveria pedir demissão, porque alguém o superou. Ou será que foi o Vorcaro, criador da Peleleca e do Peleleco, que criou o Pililico? Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
|
Total de visualizações de página
quarta-feira, 6 de maio de 2026
#Pilili
O Labirinto Da Loucura
Obrigado pela sua leitura! Morreu (ou mataram?) PC Siqueira. Longa vida a PC Siqueira. Assim como um rei, ele simboliza o papel de ser o primeiro e o último de uma era. A era dos influenciadores. Começou como youtuber despretensioso, falando mal de James Cameron, terminou como suicida, supostamente matando-se na frente da namorada. Este ato hediondo me lembrou de Johann Wolfgang Goethe, o autor de Werther, romance alemão do século XVIII, cujo personagem-título cometeu o mesmo tipo de atitude tresloucada e, na vida real, provocou uma onda de suicídios por toda a Europa. Foi uma verdadeira peste: milhares de jovens resolveram imitar o pobre-diabo que se apaixonou pela recatada Carlota (hoje alguém ainda se apaixona por mulheres chamadas Carlota?). A palavra-chave aqui é imitar. Goethe - que se tornou uma celebridade por causa do escândalo provocado pelo livro (será que ele foi o primeiro influencer?) - sabia muito bem o que era a imitação própria ao comportamento humano. Ele entendia que isto se devia ao desejo - o que me faz lembrar René Girard, o francês que elaborou uma teoria monomaníaca chamada “desejo mimético” (somente os franceses são capazes disso). A ideia consiste no seguinte: você não deseja por si mesmo e sim sempre por meio do outro. Este outro guia seus gostos, suas emoções, suas escolhas, sempre de forma inconsciente. Chega um momento em que este outro se torna também um obstáculo - e você passa a querer destruí-lo (obviamente, o outro pode ter o mesmo intento em relação à sua pessoa). Isto cria um mecanismo de desejo triangular que cresce de forma exponencial, até se transformar em um desejo metafísico, no qual o outro (ou você, leitor) fica completamente obcecado pelo obstáculo que cativou - e pretende arruiná-lo, em geral por meio de um ritual que substitua a violência (nos nossos tempos, o tal do “cancelamento”). Como podem perceber, de certa forma toda a cultura humana se baseia neste tipo de comportamento, que molda guerras, conflitos, demissões em massa, linchamentos públicos, um vasto etecétra. Não seria diferente com o rei dos influenciadores, PC Siqueira. Que está morto, mas também vivo. Como um futuro Werther, Siqueira colaborou com uma máquina de linchamento - a dos influenciadores de esquerda - e foi destruído por outra - a dos influenciadores de direita. Foi capturado pelo próprio desejo mimético que incentivou nos outros. O problema é que, como Goethe, o qual evitou ver o monstro que ajudou a criar, nunca assumiu a responsabilidade por sua própria destruição. Semelhante a Werther, quis jogar a culpa no objeto amado, supostamente matando-se na frente da namorada (que não se chamava Carlota). Incentivado pelas pessoas que o imitavam e também queriam devorá-lo por causa do seu súbito sucesso, PC Siqueira preferiu se ver como uma eterna vítima, o eterno imolado na máquina macabra do desejo metafísico. E, sim, inclua na lista desta engrenagem não só o mundo dos influenciadores, mas sobretudo a imprensa. Para ela, PC Siqueira era o monarca do YouTube. O pioneiro. Contudo, também o transformou em um tirano, que, para se manter no poder, modificou o próprio corpo, consertou suas falhas anatômicas e transformou a sua pele em um ritual pagão de sacrifício, com inúmeras tatuagens percorrendo sua frágil constituição. Esta metamorfose também me fez recordar do belo filme Saltburn, dirigido por Emerald Ferrell (a mesma diretora da nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes). O longa conta a história de Oliver Quick (Berry Keough), um zé-mané que se vê obcecado por um menino rico e bonito, Felix Catton (Jacob Elordi). O jornalismo cultural (sempre ele) interpretou a obra como uma ode ao mundo queer. Não é nada disso: é uma reflexão satírica, feita ao estilo Evelyn Waugh (pesquisem, leitores), justamente a respeito do desejo metafísico. Oliver não apenas pretende possuir a existência de Felix, com sua mansão e família aristocráticas. Ele pretende ser o próprio Felix. O mesmo aconteceu com o universo dos influenciadores brasileiros em relação a PC Siqueira. Todos desejavam ser ele, de uma forma ou outra, por meio do amor ou do ódio. E Siqueira adorava isso (não à toa, a tia dele disse ao Correio Brasiliense que um dos motivos pelo qual PC estava em depressão severa era porque “não estava mais na mídia”). Claro que ele não era um Apolo como o Felix Catton de Jacob Elordi (que também interpretou ninguém menos que o objeto mimético por excelência no século XX, Elvis Presley, em Priscilla, o longa mais recente de Sofia Coppola, e o antimimético por excelência, a Criatura no Frankenstein de Guillermo Del Toro). Porém, sem dúvida, PC Siqueira se via como alguém que poderia ser um Apolo (mas não viu que se tornou a Criatura). E aí foi o motivo da sua desgraça. Em uma das cenas marcantes de Saltburn, há uma morte que ocorre no meio de um labirinto, próxima da estátua de um Minotauro (todo mundo sabe da história grega do labirinto e do Minotauro, certo? Se não, Claude is your best friend). Sim, trata-se de um sacrifício, feito de maneira horripilante, ao contrário do “cancelamento” virtual das redes sociais. Mas é também um paralelo com o que aconteceu com PC Siqueira. Todavia, há uma diferença: ele era, ao mesmo tempo, o labirinto e o Minotauro. O youtuber caçou e foi caçado - e não havia nenhum fio de Ariadne para guiá-lo. Após seu suicídio, tanto o mundo dos influenciadores como o mundo político acreditam que é necessária uma regulação jurídica nas redes sociais, para impedir que futuros Werthers aconteçam. O que essas pessoas ainda não perceberam é que a morte (ou assassinato?) de PC Siqueira é apenas mais um episódio em uma longa história de violência que dura desde o início dos tempos - e que irá continuar enquanto a raça humana permanecer na sua arrogância de fingir ser uma eterna vítima. Na tristeza que marca esse fim trágico, a imprensa continuará a alimentar a máquina satânica do desejo metafísico em todos nós, ajudando na criação de outros Werthers, até o momento em que finalmente alguém irá decretar o veredito de que o rei morreu, pois ele já estava podre por dentro há muito tempo. Quem quiser colaborar com o meu trabalho, além do valor da assinatura desta newsletter pessoal, pode me ajudar por meio do pix: martim.vasques@gmail.comE quem quiser apertar o botão abaixo só para fazer a minha felicidade - e manter essa newsletter de modo mais profissional, be my guest: LANÇAMENTO DE “A IMITAÇÃO DO AMANHECER” EM SÃO PAULOA última obra-prima de Bruno Tolentino, o enigmático A Imitação do Amanhecer, terá lançamento presencial, com uma conversa entre os dois editores da Pêssoa Editora, Matheus Araújo e Vicente Pessoa, e Guilherme Malzoni Rabello, um dos integrantes do espólio que cuida da obra do poeta. Mais informações na imagem abaixo. Obviamente, estão todos convidados! AVISO: NOVO CURSO - RAÍZES (E CONSEQÜÊNCIAS) DO TOTALITARISMO BRASILEIROUM TRECHO LOGO ABAIXO:Queridos leitores: Temos um novo curso: RAÍZES (E CONSEQUÊNCIAS) DO TOTALITARISMO BRASILEIRO. (No decorrer das aulas, os alunos perceberão que eu falo “Raízes do autoritarismo brasileiro” o tempo todo, mas o nosso departamento de marketing resolveu alterar o título para melhorar as vendas. Não vou discutir.) Trata-se de um prosseguimento do assunto que abordei nos cursos anteriores (mas agora aplicados na perspectiva brasileira), De Zero a Nero - O que Shakespeare ensinou a Peter Thiel sobre os rumos da liderança, e Além do Zero: Vivendo na Religião da Tecnologia, que você pode adquirir respectivamente aqui e aqui. Serão seis aulas, de 30 minutos a 1 hora de duração, todas já gravadas. Aqui vão os temas abordados: O curso é também uma reflexão sobre certas obsessões minhas e que me acompanham desde a época do meu segundo livro, A Poeira da Glória (2015) e depois em A Tirania dos Especialistas (2019), indo até A Disciplina do Deserto, minha obra derradeira. Este livro será publicado em 2026, se os deuses do mercado editorial permitirem. Dito isso, chegamos ao grande momento: Quanto custará o curso?E a resposta é: Você decide.Isso mesmo: Quem determinará o preço será você, não eu.Veja os temas que serão abordados. Veja a qualidade gráfica do material promocional. Veja o seu interesse. Veja como isso pode te ajudar na sua vida pessoal e pública. E aí você envia o valor no PIX abaixo:martim.vasques@gmail.comAssim que fizer o pagamento, mande uma mensagem no mesmo endereço acima (vou reforçar: martim.vasques@gmail.com), com o assunto escrito da seguinte forma - CURSO RAÍZES TOTALITARISMO -, e eu vou lhe enviar um link com acesso, também por e-mail, a uma pasta especial no Google Drive, onde haverá todo o material disponível do curso (é importante reforçar que é bom ter uma conta no Google). Observação importante: Não haverá reembolso no valor a ser pago (e se alguém precisar de Nota Fiscal, posso providenciá-la sem problemas, desde que me informe todos os dados necessários). (Pediria também a paciência de me dar um prazo de 24 horas para responder, pois sou “o exército do eu sozinho” nesta empreitada) Qualquer dúvida, é só conversar comigo por e-mail ou via DM do Substack. Agora a única coisa que posso lhes dizer é: obrigado pela confiança no meu trabalho - e eu espero que consiga cumprir as expectativas. Um forte abraço do MVC You're currently a free subscriber to Presto. For the full experience, upgrade your subscription.
© 2026 Martim Vasques da Cunha |





