Obrigado pela sua leitura! “Lembra-te, Senhor, do que nos tem sucedido; considera, e olha para o nosso opróbrio. “Lamentações de Jeremias”, capítulo 5. A partir do dia 27 de outubro de 2026, provamos que o Brasil é um país que adora cometer suicídio. Esta é a primeira conclusão a que se chega, depois de saber que Lula foi, pela quarta vez, o nosso presidente da República. O suicídio, no caso, não é entregar o país nas mãos de um sujeito nitidamente despreparado e que fala cerca de quatro “menas” em 2,4 minutos de discurso. É entregá-lo nas mãos do grupo que manipula esta marionete, um grupo que, graças às universidades públicas, aos jornalistas infiltrados em cada redação da mídia nacional e aos intelectuais que disparam as ideias mais absurdas nos ouvidos de estudantes limítrofes, jogaram o Brasil na vala da loucura coletiva. É isso o que os brasileiros podem esperar com a vitória do PT: caos e desordem. Não por culpa de Lula ser um semianalfabeto. Na verdade, é bem capaz que ele seja mais esperto do que todos nós, como mostraram suas negociatas com Fidel Castro no Foro de São Paulo (alguém se lembra disso?). O que não lhe falta é determinação: durante diversas eleições fatigantes, Lula lutou tanto pela faixa presidencial que, realmente, como disse um de seus assessores, ele se tornou um político profissional, mas não como queria Max Weber, o autor que o fiel servidor de Luís Inácio tentou se apoiar para justificar e permanecer no mundo do faz-de-conta. Quem leu Max Weber, na palestra A Política Como Vocação, saberia que se Lula fosse o político profissional que o sociólogo alemão defendia, ele teria de aplicar à risca a “ética da responsabilidade”, porque todo mundo já sabe que ele praticou a sua “ética da convicção” ao trocar figurinhas com Castro e Hugo Chávez. Na verdade, Lula ficou embasbacado pelas suas convicções e se esqueceu da responsabilidade, apesar de pregar nos quatro cantos do país a palavra “ética”. Se fosse um homem realmente responsável, Lula teria que responder, com alguma dignidade, a três perguntas simples que ainda assombram o seu passado desde o início dos anos 2000 (e olha que sequer abordei o Mensalão e o Petrolão): Qual foi a relação do PT com as FARCs colombianas, quando é fato notório de que o governo petista do Rio Grande do Sul, por exemplo, recebia com pompa e circunstância os comandantes desta organização que, não sei se o leitor sabe, sempre teve íntimas ligações com o narcotráfico latino, em especial com um sujeito chamado Fernandinho Beira-Mar? Como explicar a admiração que Lula tem pelo ditador Castro e Chávez, exibida em fotos e discursos? E, por último, qual era a ligação do PT com o MST, que nunca foi um movimento de protesto pela reforma agrária, mas sim um grupo organizado de guerrilha maoísta? Sem contar a nítida admiração pelo Hamas, Hezbollah e uma Palestina inocente que só existe na cabeça dos antissemitas. São perguntas simples. Mas Lula, como dissemos, é esperto demais para dar todas essas respostas, porque elas foram ocultadas displicentemente por boa parte da mídia que, surpresa das surpresas, reza para que o petista ganhe todas as eleições até o fim dos tempos. Para muitos sonâmbulos, como é a maioria dos jornalistas brasileiros, a vitória do PT para a presidência seria a prova da rotatividade do poder na democracia, a prova de que a extrema-direita bolsonarista se esgotou e é tempo, como diria Leonardo Boff, o ídolo dos hereges da Teologia da Perdição, “de colher o verdadeiro socialismo e evitar que o Brasil seja o novo quintal dos EUA”. É um engano primário, que muitos se acostumaram a repetir, como um mantra, talvez para anestesiar o medo de que esses puritanos serão mais sanguinários do que os aliados de Oliver Cromwell. O problema é que isso não é dito apenas por senis famosos, que os cadernos culturais adoram divulgar como os luminares da cultura brasileira. São jovens que abusam destes slogans ideológicos, jovens de classe média, que nunca passaram fome, que nunca souberam o que é a perda da falta de liberdade e que nunca leram um livro de História decente, porque se lessem algum, teriam vergonha em dizer que votaram em Lula. O PT armou uma bela ratoeira não para os velhos, mas para a próxima geração. A juventude já fez um pacto demoníaco sem saber das condições do contrato, pois seus pais, irmãos, tios e avós assinaram por eles, ao acreditar piamente no deus manco da democracia e no mundo mágico da igualdade perante à lei. Com isso, o sentido de um futuro está acabado e faz parte de um passado que terminará no pó da embriaguez moral. Todos nós somos culpados pela morte espiritual dos jovens que deveriam continuar com nosso trabalho; todos nós somos nossos próprios assassinos. Terminaremos como os bárbaros começaram, ao destruir Alexandria, escolhendo a honra pelo poder, a dignidade pela humilhação. A pergunta que não quer calar para aqueles que fizeram o seu trabalho de sentinela e que avisaram meio mundo, mas sabem que gritaram para ouvidos moucos, é a seguinte: O que fazer depois que “a ascensão da lulidade” (esta expressão é cortesia de Bruno Tolentino) tomou o poder oficialmente? Lamento em informar-lhes, mas deveriam ter feito pensado nisso muito antes de imaginar que o molusco sentaria o traseiro na cadeira presidencial em 2002. Já conversei com grandes amigos que também lutam o bom combate e avisei-os que, no afã de querer fazer o bem, vamos acabar criando tanto mal quanto os petistas, ainda mais se usarmos os mesmos métodos deles, mesmo de maneira inconsciente ou ingênua. No fim das contas, corremos o perigo de cair na vala da ideologia e criar uma nova fuga da realidade, esquecendo-se dos nossos próximos e lembrando-se apenas dos distantes que, se bobear, sequer prestam atenção ao que fazemos - e que foi exatamente o que praticamos com o bolsonarismo. Infelizmente, esta é a sina de qualquer um que quer cumprir o seu dever moral: tal trabalho será incompreendido numa série de erros, que só prejudicará a nossa vida e a dos outros. O prejuízo é claro: quem avisa amigo é, e se você não escutou, problema seu, meu irmão. O próprio Cristo dizia que não deveria jogar pérolas aos porcos. E estamos fazendo exatamente isso: tornando-nos jogadores profissionais de pérolas aos porcos. Praticamos, afinal de contas, aquilo que Augusto Del Noce chamou de “o suicídio da revolução”. Este engano é fomentado por muitas pessoas que circulam na intelectualidade brasileira — de índole gramsciana — e da qual deveríamos ser a resistência. Mas como resistir quando os inimigos tomarem o poder? Com armas? Com gritos? Com pauladas? Não, com o espírito, que sopra para onde quer, mas ninguém sabe de onde veio, nem para onde vai. Ele é a única coisa que fica neste mundo de finitude e temos de aprender o seguinte: um dia, Lula e o PT desaparecerão e até mesmo o próprio Brasil irá desaparecer. É como escreveu Bruno Tolentino no soneto “In Passim”, publicado no livro O Mundo Como Ideia, o maior livro de poesia já lançado nos últimos anos neste país:
Temos de passar por esta lição — até para amadurecermos como seres humanos. E só podemos fazer isso se ficarmos acima da “ascensão da lulidade”, mesmo que, a partir de agora, só terá futuro neste país quem for um canalha ou um completo ignorante sobre seus próprios passos. Não podemos nos preocupar com vermes porque nosso trabalho é muito mais importante: temos de continuar a herança que nos foi dada, uma herança que tem a ver com dignidade, nobreza e de perseverar quando tudo parece estar desabando — mesmo neste país ingrato, que trata suas sentinelas como a porca que come os próprios filhos. Para os brasileiros que escolheram o canceroso império da doxa, da opinião alheia que parece ser original, mas não passa de uma colcha de retalhos, a única saída será culpar os outros e recusar a responsabilidade pelo erro que nos acompanha desde o início. Décadas de golpes atrás de golpes e de uma nação esmigalhada — este será o legado de uma geração corrupta para uma geração corrompida. Quando Thomas Mann escreveu seu romance Doutor Fausto na Segunda Guerra Mundial, ele esperava que o livro servisse de lição para que o nazismo não fosse repetido em nenhum outro lugar da Terra. Sua esperança foi em vão: o Brasil é o palco de uma demência que demorará muito tempo para ser purgada do espírito brasileiro. É o “Carandiru Intelectual” sobre o que falo em A Poeira da Glória. Mas, pelo menos, Mann simbolizou a desgraça alemã na alma de um gênio da música que, por amor à arte, vendia sua alma ao demônio. Aqui temos um espertalhão que brincou de ser um político profissional, manipulado por sujeitos que sabem muito bem que o socialismo é impraticável em qualquer lugar do mundo, exceto para os idiotas úteis que preferem transformar a sociedade, em vez de reconhecer onde erraram em suas míseras vidas. Além disso, não há nenhum amor na motivação deles; existe apenas o ódio ao ser humano. E este ódio não permite que eles possam escutar o canto do vento que confirma nosso fim, mas também ilumina a nossa vida, como fala Tolentino no último poema do ciclo “A Imitação da Música”, que fecha O Mundo Como Ideia:
Para ler mais:Quem quiser colaborar com o meu trabalho, além do valor da assinatura desta newsletter pessoal, pode me ajudar por meio do pix: martim.vasques@gmail.comE quem quiser apertar o botão abaixo só para fazer a minha felicidade - e manter essa newsletter de modo mais profissional, be my guest: Em novembro, lançarei dois livros ao mesmo tempo. O primeiro é Crise e Utopia - O Dilema de Thomas More, agora numa segunda edição revista e ampliada: Crise e Utopia – O Dilema de Thomas More medita sobre os pesadelos da modernidade, a partir da vida e da obra de um dos homens mais importantes do humanismo, e estabelece conexões inusitadas entre um passado distante e o nosso presente macabro. O segundo é A Disciplina do Deserto, a culminação de toda a minha obra: A Disciplina do Deserto é uma reflexão ousada e original de como o poeta inglês John Milton, com sua obra épica Paraíso Perdido (1667), determinou o curso da nossa História ocidental – e influenciou a política do século 21. Ambos os livros serão publicados pela Editora Logos e tiveram capa de Vicente Pessoa, edição de Matheus Araújo e um incentivo especial de Augusto Fleck e Lorenzo Fioreze. *** Abaixo, a conversa que tive com Bruno Magalhães e Lucas Mendes sobre o fato de que dois livros meus - A Poeira da Glória e A Tirania dos Especialistas - foram escolhidos entre a lista das 25 Obras Brasileiras Mais Relevantes Do Século 21, publicada pela Gazeta Do Povo: Queridos leitores: Quando eu falo de vibeshift, falo na verdade de um processo que começou desde 2016, se aprofundou em 2018, foi sufocado em 2020 na época da COVID e se acelerou em 2022 com a popularização da IA. Há um nome específico para ele: “a revolta das elites contra a revolta do subsolo”. Os três cursos que produzi de forma independente confirmam este diagnóstico. O problema é que (quase) ninguém entendeu isso. E daí surge a confusão em que estamos metidos. Aqui, vejam um trecho de uma das aulas: Por exemplo: em RAÍZES (E CONSEQUÊNCIAS) DO TOTALITARISMO BRASILEIRO, eu analiso como as placas tectônicas da história do nosso país entraram em choque e como o sistema do Estado se tornou incapaz de permitir uma liberdade mínima para o cidadão. Já em ALÉM DO ZERO: VIVENDO NA RELIGIÃO DA TECNOLOGIA, medito a respeito de como a mídia não consegue mais conversar com o leitor comum, pois a internet já entrou em entropia, buscando um “retorno às fontes”, e assim as instituições religiosas estão sem o norte do espírito. E em DE ZERO A NERO: O QUE SHAKESPEARE ENSINOU A PETER THIEL SOBRE OS PERIGOS DA LIDERANÇA, disseco sobre a turma do Vale do Silício, que transforma o planeta e cria o vazio que nos desorienta atualmente. (As informações sobre as ementas de cada curso podem ser lidas em cada link acima) Dito isso, chegamos ao grande momento: Quanto custará cada curso?E a resposta é: Você decide.Isso mesmo: Quem determinará o preço será você, não eu.(“Ah, mas não é um combo?” “Não deveria ser um único preço?”, perguntarão os impacientes. Bem, eu estou dando a oportunidade de você dar o preço, conforme a sua consciência. Portanto, o mínimo que eu peço é que respeite algumas das minhas condições, certo?) Veja os temas que serão abordados. Veja a qualidade gráfica do material promocional. Veja o seu interesse. Veja como isso pode te ajudar na sua vida pessoal e pública. E aí você envia o valor no PIX abaixo (especificando-o na mensagem a quantia para cada curso):martim.vasques@gmail.comAssim que fizer o pagamento, mande uma mensagem no mesmo endereço acima (vou reforçar: martim.vasques@gmail.com), com o assunto escrito da seguinte forma - COMBO DO VIBESHIFT -, e eu vou lhe enviar um link com acesso, também por e-mail, a uma pasta especial no Google Drive, onde haverá todo o material disponível de cada curso (é importante reforçar que é bom ter uma conta no Google). Observação importante: Não haverá reembolso no valor a ser pago (e se alguém precisar de Nota Fiscal, posso providenciá-la sem problemas, desde que me informe todos os dados necessários). (Pediria também a paciência de me dar um prazo de 24 horas para responder, pois sou “o exército do eu sozinho” nesta empreitada) Qualquer dúvida, é só conversar comigo por e-mail ou via DM do Substack. Agora a única coisa que posso lhes dizer é: obrigado pela confiança no meu trabalho - e eu espero que consiga cumprir as expectativas. Um forte abraço do MVC You're currently a free subscriber to Presto. For the full experience, upgrade your subscription.
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quarta-feira, 28 de outubro de 2026
O Suicídio Da Revolução
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