Graham Greene (1904–1991) foi um romancista, dramaturgo, jornalista e crítico inglês. Estudou na Universidade de Oxford e trabalhou brevemente como jornalista antes de se dedicar à escrita em tempo integral. Sua fé católica, suas inquietações políticas e seu interesse por espionagem moldaram fortemente sua ficção. Ele viajou muito e com frequência ambientou seus romances em países politicamente instáveis ou moralmente conflituosos, como México, Cuba, ou Vietnam. Ele dividia seus romances entre “entretenimento”, como os livros de espionagem ou policiais, ou “obras literárias, mais sérias”. No entanto, elementos de suspense, ambiguidade moral, crítica política e o conflito entre crença e dúvida estão presentes em todos.
A relação de Graham Greene com a religião — especialmente o catolicismo romano — foi central tanto para sua vida quanto para sua obra, mas nunca foi simples ou serena. Converteu-se ao catolicismo romano em 1926, pouco antes de se casar com Vivien Dayrell-Browning, que era católica. A fé tornou-se um elemento definidor de sua visão intelectual e moral. Ele não se apresentava como um crente convicto, sua vida religiosa foi marcada pela ansiedade, pelo ceticismo, pela culpa e por períodos de incerteza espiritual. Ele se sentia atraído pelos conceitos do catolicismo sobre pecado, graça, julgamento e redenção, mesmo tendo dificuldade em aceitá-los emocionalmente.
Há muita evidência de como ele pensava. A conversão foi documentada, como de hábito, mas além disso ele deixou vasta evidência de suas dúvidas em cartas, livros autobiográficos, entrevistas e biografias. Muitos dos personagens de Greene são moralmente falhos — adúlteros, criminosos, alcoólatras, traidores e extremistas políticos. No entanto, ainda possuem a capacidade de compaixão ou de autossacrifício. Isso reflete a convicção de Greene de que os seres humanos não podem ser divididos de forma clara entre “bons” e “maus”, e de que a graça pode surgir em lugares inesperados.
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