Nos últimos dias, petistas famosos e desconhecidos têm pedido votos para Lula nas redes sociais. Alguns (poucos) petistas próximos, conhecendo meu histórico antilulista, também me pediram voto. Os argumentos são curiosos: pela primeira vez na vida, vejo petistas preocupados com a alternância de poder. Quem vota no mesmo partido desde o início deste século (e alguns, desde o final do século passado) parece ter descoberto agora os perigos de um grupo ou partido se perpetuar no poder. Onde esteve esse argumento nos últimos 24 anos, quando essas mesmas pessoas votaram sistematicamente no PT? Onde estava essa preocupação quando havia a possibilidade de votar em candidatos de oposição, como José Serra e até mesmo Alckmin (hoje vice de Lula), mas esses petistas preferiram prolongar a permanência do PT na Presidência? Onde estava essa preocupação quando poderiam votar em pelo menos outros quatro candidatos (Renan, Caiado, Zema e Cury) no primeiro turno, mas preferiram o quarto mandato de um idoso de 80 anos? O NEIM precisa do seu apoio para continuar Agora que notaram que não vão mais permanecer no poder, mostram-se preocupados com a “alternância”. Agora que sabem que a vontade popular vai tirar Lula e colocar um prego no caixão do PT (afinal, o petismo não sobrevive sem o lulismo), estão preocupados com a democracia e com a liberdade de expressão. Pelo que me lembro, nenhum petista estava preocupado com a liberdade de expressão quando o governo do PT quis, primeiro, criar o infame Conselho Federal de Jornalismo e, depois, regular as redes sociais. Nenhum petista estava preocupado com a democracia quando Lula, em um discurso em Santa Catarina, em 2010, afirmou que era preciso “extirpar o PFL da política brasileira”. A verdade é que, se Lula ganhasse novamente, o bolsonarismo não morreria e, daqui a quatro anos, veríamos o mesmo cenário: alguém da família Bolsonaro disputando contra um poste do atual incumbente, enquanto os petistas repetiriam a mesma cantilena sobre defesa da democracia e alternância de poder. Já o contrário — a morte política de Lula nesta eleição — pode ser o início do fim do bolsonarismo. A história há de mostrar se o movimento populista de Bolsonaro é capaz de se sustentar sem o petismo como contraponto. Ao falar de alternância de poder e liberdade de expressão, o petista transforma valores que sempre pareceram secundários para o PT em princípios inegociáveis justamente quando o partido passa a correr o risco de perder a eleição. É fácil defender a alternância de poder e a democracia quando elas significam a derrocada do adversário; muito mais difícil é aceitá-las quando significam a própria derrota. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2026
#HipocrisiaPetista
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