Uma das perguntas mais feitas no século XX é como pessoas cultas, escritores, poetas, enfim, artistas e intelectuais, aceitam ser subservientes a políticos e ideologias que, normalmente, desprezariam. É o que Czesław Miłosz tenta explicar em A Mente Cativa, publicado no Brasil pela Editora Âyiné, em 2022.
O livro é de 1953. O autor polonês não tinha apenas uma curiosidade intelectual sobre o tema. Mas uma reflexão viva de quem assistiu tudo de camarote. Depois da guerra, Miłosz foi diplomata da então Polônia comunista em Washington e também em Paris. Aproveitou para romper com o regime e pedir asilo político. Passou a viver na França.
Foi nesse processo de mudança de vida que Miłosz escreveu seu livro. Ele mesmo, poeta, romancista e intelectual, se viu obrigado a aceitar se submeter ao comunismo depois de ter combatido, na clandestinidade, as forças de ocupação nazista em Varsóvia. Eles se livraram da ideologia assassina alemã, mas tiveram o azar de cair nas garras dos assassinos soviéticos.
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