Aqui cabe uma longa digressão: aos domingos e só aos domingos, insisto em ler o jornal de papel. O entregador deve ficar injuriado comigo. Acorda de madrugada aos domingos só para entregar o jornal de papel para meia dúzia de nostálgicos como eu que ainda insistem em virar as folhas do jornal e sujar os dedos de tinta de impressão. Tudo isso para, no final do ano, o mesmo entregador me mandar um envelope com um cartão de Natal safado desejando Boas Festas e, no final do texto, o pedido de uma “caixinha” a título de gratificação pelos serviços prestados. No mesmo envelope eu colocava uma nota de cinquenta reais e deixava na mão do porteiro para entregar a gorjeta da madrugadora criatura. Hoje já não tem nem mais cartão natalino, só um pedaço de papel com o pix para se depositar a “doação voluntária” . Assine o NEIM e compartilhe o nosso conteúdo. Mas o que eu sinto falta mesmo é da banca de jornal. Daquelas grandes, que você entrava dentro e ficava um tempão “brauseando” as revistas , principalmente as importadas, sobre os mais coloridos assuntos, sem falar nas misteriosas publicações eróticas que ficavam hermeticamente fechadas num saco plástico. Tudo isso é coisa do passado, as antigas bancas de jornais e revistas hoje se dedicam a vender chinelas havaianas e papel para enrolar cigarro. De jornal, propriamente dito, só aqueles pacotes que tem por finalidade forrar o lugar onde o seu cachorrinho faz xixi. Suspiro. Pois então, leio nas páginas 35 e 36 do jornal de papel que as facções criminosas e as milícias estão diversificando os seus negócios. Além do comércio de drogas, armamento pesado, órgãos humanos e outras contravenções, agora também atuam na venda de pão, medicamentos, material de construção, material escolar e tudo mais que se possa vender na favela cobrando, evidentemente, uma sobretaxa de “segurança”. Os bandidos civilizam-se. Não podemos esquecer que as facções e as milícias, há muito tempo, já controlam a venda de gás de cozinha, gatonet, distribuição de luz, moto-táxi e aquilo que chamam de “transporte alternativo”: uma van, caindo aos pedaços, onde caberiam 15 pessoas e eles colocam 50 partindo em velocidade alucinada em direção da “comunidade”. Leio também que a Justiça vai investigar a própria Justiça sobre a venda de sentenças e outros serviços jurídicos por parte de magistrados de tribunais federais. Sinceramente, porque as autoridades não fazem uma concorrência pública entre as facções e milicias? Quem ganhar vai ter que dar um jeito em mais este abuso praticado pelos nossos juízes de reputação ilibada. Marcelo Madureira é humorista do Casseta & Planeta e , junto com o Hubert ( também do Casseta & Planeta) produzem conteúdo para o canal do jornalista Agamenon Mendes Pedreira no Substack. Chega lá e “assassina”. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura.
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segunda-feira, 27 de julho de 2026
#Agamenon: Pequenas Idiossincrasias
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