Nikolas Ferreira ruivo Você viu que o vereador Adrilles Jorge passou batom, colocou uma peruca e começou a gritar na Câmara de São Paulo. A cena viralizou. E aconteceu o inevitável: o assunto virou figurante. O Adrilles virou o protagonista da parada. Eu já vi isso antes. Foi a mesma coisa quando o deputado Nikolas Ferreira colocou uma peruca loira pra discursar na Câmara. Isso foi em 2023 e, provavelmente, você não lembra o motivo. Mas lembra quem fez. Qual era mesmo o projeto que ele estava criticando? Esse é o ponto. A ironia visual funciona muito, mas esclarece quase nada. E isso não é exclusivo deles. É um modelo de comunicação que está se espalhando em diferentes espectros. Basta observar alguns discursos da Erika Hilton sobre o mesmo assunto. O modus operandi é o mesmo. Se o objetivo é engajamento, parabéns. Tanto pro Adrilles quanto pro Nikolas e pra Erika. E não é ironia. Eles são muito bons na persuasão performática. A performance circula mais do que a ideia. Daqui a alguns dias, pouca gente vai lembrar do texto da lei que o Adrilles criticou. Mas todo mundo vai lembrar do cara de peruca gritando numa Câmara que deveria ser espaço de debate sério. Mas cada um joga pra sua torcida. Quem é fã, curte. Quem discorda, passa pro próximo vídeo. E ninguém escuta ninguém. Pouca gente está realmente prestando atenção. A gritaria entra como peça central disso. Isso não é descontroledele, é ferramenta. Quando o mágico aponta pra uma mão, a moeda está na outra. Tem nome: MISDIRECTION.No caso do Adrilles, o grito desorganiza o raciocínio do outro. O exagero cria tensão. O confronto impede quem está assistindo de perceber nuance. Eu já vi várias vezes ele se defendendo dando uma justificativa confortável:
Mas cargo público não é extensão de personalidade. É responsabilidade. Inclusive com quem não te elegeu. Se “jeito” vira argumento, qualquer coisa passa a ser aceitável. Eu grito porque é meu jeito. Eu distorço porque é meu jeito. Eu ridicularizo porque é meu jeito. Se for assim, não existe limite. E esse tipo de comportamento vai além da cena ridícula. Ele escala. Começa com alguém falando mais alto. E depois grito. E depois ofensa. E depois ataque. Sempre escala. E quando você percebe, não existe mais conversa. O diálogo cede espaço pra disputa. A gente olha para conflitos do outro lado do mundo como se fossem distantes demais da nossa realidade. Mas, guardadas as proporções, a lógica é a mesma. Ninguém solta uma bomba do nada. Começa um conflito que ninguém soube conter. Aqui, em escala menor, a gente ensaia isso todos os dias. Transformando discordância em briga. Perigoso, especialmente em ano eleitoral. A dúvida que fica é: é isso que eles têm pra oferecer? Erika Hilton, Adrilles Jorge e Nikolas Ferreira são muito mais inteligentes do que a histeria política que apresentam. Nesse caso, a peruca nunca foi o problema. O problema é que ninguém está discutindo a lei. Estão discutindo a si mesmos. E o próximo passo da própria carreira. E só. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
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sexta-feira, 27 de março de 2026
#PolíticaPerformática
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