#TudoÉNarrativaTrump se vangloria de uma “recuperação histórica” dos Estados Unidos durante seu discurso no CapitólioO presidente americano pronunciou, nesta terça-feira, o tradicional discurso sobre o Estado da União, afirmando ter realizado em um ano “uma transformação sem precedentes” de seu país. É a versão trumpista do “nunca antes na história deste país”. Trump entrou no Capitólio com uma narrativa bem definida: a de um país restaurado. Diante do Congresso, fez um discurso de quase duas horas, batendo os recordes de Bill Clinton, que, na sua época, também falava pelos cotovelos. O tom foi claramente triunfalista, como deve ser nesses eventos políticos. Uma bela tentativa de consolidar a ideia de uma nova “era de ouro”, marcado por aplausos da base republicana. O cenário descrito por Trump, no entanto, convive com indicadores menos favoráveis. Pesquisas recentes mostram que cerca de 57% dos americanos desaprovam sua condução da economia, e uma parcela significativa da população não vê o país como “forte” nem “com transformação sem precedentes”, como constava no roteiro do discurso. É natural esse contraste entre a narrativa oficial, do governo que sempre quer vender a ideia de perfeição, e a percepção pública, das pessoas que vivem no mundo real. Ao longo da fala, Trump reforçou pautas tradicionais de seu governo, como o endurecimento da política migratória e o combate à fraude eleitoral. Também associou problemas internos à imigração irregular, defendendo medidas mais rígidas e maior controle institucional – coisas que ele já vem fazendo. Depois, teve tempo de sobra para dizer que sua esposa Melânia virou estrela de cinema, por conta do documentário sobre ela produzido pela Amazon, por 40 milhões de dólares, parabenizar a equipe de hockey nacional pelo ouro olímpico, dar uma passadinha no Irã, que vai impedir, a qualquer custo, de ter armas nucleares, e na Venezuela, cujo regime é sua nova paixão. Então, dedicou-se a apresentar resultados econômicos como evidência de sucesso, ainda que esses dados sejam interpretados de forma divergente por analistas, pela oposição – obviamente – e, menos óbvio, pelo próprio eleitorado. O discurso também ocorreu sob a tensão institucional das decisões recentes da Suprema Corte, especialmente no que se refere às taxações, segundo Trump, “uma decisão infeliz". Mas o tom foi bem mais moderado diante dos magistrados presentes, considerando que ele já tinha soltado cobras e lagartos sobre a Corte. Gostando ou não de Trump, é preciso admitir que ele é um exímio show man. Em suma, embora tenha sido um discurso enfático e cheio de jogos de cena, a tentativa de consolidar uma narrativa de recuperação histórica acabou esbarrando em sinais concretos de desgaste político. Mas em novembro, Trump poderá medir a realidade do seu discurso, nas eleições de meio de mandato, onde poderá manter ou perder a maioria no Congresso e no Senado. Até lá tem tempo o bastante para construir novas narrativas – e talvez novas taxações. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
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