#PaísDoFuturoAo invés de desenvolvimento econômico, nossos políticos preferem se refestelar nas emendas parlamentares e garantir as reeleições nos seus feudos eleitoraisO Brasil é o país do futuro. Pelo menos é o que dizia o escritor austríaco Stefan Zweig, antes de cometer suicídio em Petrópolis, em 1942. Daí em diante a mesma frase é sempre repetida a cada desgraça ocorrida em nosso país, afinal, se o presente é uma coisa medonha, só nos restar viver imaginando que um dia tudo será melhor. Há 20 anos, o Banco Mundial dizia haver uma janela de oportunidade para o Brasil se tornar uma grande potência emergente. O nosso futuro de prosperidade está sempre atrelado ao longo prazo. A cada 10 ou 15 anos surgem especialistas discutindo “ações prudentes que podem gerar oportunidades para uma sociedade mais próspera, inclusiva e sustentável”, como dizia o relatório do Banco Mundial. O problema é que quando um especialista começa a falar assim, na condicional e usando termos abstratos, é mais ou menos como um médico tentando explicar para a família do doente que é preciso ter esperança, afinal, há uma perspectiva de longo prazo sobre o desenvolvimento de alguma medida terapêutica próspera, inclusiva e sustentável. Mas a gente sabe que a cura nunca chega a tempo. A longo prazo estaremos todos mortos, já dizia lord Keynes. Mas essas mudanças de visão de mundo acabam sempre privilegiando os políticos, que vivem esperando uma oportunidade para justificar um novo gasto público. É por isso que eles adoram ressuscitar essas promessas de desenvolvimento do país. É também por isso que todos os governos apresentam seus planos mirabolantes para a “retomada do crescimento econômico” – ainda mais em ano de eleição. A estratégia é sempre a mesma: com muitos cálculos de variáveis complexas, os especialistas iludem a imprensa. Depois, a imprensa tem a tarefa de nos iludir. E sempre acabamos engolindo uma infinidade de ideias abstratas que não significam nada, mas servem apenas para legitimar confiscos de poupanças, aumento de impostos e distribuições generosas de verbas e subsídios fiscais para os empresários que apoiam o governo. Essa é a nossa única janela de oportunidade. É com esse tipo de trapaça que estamos tentando construir uma sociedade “mais próspera, mais inclusiva e mais sustentável”. E os políticos seguem citando os relatórios dos especialistas de organizações como o Banco Mundial. Lá encontram justificativa para todas as suas incompetências. Eles jamais se preocupam em resolver os problemas da população, embora estejam sempre bem dispostos e preparados para resolver os próprios problemas. Ao invés de se comprometerem em promover o tal desenvolvimento econômico, preferem ficar se refestelando nas emendas parlamentares e garantir as infinitas reeleições nos seus feudos eleitorais. E, assim, vamos regredindo, de retrocesso em retrocesso, partindo dos discursos tecnocráticos, com seus cálculos de variáveis complexas e ideias abstratas, para chegar apenas à política rudimentar, das picaretagens, das fraudes bancárias, dos roubos de aposentados, das rachadinhas e, claro, dos contratos milionários com parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal. O Brasil é, definitivamente, o país do futuro. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
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sábado, 21 de fevereiro de 2026
#PaísDoFuturo
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