#Interlúdio: PoliticídioCom a política corrompida e a moralidade suspensa, tudo é permitido para vencer o inimigoA polarização política não é novidade, mas apenas consequência de uma visão de mundo romântica baseada num pessimismo cultural – que os alemães já catalogaram e chamam de Kulturpessimismus. Anunciar a catástrofe ao mesmo tempo em que se propõe a solução não é exclusividade de nenhum dos incontáveis espectros políticos existentes. É possível identificar o apocalipse tanto no colapso do capitalismo profetizado por Marx, quanto nas críticas conservadoras às páginas impressas do Manifesto do Partido Comunista de 1848. Embora por caminhos distintos, tanto a esquerda como a direita buscam um rompimento com o presente, partindo da presunção de que tudo deve recomeçar a partir do instante revolucionário que trará uma nova realidade, que pode ser totalmente inovadora, com o pêndulo voltado a um futuro incerto e ainda por construir, ou simplesmente retornando a uma idealização do passado, onde tudo um dia foi perfeito, com muita ordem, princípios e respeito às tradições. Ambas as atitudes pretendem uma ruptura total com a ordem vigente. Ambas buscam um realismo político que não se fundamenta no princípio da verdade, mas na mera questão da disputa pelo poder. No final das contas, os fins realmente justificam os meios, e o princípio do pensamento é subordinado apenas à práxis política. Assim, como dizia o filósofo italiano Michele Federico Sciacca, “o antidiálogo da opinião substitui o diálogo da verdade” e o que deveria ser proveitoso “é suplantado pela diatribe e pela força das cotoveladas”. Porque “na ausência da verdade, não há mais discurso sobre coisa alguma, apenas a massa ou o caos das opiniões”... Assine Não É Imprensa para desbloquear o restante.Torne-se um assinante pagante de Não É Imprensa para ter acesso a esta publicação e outros conteúdos exclusivos para assinantes. Uma assinatura oferece a você:
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
#Interlúdio: Politicídio
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