Pluribus começa como uma fábula clínica e termina como um espelho incômodo. Um vírus do “bem” atinge a espécie humana, dissolve conflitos, apaga fricções, instala uma felicidade lisa, contínua, banal. A humanidade deixa de ser um conjunto de vozes isoladas e passa a funcionar como um personagem coletivo — a “União” — que fala, pensa e sente tudo e todos ao mesmo tempo. Não há mais tragédia porque não há mais o drama da escolha. O mundo, enfim, é só concordância. Mas o vírus não atingiu Carol Sturka, a última dobra fora do vinco. Imune ao contágio, ela caminha entre sorrisos idênticos como quem visita um museu de bonecos de cera. Sua dor — a perda da namorada — torna-se um escândalo meramente particular. Paradoxalmente, é a escritora de livros anestésicos, uma produtora de ilusões. Já o admirável novo mundo cheio de felicidade é um mundo sem lugar para a literatura porque já não precisa de metáforas: a própria realidade virou metáfora... Assine Não É Imprensa para desbloquear o restante.Torne-se um assinante pagante de Não É Imprensa para ter acesso a esta publicação e outros conteúdos exclusivos para assinantes. Uma assinatura oferece a você:
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domingo, 11 de janeiro de 2026
#Séries: A felicidade banal de Pluribus
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