A hipocrisia no mundo das celebridades brasileiras não é novidade, mas Fábio Porchat sempre eleva a barra. O homem já encheu a boca para chamar o trabalho de motoristas e entregadores de “escravidão moderna”. Agora ele aparece sorrindo de orelha a orelha nas propagandas, pedindo o seu lanche no mesmo aplicativo que ele jurava ser a senzala do século XXI. É impressionante como a consciência social da “turma da lacração” é solúvel em capitalismo. O PIX caiu, a militância sumiu. Claro que a militância só cairá para ele. Porque, para os outros, ele continuará cagando regras e condenando, como naquela vez em que levou um monte de esquerdistas ao programa dele da GNT para dizerem que eu merecia ser preso por ter rasgado uma censura. A Revolução Acabou (Na hora do Jantar) Porchat encarna perfeitamente o arquétipo do “Socialista de iPhone”: chora pelos “escravos” do capitalismo nas redes sociais, mas não pensa duas vezes antes de pegar o chicote dourado da publicidade para garantir o dele. Seria ele o Capitão do Mato do Delivey? Repare que todos os que gritam pra qualquer um na rua “fogo nos racistas e nos exploradores”, são os primeiros que apagam o fósforo quando o explorador paga o cachê certo. Para Porchat, o entregador de aplicativo continua sendo “escravo”, mas agora é um escravo que ajuda a pagar as férias dele em Roma. Quando isso acontece a tal escravatura passa a ser aceitável, e vale até um sorriso numa foto, não é mesmo? As Empresas: O Masoquismo Corporativo E o que dizer dessas empresas de aplicativo? Sofrem de síndrome de Estocolmo corporativa ou é puro masoquismo mesmo? Contratar o sujeito que cuspe no prato em que elas entregam as refeições é a prova definitiva de que, no Brasil, dignidade realmente não dá lucro. Vale lembrar que um tempo atrás, quando Porchat atacava o iFood ao lado do governo, já estava com o contrato de publicidade dessa plataforma no bolso. Hoje, a propaganda dele gera rejeição do grande público justamente pela hipocrisia escancarada. Mas não é surpresa: é sempre esse tipo de demagogo profissional que acaba estampando campanhas das mesmas marcas que dizia combater. Isso acontece porque, no Brasil, quase nada é decidido por mérito. O que manda é a politicagem, o puxa-saquismo e a velha lógica da panelinha. E em matéria de puxar-saco Porchat é imbatível. Ele fala o que querem que ele fale. Entrega na bandeja a cabeça do colega que mandarem ele entregar. Tudo isso pra ganhar moral na agência certa ou na rodinha do Leblon. Embora ele sim poderia se aventurar, manter a sua palavra e ser revolucionário de verdade, afinal o cara já nasceu rico, ele prefere garantir o dele sempre, afinal dinheiro nunca é demais pro pessoal da justiça social. Aqui é assim, puxou o saco certo, pagou a bola para a pessoa certa, entrou na máfia: o cachê está garantido, mesmo entregando um trabalho medíocre e sem resultado algum. E essa campanha do Porchat está sofrendo rejeição de todo lado. Basta ler os comentários. Mas ele continua lá, faturando com isso. É exatamente assim que funcionam as produções audiovisuais e a publicidade por aqui. O resultado? Filmes que ninguém vê, que não geram riqueza, e campanhas estreladas por garotos-propaganda rejeitados justamente pelo público que deveriam conquistar. O showbusiness brasileiro é um App de Delivery Estatal: roubam sua comida no caminho, entregam o pedido todo revirado e, no final, ainda cobram de você por algo que você nunca pediu. Você deve sempre tapar o nariz e engolir o que mandaram. Atualmente, você é um assinante gratuito de Não É Imprensa. Para uma experiência completa, atualize a sua assinatura. |
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
#GarotoPropagandaDaSenzala
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