Os livros de nossos EncontrosKarleno Bocarro comenta sobre os títulos selecionados para nossos EncontrosOs livros de nossos Encontros: A Arte de Ler - 2026 Publiquei no Substack, no último dia 8 de outubro, um ensaio sobre a peça Tio Vânia, de Tchékhov. Eis o que afirmei: “A chegada de Serebriákov e de sua jovem e bela esposa, Elena, transforma a rotina da propriedade. Como Heathcliff, de O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, cuja presença na casa dos Earnshaw desencadeia tragédias, ou Stavróguin, de Os Demônios, de Dostoiévski, cuja chegada instiga uma onda de violência e caos, Serebriákov e Elena desestabilizam por completo a ordem do lugar. Sua letargia corrói o ambiente, espalhando descontentamento e frustração. Voínítski, o tio Vânia, abandona suas responsabilidades como administrador, enquanto até mesmo Marina, a criada, critica o professor (no caso, Serebriákov) por trazer o tumulto da cidade para o campo.” Por que escrevi isso? Porque sempre me impressionou a força concreta do mal em nossas vidas, e esse é um dos temas centrais dos meus romances. Como ele se aproxima, penetra em nosso cotidiano, ou se manifesta quando vivemos em um mundo em que ele parece dominar por completo. Não é isso, afinal, o que sentimos hoje em nosso país? O que é esse mal que se infiltra silenciosamente, desestabiliza a convivência, atormenta dia após dia, e, uma vez em nossas casas ou vidas, é tão difícil expulsar? Nas quatro obras escolhidas para os nossos encontros – O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë; os contos de Varlam Chalámov; Os Ratos, de Dyonélio Machado; e Macbeth, de Shakespeare –, esse é o fio que as une: a presença do mal como força real e concreta. Não apenas moral ou psicológica, mas algo que permeia o ar, o corpo, o destino e até a alma de uma nação. Todas elas tratam da experiência do mal como desfiguração do humano, como violência que destrói o mundo interior e exterior. Há ainda outro elo: Heathcliff, Macbeth, o protagonista de Os Ratos e os prisioneiros de Chalámov são todos figuras isoladas, solitárias, que perderam o vínculo com a comunidade, o amor e o sentido da vida. E em cada um deles o limite entre o humano e o inumano é tênue. Esses escritores, cada qual à sua maneira, exploram o que acontece quando o homem é levado ao extremo da paixão, da culpa ou da dor, ou, no caso de Chalámov, à injustiça absoluta... e o que resta depois disso. À primeira vista, pouco parece unir essas obras, separadas por séculos, países e estilos. Mas sob a superfície de suas diferenças lateja a mesma matéria: o enfrentamento do mal como experiência radical do humano. Em cada uma delas, o mal não é apenas ideia, é uma força concreta: um vento uivante que atravessa corpos e almas, uma engrenagem assassina, uma febre, um destino. Heathcliff, Macbeth, o funcionário atormentado de Dyonélio e os prisioneiros de Kolimá são todos devastados pela paixão, pela culpa ou pela violência, reduzidos à solidão extrema que resta quando o mundo e os outros já não oferecem abrigo. Lê-los e discuti-los será, portanto, uma forma de conhecer, talvez de suportar, um pouco da nossa própria condição humana. E vamos a elas. ** Serão quatro encontros para conversar, estudar e aprofundar nossas leituras sobre os livros e autores selecionados. » Os encontros serão realizados entre os meses de fevereiro a abril de 2026 - datas a definir. » Os encontros acontecem online e o conteúdo será gravado e disponibilizado para todos os inscritos. Teremos dois modelos de inscrição!
Investimento: R$ 598,90 **
Investimento: R$ 349,90 Inscreva-se já! Inscrições: de 25/10 até 05/12
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terça-feira, 28 de outubro de 2025
Os livros de nossos Encontros
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